sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A insegurança e os meios de comunicação

As últimas semanas ficaram marcadas por mais uma febre dos media: os assaltos, a insegurança e os roubos. Antes de mais um ponto prévio: há de facto uma superior preparação neste tipo de crimes e um maior requinte e preparação envolvidos nos mesmos.

Agora o que interessa: os meios. Os media desataram a fazer 50 minutos por dia com este tipo de notícias, umas vezes sem imagens e sem factos, outras com os "testemunhos na primeira pessoa" (algo que os meios gostam muito). É manifestamente um abuso, um exagero e uma coisa sem sentido. Há notícia, há que a noticiar, mas com tantas mensagens às vezes o sentido perde-se.
Senão veja-se o caso de uma peça que a SIC passou há 5 ou 6 dias: relatava a peça (com imagens aqui das Paivas-Amora) que teria havido uma tentativa de assalto ao Santander das Paivas, a polícia e o banco desmentiam, as autoridades já não estavam no local (as imagens que suportavam a peça eram de edifícios vazios e fachadas) e uma "pseudo-testemunha" dizia que "tinha ouvido dizer que eram dois e sairam a correr".
Sim senhor! Por este andar estaremos em breve a informar nos noticiários que tentaram assaltar a charcutaria do Sr.Ulisses aqui no Fogueteiro, mas ficaram à porta, porque a loja tem 6m2 e estava cheia com as 4 pessoas que cabem lá dentro e os criminosos eram mais 3 por isso não conseguiram sequer entrar....

Será que os meios não percebem que o exagero acaba por fomentar outros exageros. Por um lado incentiva aos "wanabees" de criminosos a tentarem a sorte para o seu assalto aparecer na televisão. Por outro lado dão espaço a esta gente de tentar a sua sorte, já se sabe que assim que um animal caí ferido surgem logo os pássaraos de rapina para rapar a carne.

Em resumo: há mais crime e mais organizado, por isso o que há a fazer é combatê-lo, com informação no terreno, músculo e sem medo de usar os meios.
Os senhores dos telejornais: bom... pode ser que um dia entendam que um telejornal deveria ser conciso, ter no máximo 30 minutos e ser diversificado. Pode ser também que um dia percebam porque é que os targets mais novos se estão a borrifar para eles, trocando-os pela web.

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