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domingo, 23 de outubro de 2011

As anunciadas medidas de austeridade

A apresentação do orçamento de estado para 2012 trouxe com ela o anúncio de cortes significativos de despesa do estado, que na prática a pouco mais se resumem do que ao corte dos subsídios de férias e de Natal de grande parte dos funcionários públicos, bem como de identicos pagamentos aos reformados e pensionistas LINK
Esta medida tem tanto e injusta como de absolutamente compreensível, mas na verdade irá fazer recair nos trabalhadores o onus do desejado decréscimo do déficit do estado.

A medida é compreensivel á luz da necessidade de redução de despesa, pura e simples. Como cerca de 60% da despesa do estado se refere a salarios, custos sociais e pagamento de pensões, a redução de 1 ou 2 subsídios ao longo de dois anos fará poupar ao estado muito dinheiro e com isso diminuir a despesa que produz. Olhando friamente para os números não deveria haver outro ponto que fizesse tanta diferença e tão imediata quanto este. Isto não faz no entanto desta, uma medida justa.

A medida é injusta. Cai em cima dos trabalhadores do estado e dos reformados todo o onus de pagar uma redução déficit que muitos não ajudaram a criar, ao mesmo tempo que retira dinheiro á economia, pois o simples anúncio de uma medida desta dimensão faz com que as pessoas passem a ponderar ainda mais todos os gastos visto que o seu rendimento disponível reduz-se de forma dura e significativa.
Injusta ainda mais quando se percebem que situações que deveriam fazer parte de processos em tribunal são causadoras maiores deste problema que vamos enfrentar nos próximos anos. Falo dos BPN, das parcerias publico privadas e da Madeira.

Toda a escalada de contestação que estas medidas vao trazer e todo o sentimento de injustiça perante outros gastos do estado que poderiam ser cortados e não o são, vão cavar ainda mais fundo o fosso entre ricos e pobres neste país, mais ainda tendo em conta que os poucos que restam na dita classe média tendem a ficar mais pobres.
As dificuldades que esperam os portugueses no ano que vem não surgem só dos cortes de rendimentos. O aumento de impostos, seja pela redução de deduções seja pelo aumento de serviços como a electricidade ou de impostos, como o IMI, fará de nós todos pessoas mais pobres.
Fica sempre a sensação que vamos voltar um bocadinho aos primórdios dos anos 80, onde eramos quase todos remediados, viviamos sob intervenção externa do FMI e os luxos a que nos vergamos nos últimos anos eram, então, uma miragem ou o resultado de muitos meses a poupar para os ter.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Opinião pessoal - Razões para chegar aqui.

Os meios de comunicação existem num espaço livre, mas concorrencial, por isso mesmo abafam-se uns aos outros com o ruído que produzem diariamente e que torna difícil distinguir os fait-divers da notícia. Mais uma vez se demonstra á exaustação que, de facto, o meio condiciona a forma como a mensagem é transmitida e esta adopta as características do meio que a divulga.
Falou o primeiro ministro, falaram os ministros, comentaram os jornalistas e os comentaristas residentes.

Desta salganhada toda resulta algo que há anos que comentamos aqui na Sigma3:
- somos um país pobre a "fazer figura e rico com as calças dos outros";
- a oferta fácil dos bancos e o desejo hedonista das pessoas levou-as a comprar coisas que não podem pagar;
- o estado é grande demais, consome muitos recursos para colocar quase nada na economia e tem gente (muita gente) a mais;

Claro que um dia o crédito ia acabar, como acabou, e os "novos ricos" estão a voltar, a pouco e pouco, ao que sempre foram, gente remediada, muitos honestos e trabalhadores, a maioria sem condições verdadeiras para sustentar aquilo que a ilusão consumista os levou a adquirir (muitas vezes a crédito e a taxas absolutamente irreais).
Entertanto vamos ter de mudar de vida e, dramaticamente, muitos não sabem o que fazer. Foram habituados a comprar na loja, a tirar da prateleira do supermercado, a comprar para ganhar tempo. Isso agora vai mudar e vamos ter de ser capazes de inovar, de gerar produtos e serviços que interessem a alguém comprar e vamos ter de nos superar para ser melhores que o resto da concorrência, pois há um mundo lá fora a concorrer conosco, algo que muitos sindicatos insistem em não perceber e que muitos políticos, empresários e funcionários das empresas do estado tendem a sacudir do capote.

De algum modo há (e vão haver mais) casos que são dramáticos, de pobreza e de incapacidade de ter ser viável financeira e pessoalmente, mas confesso que há um caso em particular de quem não tenho pena nenhuma, os construtores civís e os autarcas que betonizaram o território até ao impossível, sobrando agora milhares de casas não ocupadas, inacabadas e sem procura. Uns porque tinham capital para pagar as taxas de que viviam as autarquias, outros porque dependiam dessas taxas para manter os gastos das suas autarquias e todos os funcionários, amigos, amigas, namorados, maridos e, certamente, familiares, a quem arranjaram emprego "a fazer qualquercoizinha...".

O crédito acabou, José Sócrates e o PS (que, diga-se, fizeram uns péssimos 3 últimos anos de governação) foram eleitos os culpados de tudo e a imprensa, no geral, ajudou na festa, carregando uma espécie de vingança bacoca, para dentro das notícias e do espaço dos media. Rei posto, rei Morto, como se costuma dizer.

Veio um novo governo, vieram as conferências de imprensa do ministro das Finanças (por quem nutro simpatia pela forma de encarar as coisas) nas quais algo era sempre cortado (em geral os salários) e agora chegou-se quase, quase á cereja do bolo (sim, ainda vai vir pior, esperem por meados de 2012). Esta quase cereja é o orçamento para 2012 e tudo aquilo que ele trás associado.

Como diria Bruno Nogueira: "têm aqui o governo em que votaram, aproveitem". Tanta era a ânsia dos partidos de esquerda em derrubar o PS (porque, segundo eles, tinha políticas de direita), que agora lhes estão a cair em cima as consequências deste acto, ou seja, agora têm um governo que corta pensões e subsídios e que é verdadeiramente de direita.

Nos anos 80 o meu pai tinha um pequena hortinha onde cultivava muitos dos legumes que consumiamos em casa, muitos pensaram que esse tempo já tinha passado. Eu acho que está cada vez mais presente e que, em muitos locais, o dia a dia das pessoas vai regressar aqui. Vamos perceber que perdemos 30 anos.

Coisas que se impõem - Extinção das pensões vitalícias para ex-políticos

Numa altura em que os sacrifícios que se avizinham são enormes, faz algum sentido manter as pensões vitalícias a ex-titulares de cargos políticos?
Esta é uma situação que foi revogada em 2005 -lembro: por um governo PS- mas que se mantém para todos os que nessa altura tinham direito á mesma. Mesmo que seja paga 12 vezes por ano e não 14, como a generalidade das pensões, custa ao estado (a todos, portanto) 8,8 milhões de euros por ano.

A meu ver inteligentemente, o CDS levantou hoje a questão de manhã e já surgem as notícias de ser essa a vontade de um dos partidos da coligação de governo (ler: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1263&did=35091 ). Não só marca a agenda, como ganham espaço face ao PSD, seu "camarada" de coligação. É uma medida popular e, a meu ver, absolutamente justa.

Sobre isto, há duas questões pessoais que importa levantar:
1) porque não foi o PS a levantar este assunto? Na oposição, com pouco espaço para fugir ao acordo assinado com as entidades que nos emprestaram dinheiro para pagar as contas, e com pouca margem para "brilhar" na opinião pública, o que estaria à espera o PS para assumir a defesa frontal desta medida? Teriamos de ter chegado primeiro, teriamos de ter sido os autores, agora seremos sempre os que "concordam com o CDS".

2) no âmbito das dificuldades com que nos encontramos, mais do que fazer igual corte nas pensões vitalícias, porque não suspendê-las pura e simplesmente? especialmente para quem acomula outros rendimentos (de trabalho ou pensões)? Isto sim era uma medida de valor, não só os ex-governantes davam um sinal de responsabilidade ao país, como também era despesa púbica que o estado não tinha.

sábado, 17 de setembro de 2011

Amazon.co.uk Viva a concorrência

Não há grandes dúvidas que a concorrência, quando existe de facto, é favorável para os consumidores. A internet veio abrir os mercados ao mundo inteiro e, uma loja do outro lado do mundo, está ao alcance de meia dúzia de clicks. A compra é rápida e, muitas vezes,a escolha é variada.
Sempre comprei artigos na Amazon britânica mas esse hábito tem crescido ultimamente, em especial porque os portes para Portugal são gratuitos, para compras acima de 25€. Desde cd's ou download de ficheiros musicais, passando por tinteiros, acessórios informáticos e até acessórios para o infantário.
Há artigos em que as diferenças são pequenas, mas há outros em vale mesmo a pena. Para ter um ideia, em cada conjunto de 4 tinteiros (1 preto e 3 de cor) da HP poupo cerca de 24€, ou seja, em vez de pagar 84€, pago 60€.
Bem sei que os impostos são diferentes em Portugal, mas contínuo a pensar porque não é possivel ter bons preços online em Portugal? Porque será que cadeias como o Continente,a Worten, a Fnac ou a Vobis não tem políticas online mais agressivas,e se limitam a ser uma versão electrónica da loja fisica?
Não seria de reduzir preço a quem não vai a uma loja, antes gera receita sem sair de casa e sem, sequer, sujar o chão?
Será que, com uma ou outra rara excepção, a internet e o comércio online em Portugal vai continuar a ser a cópia online da loja física? Até quando?

Era importante que o online fosse olhado com outros olhos pelos empresários e gestores da internet. É que eu, e muitos, preferiamos deixar o nosso dinheiro aqui, em vez de o mandar para "fora", como acontece de cada vez que compro na Amazon.co.uk.

Foto: armazém da amazon.co.uk


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O novo governo

Temos um novo executivo há cerca de dois meses. É um executivo com programa feito pelas entidades que nos emprestaram dinheiro e por isso muito do que tem feito só é surpresa paraos menos atentos.
Depois há os "esforços" extra que entendeu pedir, esforços que invariavelmente tem consistido em aumentar impostos e tributação das empresas, sem que haja um sinal evidente de cortes no estado. Aliás, esta promessa continua de cortes, que não acontecem nos dias anunciados tem sido um dos problemas do actual governo: má comunicação, interna e externa.
Sinais de que o estado irá ter os tais cortes colossais aguardam-se.
Até agora apenas se sabe que os salários da função pública não subirão ate 2013, já ajuda, mas é pouco e incide mais uma vez no salário.
Que serviços acabam? Que serviços são fundidos? Que serviços são optimizados financeira e funcionalmente? Reduz se ou não o número de eleitos de autarquias e freguesias? Faz se um esforço que nao seja só nas pessoas e no seu dia a dia?
É bom que sim, porque há um limite,a meu ver já atingido, a partir do qual os aumentos de carga fiscal resultam no aumento da economia paralela.
Aguardamos pelos ventos da coligação de governo, mas estranho muito o silêncio de Paulo Portas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ora cá está o que o nosso Sócrates não quis dizer.

Depois do atestado de estupidez que o nosso PM tentou passar aos portugueses com a comunicação de ontem, eis que hoje se vão conhecendo as verdadeiras medidas que todos vamos sofrer.

Estamos condenados a seguir este plano e quem quer que seja governo vai ter de cumprir metas, fazer reports trimestrais e ter força no parlamento para fazer avançar estas medidas.
Muitas são absolutamente necessárias e estava na cara há muito que eram fundamentais (ex: reorganização administrativa com o fim de freguesias e concelhos), a vergonha aqui é ter de vir alguém de fora para que os nossos governantes arrepiem caminho e tenham a coragem de as tomar.
Muitas outras medidas vão asfixiar as pessoas, os seus hábitos e a sua qualidade de vida. Os tempos que ai vêm são dificeis e gostaria que outro rosto emergisse do PS que não o actual PM, para dar um rumo a estas medidas e procurar, dentro do possível, atenuar as dificuldades que vão gerar.

Algumas das medidas, numa infografia do Jornal de Negócios

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=482959

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O homem é bom no show business.

Parece que o nosso Primeiro Ministro anunciou o que conseguiu junto do FMI, ou melhor, anunciou o que não vamos perder e o que vamos manter.
Deu as boas notícias, ou pelo menos falou nelas, e trouxe com ele um brinquedo que andava desaparecido há uns bons 15 dias, o nosso Ministro das Finanças. Entrou mudo e saíu calado. Nem, ao menos, disse boa noite e obrigado no final. Foi lá fazer figura.
Esta comunicação, na forma como foi feita, tratou-se de uma miserável perda de tempo e de um bom momento de campanha eleitoral do PS, o que nos tempos que correm dá sempre jeito.
Note-se que em termos de marketing correu muito bem para o PM, que há poucos dias dizia que "iamos ter saudades do PEC IV", afinal -segundo ele- está tudo bem.

Sinceramente perdi progressivamente a confiança neste Primeiro Ministro, eventualmente sou um descrente nesta forma show off de fazer política assente no mesmo que os créditos que vendem maravilhas (mas sempre com letras miudinhas no fundo).

Falta agora saber realmente o que se vai passar -dizem que é hoje- pois ninguém de bom senso acredita que vieram para cá 3 "manos" das instituições internacionais, consultaram meio país e que afinal está tudo bem.

Por outro lado, se pensarmos nos dois potenciais vencedores de eleições, o PSD insiste em dar tiros consequetivos nos dois pés, especialmente com aquele senhor de ar respeitoso e que tira fotografias com o seu BlackBerry. Uma nódoa.  Já o CDS está a organizar-se, vai passando pela chuva e mostra alguma coerência no que tem dito, mas também vai ter de dizer o que pensa e, na verdade, não pode fugir do que ai vem.

O que realmente quero ver é como se corta a despesa do estado, um mono gordo e despesista. Como e no que vai cortar e deixar de gastar mal ?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Para memória futura

Este PS não mostra ser solução neste momento, pelo menos com este líder. Pessoas e ideias não faltam, mas não se chegam à frente e o partido vai-se diluindo no líder. Importa recuperar os ideias do partido e mostrar que o PS é alternativa futura para Portugal. Infelizmente erros recentes vão demorar muito tempo a sarar.

O PSD não mostra ter condições de fazer diferente, está atado aos mesmos compromissos e ao mesmo desejo de poder pelo poder.

O CDS tem um líder de discurso fácil e que entra bem nas massas. Tem algumas ideias positivas sobre a política económica das empresas mas no entanto mais não é do que um partido a correr ao pote.

BE e PCP defendem as suas políticas e não serão primeira alternativa para ninguém. Tem algumas ideias positivas sobre alguns aspectos sociais, mas no que respeita ao papel do estado na economia têm medidas assustadoras e pouco interessantes,  na minha opinião.

No meio disto tudo vamos ter uma crise económica e política. Os juros vão aumentar, os preços também, o dinheiro disponível vai diminuir e todos vão ter de encolher a toalha (que não vai dar para tapar o corpo todo). Outras mudanças haverão, por exemplo, nos transportes as privatizações irão acabar com estas greves constantes, de pessoas que, à conta dos direitos adquiridos, acham que vivem num mundo que francamente já não existe. Outras classes estão no mesmo patamar, professores, funcionários públicos, etc. Importa que esta convulsão mude algo na justiça, onde vícios antigos impedem o normal funcionamento do país, das empresas e dos particulares.

Nos próximos meses e anos muito vai mudar, muitos dos paradigmas actuais vão ser alterados e muitos não estarão preparados.

segunda-feira, 21 de março de 2011

5 razões porque este governo não passa desta semana

1) Os resultados económicos são francamente decepcionantes (mesmo que a crise financeira só tenha vindo complementar décadas e défices constantes, sempre encapotados por alguma engenharia financeira)

2) O actual Primeiro Ministro não tem condições algumas para se manter à frente do cargo. Não tem credibilidade interna alguma, não mostra vontade -nem tem margem para tal- de outro tipo de medidas. Mantendo uma política de comunicação já conhecida de lançar notícias para os media para verificar da sua aceitação, para depois se mostrar disponível para negociar.

3) Há cada vez mais sinais internos, mesmo de membros do governo, de que a situação é para deixar correr fundo, mesmo da parte dos ministros mais lúcidos -na minha opinião- que o executivo tem.

4) Da oposição há cada vez mais sinais que para além de se estarem a preparar, estão com vontade de não dar mais tempo a este governo. Na minha opinião a política liberal destes partidos trará sempre algum fôlego inicial, mas não creio que consigam sozinhos inverter o rumo do país, vão precisar sempre do PS numa coligação alargada a três. Hoje há um interessante reforço comunicacional, um sinal diria eu, pois o PSD emite um comunicado em inglês, o que é um claro sinal do seu destinatário, as agências noticiosas internacionais e, muito claramente, "os mercados"

5) A eventual votação do PEC IV na próxima 4ªfeira poderá ser o momento fatal. Com uma Cimeira europeia na 6ªfeira e sem consenso possível na Assembleia da República, é de concluir que qualquer votação terá um resultado negativo para o governo e para as suas intenções de reforço das medidas de austeridade.

Excluíndo os habituais partidos do contra, BE e PCP, que servirão para reforçar o seu espaço e pouco mais, creio que estaremos sujeitos a um entendimento alargado entre os três partidos mais votados das últimas legislativas.

Sem Sócrates os três partidos terão de se entender e encarar os próximos anos com força e com ideias, limitando os abusos do estado, as generosas ofrendas do mesmo e criando condições, junto das empresas e dos particulares, para que se gere emprego e com isso riqueza e produtividade (e crescimento).

É fundamental aumentar a produção de bens internos de que necessitamos e tentar ofecerer ao exterior produtos e matérias primas que sejam mais valias para a nossa economia.

Como estamos não vamos a lado nenhum. Da governação PS ficarão alguns bons resultados, a nível tecnológico, da energia, da aprendizagem e do governo electrónico. Muitos deles não têm visibilidade no dia a dia das pessoas, mas em muito facilitam a ligação entre estado e contribuintes e a aprendizagem e educação tecnológica de novas gerações, algo que só o tempo fará dar resultados.

A terminar, para reforçar esta minha opinião pode ser lido este texto de Helena Garrido, uma jornalista e comentadora a acompanhar com atenção, foge do fogo de artificio folclórico dos media e costuma ser muito concreta no que escreve.

domingo, 31 de outubro de 2010

Tenho para mim....

... que este acordo para o orçamento de estado vai ser positivo nestes primeiros tempos, vamos ter alguma acalmia nos primeiros meses, mas no médio prazo, com a falta de hábito de poupança do estado, creio que vamos ter de fazer mais uns "ajustes".
A classe média é naturalmente a mais esforçada nestas contas, mas aquilo que não vejo falar é de poupança interna, o estado deveria ser o primeiro a promovê-la para conseguir financiar-se com os residentes e não no estrangeiro (pelo menos em parte).

domingo, 26 de setembro de 2010

Política

Portugal não está bem, especialmente a nível económico, mas também a nível social, com grandes desigualdades sociais e muito desemprego. No meio de tudo isto fala-se de déficit, de contas públicas, dos estado social e de tudo o mais que emboca no problema essencial: falta de capacidade de inovação e falta de dinheiro.
Dificuldades já todos percebemos que vamos ter de passar, é assim nas nossas vidas normais e por isso a governação de um país deveria ser capaz de seguir aquilo que se faz nas casas dos portugueses quando as receitas são curtas: poupar e cortar despesas.
Infelizmente o estado, ou o governo do estado, não o tem conseguido fazer: gasta mais do que deve, não consegues cortar despesas e no final quem paga tudo isto somos nós, contribuintes.
Confesso que não vejo desculpa para não se conseguir poupar nas despesas do estado e muito menos que não se consigam mecanismos de poupança interna que reduzam um pouco a nossa necessidade de endividamento exterior.
Não vejo também com bons olhos mais impostos, pessoas e empresas já pagam mais do que a conta e onerar quem produz não é boa medida, especialmente se o despesista estado não sabe poupar.
Mas ainda assim o que me faz mais confusão é o (aparente) total alheamento dos políticos nacionais (governo e oposição) da realidade do dia-a-dia do país, às vezes ouço e vejo coisas, de qualquer dos quadrantes políticos, que só podem vir de quem não vive efectivamente no mesmo mundo.
Isso é um factor qu eos políticos nacionais têm de rever efectivamente.

domingo, 30 de maio de 2010

Brincar à democracia no norte da Europa

Islândia: Era este o país do paradigma da evolução social, não era?
Pois sim... nas eleições locais de ontem um Partido Humorista acaba de ganhar as eleições da capital do país oferecendo toalhas grátis e com o slogan: "Vamos prometer o dobro dos outros partidos e cumprir o mesmo: nada!"
Revelador do estado a que as coisas chegam num país falido... é o mesmo que os Homens da Luta ganharem as eleições de Lisboa.
noticia completa aqui

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mau exemplo

Numa altura em que se pedem sacrificios aos portugueses e se aumentam impostos, os deputados nacionais acabam de dar (a confirmar-se esta noticia) um mau exemplo.
Aumentam as ajudas de custo e com isso anula-se o decrescimo dos 5% nos salarios e aproveita-se para aumentar a despesa publica.
Algumas vezes pergunto-me se estas pessoas vivem mesmo na realidade do resto das pessoas

sábado, 22 de maio de 2010

Resumo de um mês agitado

Este tem sido um mês complicado, carregado de trabalho no Exame Informática TV, uma viagem a Londres pelo meio e a tentativa de ter mais um programa na SIC Notícias.
Deste o fim do mês de Abril, onde já se notavam claramente as dificuldades que o excesso de dívida estava a causar às finanças do país, que as coisas se expuseram mais a claro. O país está em sérias dificuldades e muito perto do limiar de não se conseguir financiar nos mercados normais, visto que a taxa de juro exigida é muito elevada.
Neste intervalo sucederam-se as notícias diárias sobre as dificuldades, os impostos vão aumentar dentro de dias, o governo está sob ataque de toda a oposição, vão iniciar-se uma série de medidas que vão levar os bancos a limitar muito o acesso ao crédito de particulares e o estado admite ter de congelar uma série de coisas que fariam aumentar os seus custos.

Pelo meio o PCP lançou a sua habitual e irresponsável moção de censura ao governo (ver referência), sempre no reforço da sua posição de estar contra, pois o terreno pantanoso é o seu terreno de eleição para novos descontentes e para as suas lutas de rua.
Pelo meio há também uma ligação entre os lideres de PS e PSD, no sentido de acordarem as medidas de austeridade que se avizinham. Uma ligação que mantém alguma estabilidade no nosso país e alguma credibilidade junto de mercados e das instituições financeiras e políticas internacionais, mas que no entanto foi logo aproveitada políticamente pelo líder do PSD, que num acto de contracção política se apressou a pedir desculpa (ver referência), o que no caso lhe fica particularmente mal, visto que ninguém o obrigou a coisa nenhuma.


Neste intervalo tivemos ainda o papa em Portugal junto dos seus crentes e um presidente da república (PR) que passou o tempo atrás do chefe de estado da Santa Sé, o que num país laico só lhe fica mal.
Os fiéis tiveram o seu momento de fé, o papa aprendeu os nomes dos netos do PR (ver vídeo: um dos momentos mais "hilariantoidiotas" dos últimos tempos), o presidente andava contente, o estado fartou-se de gastar dinheiro com isto tudo e os media perderam totalmente o sentido de limite, chegando a fazer peças sobre o chão que o papa ia pisar.

Também por falar em limites absurdos dos media, temos por estes dias a bola, um dos alimentos dos portugueses. A selecção luso-brasileira está em estágio no interior (medida simpática para quem tem sempre tantas dificuldade em ter estas figuras públicas por perto) e os conteúdos diários sobre o relvado, a roupa, a família, os carros, os tiques e as comidas favoritas dos jogadores sucedem-se.
Os media estão claramente a perder a sua objectividade quando confrontados com grandes eventos, fica a ideia que nestes casos é preciso fazer muito e diferente da restante concorrência, nem que por isso seja necessário mostrar as casas de banho do balneário ou fazer programas especiais com entrevistas de rua, com perguntas que começam sempre "o que acha de...".
No que ao futebol diz respeito os media vão carregar em cima de Cristiano Ronaldo. Ele é o salvador de serviço (para os media) de uma selecção luso-brasileira que mostra fragilidades sérias, a começar pelo próprio seleccionador. Deseja-se sempre o melhor resultado para a nossa selecção, mas confesso que este é um dos mundiais em que menos esperança tenho.

Claro que neste intervalo houve ainda o Benfica. Foram campeões e nessa noite o país parou literalmente. Ruas em festa, barulho, alegria e, mais uma vez, os media em directo horas a fio a mostrar a festa.
Não ligo demasiado ao futebol mas entrei na festa de forma solidária com os meus amigos Saraiva e Calvinho, um jantar com amigos à hora do jogo selou a alegria de os ver contentes com esta vitória do seu clube e isso é suficiente para me deixar igualmente contente.

Ainda pelo meio disto tudo há o meu Amora FC. As dificuldades também existem por aqui e são muitas. Na altura em que faz 89 anos o clube ultrapassou mais uma machadada mortal, sobrevivendo a um pedido de insolvência de um ex-atleta, que curiosamente é meu amigo.
O destino do futebol local passa pela aposta nos mais novos e pelo empenho dos veteranos e dos jogadores que joguem pelo desporto e pelo gozo que isso lhes dá. As realidades anómalas que têm existido estes últimos a 5 ou 6 anos não ajudam em nada e por isso mesmo, mais uma vez vou cumprir o meu dever de associado e de amorense, fazendo parte de uma das duas listas que no dia 29 de Maio vão estar a lutar pela liderança do clube.
A lista de que faço parte tem gente boa, que gosta do clube e que quer criar novas condições para que o clube recupere a credibilidade e o tempo perdido. Os votos dos sócios decidirão, mas entusiasma-me a possibilidade de poder contribuir mais uma vez para o meu clube.

Finalmente uma referência a uma medida do PS que foi votada e aprovada no Parlamento, a autorização para que pessoas do mesmo sexo possam celebrar um casamento, como qualquer casal heterossexual.
Portugal é um dos primeiros 10 países a seguirem este caminho e por mim parece-me muito bem, o casamento tem de estar aberto aos afectos e vontades de pessoas que sendo do mesmo sexo não deixam de ser pessoas e por isso mesmo deverão ter socialmente os mesmos direitos.
Conheço pessoas que estão neste caso e que a nova lei lhes abre caminho a mais um momento de alegria, pois os afectos que têm e a relação com o parceiro é já de facto consolidada e real, o casamento será apenas o passo que faltava poder ser dado.
Creio que se respira um pouco melhor e com mais liberdade. Há quem defenda opções distintas, investindo no discurso da libertinagem e da inversão de valores, mas a verdade é que as sociedades evoluem e os pensamentos e as condições do estado e da sociedade têm de acompanhar essa evolução.

No final deste extenso post um dos magníficos cartoons de Henrique Monteiro e que simboliza bem as dificuldades que ai vêm e nas quais temos de ser solidários, pois esta crise gerada pelo gasto excessivo do estado e pelo inusitado ataque ao euro e à sua estabilidade (ver a desvalorização do mesmo nas últimas semanas) vai ficar por cá ainda uns tempos e (acredito sinceramente) ainda nos vai levar a sacrifícios ainda maiores, especialmente no corte de salários e no corte de funcionários públicos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O tempo dos media

Não é comum este tipo de statement nos media nacionais, mas o Expresso avança esta tarde com 5 medidas imediatas para sugerir ao Governo neste momento de aperto, em que estamos acossados financeiramente pelos ratings e pela dívida pública.
É comum noutros países os jornais tomarem estas posições a nível económico, mas especialmente a nível político e mesmo eleitoral, apoiando um ou outro partido ou candidato. Em Portugal creio que é incomum e, no meu ponto de vista, é um sinal dos tempos que ai vêm.


Os comentários ao post do Expresso geram discussões infindáveis e são bem a prova das dificuldades do momento que vamos atravessar, em que o menos que vai existir é consenso entre as múltiplas partes deste puzzle. Mais facilmente assistiremos a atirar de culpas para o outro lado da barricada, seja ele qual seja, do que assistiremos a algum tipo de consenso, que só um facto muito grave e danoso virá fazer acontecer.

Estamos oficialmente em momento conturbado mas é nestas alturas que devemos defender o que é nosso, neste caso o país.

Sob ataque

Num mundo onde os mais fortes subjugam os mais fracos, as agências de rating controlam os mercados, a banca e já conseguem mexer com os estados.
Portugal está desde ontem sob forte ataque de uma delas. A S&P aumentou o indíce de risco do país e da sua dívida e os mercados financeiros entraram em espiral de loucura. Quedas na bolsa de 5% e muitas perdas de empresas e do estado.
A taxa de juro exigida para a dívida nacional está estupidamente alta e a capacidade do estado cumprir os seus compromissos limita-se grandemente a cada hora que passa. Alguns meios falam já na necessidade de Portugal vir a ter de pedir ajuda internacional, como a Grécia o fez há dias.

A situação não será tão grave, quero crer, não teremos mentido ou ocultado informação como a Grécia fez, mas a verdade que durante anos cumprimos menos do que devíamos no que diz respeito ao estado, ao seu emagrecimento e ao controlo das suas despesas, mas estar sujeito a uma avaliação destas para colocar em risco a estabilidade mínima de um estado é demasiado.
Impunha-se uma resposta firme da UE, criando mecanismos de regulação financeira para que os estados estejam menos sujeitos a estas avaliações, sabe-se lá com que intenção mas certamente com motivos manipuladores.

A especulação financeira é admissível em mercados livres, a manipulação deveria ser fortemente punida. Os ratings são importantes para ter uma graduação dos diversos factores financeiros, mas quando os mesmos são usados como instrumento de manipulação financeira devem ser fortemente condenados.

A verdade é que notícias como esta, e esta, e mais esta, deixam-nos em estado de alarme, as pessoas no seu dia a dia não têm noção do que se passa verdadeiramente.  Fala-se em falência, fala-se em muita coisa nos media, mas é importante alertar as pessoas para os perigos imediatos: uma redução forte do capital disponível, um aumento forte dos juros, uma necessidade de redução forte da despesa do estado e social, uma necessidade quase imperiosa de aumentar impostos como o iva e (muito provavelmente) uma redução dos salários, como a Irlanda já fez há uns tempos.

Veremos se o tempo me dará, ou não, razão, mas urge ter políticas sérias e neutras, sem caír no populismo de prometer o que não se pode e não seguindo as loucuras salariais e financeiras que alguns sindicatos e associações de trabalhadores exigem.

Urge também que a UE tenha uma posição mais consensual, como esta, e urge defendermos o nosso estado, embora veja grande parte das pessoas mais preocupadas com o título do Benfica, com a missa do papa no Terreiro do Paço e com o facto de Portugal ser a 3ªselecção no ranking da Fifa, tristes consolações para um país que acha sempre "que eles hão-de resolver"

terça-feira, 6 de abril de 2010

O que esconde a Grécia

É deveras preocupante a situação grega, ao nível das finanças públicas. Entre avanços e retrocessos, a verdade é que a situação grega não conhece melhoras significativas e as medidas do governo grego são as mais duras a que alguma vez o estado helénico esteve sujeito desde a sua existência. Todos os dias há notícias mais ou menos alarmentes, esta foi a de hoje.
Depois noto com alguma curiosidade a insistências de alguns países da UE, com a Alemanha à cabeça, que tentam dar sinais de que não estão para pagar os erros dos outros muito mais tempo, pois sabem que isso lhes atrasará o seu processo de recuperação e de ganho de força a nível económico e de crescimento.
É uma novela a acompanhar com atenção, até porque tudo o que daqui sair nos vai influenciar, não existam dúvidas sobre isso. Aliás, têm sido já alguns os sinais de que Portugal pode ser um dos próximos sacrificados nesta luta entre países pobres e ricos dentro da UE.
É verdade que a Grécia, e mesmo Portugal, têm sido despesistas e que a nossa produtividade está longe de ser uma das mais interessantes. Também é verdade que os países latinos, só reagem perante os apertos, mas alguma maior solidariedade entre países de uma mesma União Europeia era bem vinda.
No final acho que o grupo protegerá os seus, mas alguns dos sinais que passam nem sempre são os mais acertados.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O PEC - PT

Os próximos tempos serão marcados pelo PEC e por tudo aquilo que o mesmo vai trazer (de bom e de mau) a todos nós. Uma questão prévia é no entanto absolutamente incontornável, como estamos não vamos a lado nenhum.
O Diário Económico tem um bom dossier sobre o PEC, mas no essencial este plano vem tentar estabilizar as nossas contas públicas, que -por norma- são desorganizadas e muito permissivas. Portugal vive hoje uma situação de inevitável dívida crónica com o estrangeiro e passamos o tempo a endividar-nos cada vez mais.
Temos estado a mais na sociedade, temos funcionários públicos em serviços que não precisa de ser o estado a prestar, temos muitos subsidiodependentes para tudo, temos solidariedade a mais com que poderia trabalhar ou prestar serviço comunitário e prefere viver à espera do vale do RSI ou não aceitar um emprego porque "prefere receber o subsídio".
Temos gestores com salário que não fazem parte da nossa realidade de país e somos o que sempre fomos, um país de gananciosos improdutivos, que vivem de expedientes para ir adiando tudo.
Este PEC não resolverá tudo, muito menos resolverá a nossa questão social histórica de apego ao estado para tudo, mas pelo menos que sirva para assentar as nossas contas e nos permitir ficar menos dependentes do exterior e dos ratings de uma qualquer agência financeira.
Pelo menos, do que li, já vai servir para alguma coisa de útil, nomeadamente adiar o TGV (no meu entender é um fim no assunto, mas dito de forma não assumida), reduzir a admissão de mais funcionários públicos e mexer nas regras de subsídio de desemprego e de RSI.

É provável que este PEC e o que o mesmo implica possam ser o fim do governo no curto e médio prazo, mas goste-se ou não se goste do governo, entre críticas e alguns exageros internos a verdade é que governa e faz o mais difícil, toma decisões.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais crises á portuguesa

Bolsas em queda forte, deputados que não se entendem sobre um arquipélago que gasta demais, agencias internacionais que não nos tem como fiáveis, líder da oposição chamada ao primeiro ministro, ministro das finanças que vai falar ao país..... Algo está para acontecer, não está?

No meio disto o bom de tudo foi o fim de tarde em que fui ao cinema com a Matilde que ficou felicíssima com esta inesperada saída mais cedo do colégio. A princesa e o sapo é o nome e recomendo esta animação.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

De pé atrás

Nas televisões o nosso Ministro das Finanças explica as linhas gerais do Orçamento de Estado.
Diz que vão melhorar umas coisas e piorar outras, que o défice baixa, mas que o desemprego ainda aumenta, mas no fundo as coisas continuam mais ou menos na mesma.

Há no entanto boas medidas que merecem atenção e ver o que podem fazer por nos ajudar. Não aumentar os funcionários públicos é um dos bons sinal, não só porque o ano passado tiveram um brutal aumento nominal, como também porque o aumento 0% serve de referência para os privados.

No entanto fico sempre com a ideia que há falta de coragem para fazer mais e esta falta de coragem vem do meu PS, mas também dos outros partidos (CDS e PSD), visto que poderiam os dois em conjunto bloquear este orçamento ou levá-lo a tomar outro rumo mais duro.
Estão todos demasiado comprometidos com os seus telhados de vidro, estamos todos demasiado comprometidos com alguma coisa... todos menos o PCP e o Bloco que se esconderam na sua luta contestatária que nunca dá em nada e que já vai fartando de ver, pela sua constante falta de utilidade para o que quer que seja.

Este post do Albergue Espanhol resume um bocado o que foi a preparação deste OE

Veremos o que nos espera 2010, pessoalmente começo com um pé atrás, especialmente depois de ouvir o ministro referir que vamos reduzir o défice sem aumentar impostos.... pode até ser, mas fico sempre de pé atrás.