Este tem sido um mês complicado, carregado de trabalho no Exame Informática TV, uma viagem a Londres pelo meio e a tentativa de ter mais um programa na SIC Notícias.
Deste o fim do mês de Abril, onde já se notavam claramente as dificuldades que o excesso de dívida estava a causar às finanças do país, que as coisas se expuseram mais a claro. O país está em sérias dificuldades e muito perto do limiar de não se conseguir financiar nos mercados normais, visto que a taxa de juro exigida é muito elevada.
Neste intervalo sucederam-se as notícias diárias sobre as dificuldades, os impostos vão aumentar dentro de dias, o governo está sob ataque de toda a oposição, vão iniciar-se uma série de medidas que vão levar os bancos a limitar muito o acesso ao crédito de particulares e o estado admite ter de congelar uma série de coisas que fariam aumentar os seus custos.
Pelo meio o PCP lançou a sua habitual e irresponsável moção de censura ao governo (
ver referência), sempre no reforço da sua posição de estar contra, pois o terreno pantanoso é o seu terreno de eleição para novos descontentes e para as suas lutas de rua.
Pelo meio há também uma ligação entre os lideres de PS e PSD, no sentido de acordarem as medidas de austeridade que se avizinham. Uma ligação que mantém alguma estabilidade no nosso país e alguma credibilidade junto de mercados e das instituições financeiras e políticas internacionais, mas que no entanto foi logo aproveitada políticamente pelo líder do PSD, que num acto de contracção política se apressou a pedir desculpa (
ver referência), o que no caso lhe fica particularmente mal, visto que ninguém o obrigou a coisa nenhuma.
Neste intervalo tivemos ainda o papa em Portugal junto dos seus crentes e um presidente da república (PR) que passou o tempo atrás do chefe de estado da Santa Sé, o que num país laico só lhe fica mal.
Os fiéis tiveram o seu momento de fé, o papa aprendeu os nomes dos netos do PR (
ver vídeo: um dos momentos mais "hilariantoidiotas" dos últimos tempos), o presidente andava contente, o estado fartou-se de gastar dinheiro com isto tudo e os media perderam totalmente o sentido de limite, chegando a fazer peças sobre o chão que o papa ia pisar.
Também por falar em limites absurdos dos media, temos por estes dias a bola, um dos alimentos dos portugueses. A selecção luso-brasileira está em estágio no interior (medida simpática para quem tem sempre tantas dificuldade em ter estas figuras públicas por perto) e os conteúdos diários sobre o relvado, a roupa, a família, os carros, os tiques e as comidas favoritas dos jogadores sucedem-se.
Os media estão claramente a perder a sua objectividade quando confrontados com grandes eventos, fica a ideia que nestes casos é preciso fazer muito e diferente da restante concorrência, nem que por isso seja necessário mostrar as casas de banho do balneário ou fazer programas especiais com entrevistas de rua, com perguntas que começam sempre "o que acha de...".
No que ao futebol diz respeito os media vão carregar em cima de Cristiano Ronaldo. Ele é o salvador de serviço (para os media) de uma selecção luso-brasileira que mostra fragilidades sérias, a começar pelo próprio seleccionador. Deseja-se sempre o melhor resultado para a nossa selecção, mas confesso que este é um dos mundiais em que menos esperança tenho.
Claro que neste intervalo houve ainda o Benfica. Foram campeões e nessa noite o país parou literalmente. Ruas em festa, barulho, alegria e, mais uma vez, os media em directo horas a fio a mostrar a festa.
Não ligo demasiado ao futebol mas entrei na festa de forma solidária com os meus amigos Saraiva e Calvinho, um jantar com amigos à hora do jogo selou a alegria de os ver contentes com esta vitória do seu clube e isso é suficiente para me deixar igualmente contente.
Ainda pelo meio disto tudo há o meu Amora FC. As dificuldades também existem por aqui e são muitas. Na altura em que faz 89 anos o clube ultrapassou mais uma machadada mortal, sobrevivendo a um pedido de insolvência de um ex-atleta, que curiosamente é meu amigo.
O destino do futebol local passa pela aposta nos mais novos e pelo empenho dos veteranos e dos jogadores que joguem pelo desporto e pelo gozo que isso lhes dá. As realidades anómalas que têm existido estes últimos a 5 ou 6 anos não ajudam em nada e por isso mesmo, mais uma vez vou cumprir o meu dever de associado e de amorense, fazendo parte de uma das duas listas que no dia 29 de Maio vão estar a lutar pela liderança do clube.
A lista de que faço parte tem gente boa, que gosta do clube e que quer criar novas condições para que o clube recupere a credibilidade e o tempo perdido. Os votos dos sócios decidirão, mas entusiasma-me a possibilidade de poder contribuir mais uma vez para o meu clube.
Finalmente uma referência a uma medida do PS que foi votada e aprovada no Parlamento, a autorização para que pessoas do mesmo sexo possam celebrar um casamento, como qualquer casal heterossexual.
Portugal é um dos primeiros 10 países a seguirem este caminho e por mim parece-me muito bem, o casamento tem de estar aberto aos afectos e vontades de pessoas que sendo do mesmo sexo não deixam de ser pessoas e por isso mesmo deverão ter socialmente os mesmos direitos.
Conheço pessoas que estão neste caso e que a nova lei lhes abre caminho a mais um momento de alegria, pois os afectos que têm e a relação com o parceiro é já de facto consolidada e real, o casamento será apenas o passo que faltava poder ser dado.
Creio que se respira um pouco melhor e com mais liberdade. Há quem defenda opções distintas, investindo no discurso da libertinagem e da inversão de valores, mas a verdade é que as sociedades evoluem e os pensamentos e as condições do estado e da sociedade têm de acompanhar essa evolução.
No final deste extenso post um dos magníficos cartoons de Henrique Monteiro e que simboliza bem as dificuldades que ai vêm e nas quais temos de ser solidários, pois esta crise gerada pelo gasto excessivo do estado e pelo inusitado ataque ao euro e à sua estabilidade (ver a desvalorização do mesmo nas últimas semanas) vai ficar por cá ainda uns tempos e (acredito sinceramente) ainda nos vai levar a sacrifícios ainda maiores, especialmente no corte de salários e no corte de funcionários públicos.