As últimas semanas ficaram marcadas por mais uma febre dos media: os assaltos, a insegurança e os roubos. Antes de mais um ponto prévio: há de facto uma superior preparação neste tipo de crimes e um maior requinte e preparação envolvidos nos mesmos.
Agora o que interessa: os meios. Os media desataram a fazer 50 minutos por dia com este tipo de notícias, umas vezes sem imagens e sem factos, outras com os "testemunhos na primeira pessoa" (algo que os meios gostam muito). É manifestamente um abuso, um exagero e uma coisa sem sentido. Há notícia, há que a noticiar, mas com tantas mensagens às vezes o sentido perde-se.
Senão veja-se o caso de uma peça que a SIC passou há 5 ou 6 dias: relatava a peça (com imagens aqui das Paivas-Amora) que teria havido uma tentativa de assalto ao Santander das Paivas, a polícia e o banco desmentiam, as autoridades já não estavam no local (as imagens que suportavam a peça eram de edifícios vazios e fachadas) e uma "pseudo-testemunha" dizia que "tinha ouvido dizer que eram dois e sairam a correr".
Sim senhor! Por este andar estaremos em breve a informar nos noticiários que tentaram assaltar a charcutaria do Sr.Ulisses aqui no Fogueteiro, mas ficaram à porta, porque a loja tem 6m2 e estava cheia com as 4 pessoas que cabem lá dentro e os criminosos eram mais 3 por isso não conseguiram sequer entrar....
Será que os meios não percebem que o exagero acaba por fomentar outros exageros. Por um lado incentiva aos "wanabees" de criminosos a tentarem a sorte para o seu assalto aparecer na televisão. Por outro lado dão espaço a esta gente de tentar a sua sorte, já se sabe que assim que um animal caí ferido surgem logo os pássaraos de rapina para rapar a carne.
Em resumo: há mais crime e mais organizado, por isso o que há a fazer é combatê-lo, com informação no terreno, músculo e sem medo de usar os meios.
Os senhores dos telejornais: bom... pode ser que um dia entendam que um telejornal deveria ser conciso, ter no máximo 30 minutos e ser diversificado. Pode ser também que um dia percebam porque é que os targets mais novos se estão a borrifar para eles, trocando-os pela web.
"Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam" (Marshall McLuhan).
Este blog é o um meio pessoal de ver alguns aspectos da Aldeia Global.
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Meios de comemorar
Fantástico o concurso de triplo salto em que Nelson Évora venceu. Desta vez tudo correu bem e surpreendentemente uma medalha de ouro fez com que a participação lusa se tornasse na mais bem sucedida de sempre(!!).
A foto dos dois medalhados nacionais está aqui, no estaminé da Mónica.
Mas uma das coisas que mais curti ver foram as provas de velocidade, ao contrário de muitos outros jogos, os EUA não ganharam tudo, a Jamaica deu um baile dos grandes e nos 100m femininos ficaram mesmo com os três lugares do pódio. No lado masculino Usain Bolt ganhou tudo o que havia para ganhar e com record em todas as provas.
Conhecidos pelo reggae e por Bob Marley, os jamaicanos não tardaram em fazer a festa de uma forma única. Um meio de passar a mensagem: são os mais rápidos, até nos correios.
A foto dos dois medalhados nacionais está aqui, no estaminé da Mónica.
Mas uma das coisas que mais curti ver foram as provas de velocidade, ao contrário de muitos outros jogos, os EUA não ganharam tudo, a Jamaica deu um baile dos grandes e nos 100m femininos ficaram mesmo com os três lugares do pódio. No lado masculino Usain Bolt ganhou tudo o que havia para ganhar e com record em todas as provas.
Conhecidos pelo reggae e por Bob Marley, os jamaicanos não tardaram em fazer a festa de uma forma única. Um meio de passar a mensagem: são os mais rápidos, até nos correios.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Meios de enviar mensagens
E eis que enquanto estava desterrado no Sudoeste o mundo girou um pouco em volta de si mesmo. Ambos bons exemplos de como o meio é a mensagem.
Primeiro a Geórgia. A Rússia nunca teve um bom relacionamento com estes seus vizinhos, aparentemente porque há ali umas províncias separatistas. Mas na verdade esta intervenção russa não tem nada a ver com isso (embora grande parte dos "media-pastilha elástica" só falem nisso). O problema aqui é a energia e o facto de a Rússia ser agora dispensável no transporte de energia entre a Ásia e a Europa. Se querem perceber um pouco o que realmente ali se passa leiam este belo post do Visto de Economia. No meio disto, há sempre o povo, os mais frágeis de todos que morrem por causa do bem mais precioso do momento: fontes de energia.
Este conflito não é mais do que um meio que a Rússia usou para passar a mensagem de que não quer ser dispensável.
Cá pelo nosso rectângulo dois cidadãos do Brasil assaltaram e sequestraram clientes de um banco em Lisboa. A polícia actuou como devia, negociou e tentou levar a coisa bem. Na impossibilidade de resolver as coisas pela via diplomática, disparou 2 tiros e permitiu a libertação dos reféns.
Do meu ponto de vista só lamento o tiro perdido, ter-se-ia resolvido logo o problema ali, mas não posso deixar de notar que depois de outros casos recentes na área de Lisboa, a autorização do ministro para disparar (só ele pode dar essa autorização ao comandante dos GOE) é um claro sinal de força, um meio de passar a mensagem que o crime não pode compensar e que as forças de segurança têm de actuar com vigor.
Primeiro a Geórgia. A Rússia nunca teve um bom relacionamento com estes seus vizinhos, aparentemente porque há ali umas províncias separatistas. Mas na verdade esta intervenção russa não tem nada a ver com isso (embora grande parte dos "media-pastilha elástica" só falem nisso). O problema aqui é a energia e o facto de a Rússia ser agora dispensável no transporte de energia entre a Ásia e a Europa. Se querem perceber um pouco o que realmente ali se passa leiam este belo post do Visto de Economia. No meio disto, há sempre o povo, os mais frágeis de todos que morrem por causa do bem mais precioso do momento: fontes de energia.Este conflito não é mais do que um meio que a Rússia usou para passar a mensagem de que não quer ser dispensável.
Cá pelo nosso rectângulo dois cidadãos do Brasil assaltaram e sequestraram clientes de um banco em Lisboa. A polícia actuou como devia, negociou e tentou levar a coisa bem. Na impossibilidade de resolver as coisas pela via diplomática, disparou 2 tiros e permitiu a libertação dos reféns.
Do meu ponto de vista só lamento o tiro perdido, ter-se-ia resolvido logo o problema ali, mas não posso deixar de notar que depois de outros casos recentes na área de Lisboa, a autorização do ministro para disparar (só ele pode dar essa autorização ao comandante dos GOE) é um claro sinal de força, um meio de passar a mensagem que o crime não pode compensar e que as forças de segurança têm de actuar com vigor.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Uma música, dois meios, diferentes mensagens
Tenho de confessar que a primeira vez que ouvi esta música fiquei colado ao rádio para tentar perceber quem era a voz desta brutal interpretação. Depois vi o anúncio na tv e isso fez-me procurar a letra.
É uma das músicas que mais roda no meu MP3 por estes dias e vejam como também uma música (mensagem) pode ser influenciada pelo meio que a difunde.
Deixo-vos o anúncio tv e o videoclip e deixo um exercício. Vejam um de cada vez e tentem tirar de cada um deles a mensagem que cada meio vos transmite, depois vejam se é igual:
É uma das músicas que mais roda no meu MP3 por estes dias e vejam como também uma música (mensagem) pode ser influenciada pelo meio que a difunde.
Deixo-vos o anúncio tv e o videoclip e deixo um exercício. Vejam um de cada vez e tentem tirar de cada um deles a mensagem que cada meio vos transmite, depois vejam se é igual:
terça-feira, 29 de julho de 2008
Bola: Onde o meio e a mensagem perdem sentido
Há boas razões para não ligar muito ao futebol nacional, uma delas são os milhares de coisas que há para fazer em vez de estar a olhar para 22 gajos a correr atrás de uma boa. Outra boa razão é que em Portugal se joga mais fora de campo, do que dentro das quatro linhas. Vejam bem esta situação, mais uma onde a regra "o meio é a mensagem" não se aplica, aqui não há regras, nem meio, nem mensagem.
9 de Julho in "O Jogo"
O Boavista e o Paços de Ferreira concordam em absoluto com o nome do jurista Freitas do Amaral, que hoje aceitou o convite da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para liderar o processo de averiguação.
Freitas do Amaral aceitou o convite endereçado por Gilberto Madaíl na terça-feira e que, além de liderar o processo sobre a conturbada reunião do Conselho de Justiça (CJ) da FPF, vai ainda proferir um parecer jurídico sobre a regularidade ou irregularidade formal do que se passou.
"É uma pessoa que respeito muito. É intocável e inatacável", disse a administradora do Boavista, Adelina Trindade Guedes, à saída de Assembleia Geral (AG) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).
Dias mais tarde dá-se a decisão.
26 de Julho in "Antena 1"
Álvaro Braga Júnior, presidente do Boavista, desvaloriza o parecer de Freiras do Amaral sobre a reunião do Conselho de Justiça da Federação e sublinha que a decisão final sobre o caso será tomada nos tribunais.
Álvaro Braga Júnior em declarações à Antena 1 - referiu que:"O parecer vale o que vale. Pode dar conforto a alguém, a mim dá-me desconforto. Nunca pediria um parecer a Freitas do Amaral por todo o seu passado."
Normalmente uma mensagem é influenciada pelo meio que a transmite, no caso do futebol nacional, a mensagem não depende do meio, antes depende do momento, do sentido das coisas e do facto de se gostar mais ou menos da mensagem.
Genial !
sábado, 12 de julho de 2008
Rato de esgoto ?
A leitura de jornais mundiais na web presenteia-me por vezes com coisas fantásticas, como esta notícia que podem ler AQUI ou AQUI.
Basicamente o que está em causa é informar que uma Comissão para a Memória do Presidente (tradução livre) entregou cerca de 10000 assinauras numa petição, em S.Framcisco, Califórnia.
O presidente em causa é George W.Bush, e a comissão está a lançar esta petição como uma proposta para alterar o nome da Central de Tratamento de Esgotos de São Francisco para Central George W.Bush!!!
A ideia é genial e o facto de terem criado mesmo uma entidade para recolher assinaturas para isto e obrigar à decisão é ainda mais fabuloso.
Neste caso o meio passa uma mensagem muito forte e sem margem para dúvidas: "George W.Bush is mud"!
Ainda dá para assinar a petição ? :)
Basicamente o que está em causa é informar que uma Comissão para a Memória do Presidente (tradução livre) entregou cerca de 10000 assinauras numa petição, em S.Framcisco, Califórnia.
O presidente em causa é George W.Bush, e a comissão está a lançar esta petição como uma proposta para alterar o nome da Central de Tratamento de Esgotos de São Francisco para Central George W.Bush!!!
A ideia é genial e o facto de terem criado mesmo uma entidade para recolher assinaturas para isto e obrigar à decisão é ainda mais fabuloso.
Neste caso o meio passa uma mensagem muito forte e sem margem para dúvidas: "George W.Bush is mud"!
Ainda dá para assinar a petição ? :)
quinta-feira, 10 de julho de 2008
O meio é a mensagem II - Histórias infantis
À pouco quando li a história da noite à minha filha, lembrei-me que também as histórias infantis podem ser lidas ou interpretadas de forma distinta.
Isso fez-me pensar que nem o McLuhan se lembrou desta, pois centrou-se quase em exclusivo nos mass media.
Fui então buscar uma gravação com cerca de um mês para partilhar convosco. Senhores e Senhoras, "moi mêmê" a dar forte no papel de pai, a contar a história da Cinderela.
A história original não será assim 100%, mas neste caso o meio (eu) passou a mensagem (história) que o destinatário (Matilde) queria.
»»» OUVIR CONTAR A HISTÓRIA CINDERELA
A despropósito: vejam bem os comentários que a Matilde faz pelo meio.
terça-feira, 8 de julho de 2008
O meio é a mensagem I - Casos de polícia
Facto: A Polícia Militar brasileira enganou-se no carro e matou uma criança de 4 anos com dois tiros na cabeça.
Esta é uma notícia em que o meio é a mensagem. Senão vejamos:
a) O Expresso colocaria uma imagem com a fachada de uma esquadra e daria a notícia de forma fria e contactando associações de direitos das crianças e falando com o sindicato de polícia.
b) O DN ou o Correio da Manhã fariam capa disto, ambos falariam com "fontes da família" e colocariam imagens da casa dos pais e, eventualmente o CM, colocaria uma imagem de um policial e do carro metralhado
c) o 24 Horas, mostraria uma foto da criança, colocaria o pai a chorar na capa e descreveria todo o drama que envolve uma notícia destas. Ao mesmo tempo faria uma cronologia dos crimes praticados por engano pela polícia.
d) Os telejornais nacionais abririam todos com esta notícia, levariam especialistas a estúdio, um psicólogo forense, o Moita Flores, o tipo do sindicato de polícia e ainda mais um ou outro especialista em crimes e direito penal.
A mesma notícia, mas o meio influenciaria certamente a forma de a passar.
A Rede Globo preferiu abrir com a notícia crua e dura, chorada na primeira pessoa, sem contraditório (nem seria necessário) e sem margem para dúvidas. Foi assim.
Esta é uma notícia em que o meio é a mensagem. Senão vejamos:
a) O Expresso colocaria uma imagem com a fachada de uma esquadra e daria a notícia de forma fria e contactando associações de direitos das crianças e falando com o sindicato de polícia.
b) O DN ou o Correio da Manhã fariam capa disto, ambos falariam com "fontes da família" e colocariam imagens da casa dos pais e, eventualmente o CM, colocaria uma imagem de um policial e do carro metralhado
c) o 24 Horas, mostraria uma foto da criança, colocaria o pai a chorar na capa e descreveria todo o drama que envolve uma notícia destas. Ao mesmo tempo faria uma cronologia dos crimes praticados por engano pela polícia.
d) Os telejornais nacionais abririam todos com esta notícia, levariam especialistas a estúdio, um psicólogo forense, o Moita Flores, o tipo do sindicato de polícia e ainda mais um ou outro especialista em crimes e direito penal.
A mesma notícia, mas o meio influenciaria certamente a forma de a passar.
A Rede Globo preferiu abrir com a notícia crua e dura, chorada na primeira pessoa, sem contraditório (nem seria necessário) e sem margem para dúvidas. Foi assim.
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