quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Como a América nos vai lixar (a todos)

Tenho outras coisas para postar, mas por estes dias a minha atenção nos tempos livres vai para o acompanhar da crise financeira mundial, no sites da web. Um dos sites mais recomendáveis é o Visto de Economia, de Helena Garrido, que chama a estes dias "o Armagedão". Não sei se será tanto, mas que isto promete, senão vejam só o que se passou hoje:
- A reserva federal americana (Banco central lá da zona) salvou a AIG através de um empréstimo de 85 mil milhões de dólares, mas nem isso acalmou as bolsas;
- Depois há estes dois, que se preparam para ser os próximos a dizerem que estão atolados de créditos que não conseguem recuperar, hoje já deram sinal disso;
- À conta disto a Reserva Federal terá ficado descapitalizada, o que levou o Tesouro (entenda-se: Ministério das Finanças lá da zona) a ter de injectar dinheiro para evitar males menores (entenda-se: falência do Banco Central)
- Como é que o Tesouro injecta dinheiro ? Manda imprimir mais notas :) Ora mais dinheiro em circulação faz, por norma, aumentar a inflação, que por sua vez costuma levar os juros a subir;

Estão a perceber? Tudo faz sentido e nada disto é desejável, mas é o que temos...

Mas há mais, notícias como esta são os tais sinais de mercado que falei ontem. O que é que esta notícia quer dizer? Muito simples, quer dizer que depois de 150 anos de história separada, dois grandes bancos britânicos consideram unir-se num só, eventualmente para evitar que a falência de ambos.
"Fofinha" esta notícia, não é?

Aparentemente em Portugal não se passa nada, mas vai passar... o carteiro também há-de deixar uma cartinha ou duas aqui no rectângulo, vão ver que a crise toca a todos, mas estas notícias até chegarem até nós é como as descidas de combustível... levam algum tempo.

Ummmmm.... cheira um bocado a pólvora queimada, não cheira ??

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O mercado está farto de dar sinais

Aviso desde já que este post terá links com fartura, mas acho que vale a pena ler.

Em Marketing Estratégico tive de ler, com grande prazer, o livro de Michael Porter sobre Estratégia Competitiva. É um livro excelente que recomendo a todos, não só pela informação que tem sobre mercados, estratégia e formas de abordar o mercado, mas fundamentalmente porque Porter tem uma leitura tão clara das coisas que podemos aplicar tudo aquilo que lemos ao nosso dia-a-dia.
Esta introdução serve para chegar a um ponto, os sinais de mercado, que Porter tanto falava e que por norma teriam de ser analisados com muita atenção, pois em geral revelavam a tendência seguinte da empresa concorrente.
Agora aplicar isto ao nosso dia a dia, quando se começam a sentir dificuldades no dia-a-dia das pessoas.
Pouca gente ligou, mas o que estamos agora a sentir começou em 2001 / 2002 com os juros estupidamente baixos, o primeiro verdadeiro sinal visível surgiu há um ano
em Agosto, depois foi-se ouvindo falar do preço do petróleo que só subia, em paralelo fomos tendo notícias nos telejornais das quedas das bolsas e, consequentemente, fomos também ouvindo falar da subida dos juros, a famosa Euribor, resultado da uma inflação como não se via há muito e finalmente, ouvimos também falar da valorização do Euro face ao dólar.
Isto é o que é visível nos media. É no fundo a mensagem, aquilo que nos dizem, o que sabemos e acreditamos.

Ao mesmo tempo que isto ia acontecendo por aqui já se falava que para esta crise se resolver tinham de começar a falir bancos, seguradoras e entidades financiadoras de crédito. Contava há uns meses um dos colaboradores do site, que para que a situação se pudesse resolver teriam de desaparecer aqueles que mais abusaram das fragilidades do mercado. Ora bem, ontem aconteceu a primeira grande falência e anuncia-se para breve mais uma dificuldade a sério, isto sem contar com com as nacionalizações que os EUA têm feito nas últimas semanas, o que é extraordinário ver, especialmente no país mais capitalista e defensor da economia privada do mundo.

Ora bem, não há dúvida que estamos a ter sinais de mercado com fartura, falta saber quem é o próximo grande gigante a falir (sim, vai falir mais alguém, não duvidem), falta saber como vamos nós levar com o impacto disto tudo (para além das rendas de casa, fruto dos juros altos) e falta saber como é que isto tudo pode servir de lição para uma nova realidade funcional das economias.
A crise de 1929 serviu para criar um novo paradigma económico, será que alguém vai saber usar o actual exemplo para alguma coisa?

sábado, 13 de setembro de 2008

Fenómenos de massas (i'm loving it)

Esta notícia provocou no Fórum do Curto Circuito uma coisa que eu aprecio imenso: Fenómenos de massa.
Desde que ontem se soube que o Rui era o vencedor que o fórum do programa foi literalmente inundado de comentários. Uns a favor, alguns contra, mas um grupo de pessoas entendeu criar na sua mente a teoria da conspiração e não aceitar esta vitória.

A conspiração tem várias vertentes mas no resumo é a seguinte: o rapaz não ganhou por mérito mas sim por cunha, cunha essa feita pela mãe (a apresentadora Júlia Pinheiro), porque o rapaz precisa de uma ajuda para saltar para os escaparates dos media e porque nós (sigma3) "tivemos medo da mãzinha do menino". Além disso dizem que é gay, calado, não tem postura, não é crescido como os outros, tem um riso estúpido e outras alarvidades do género.
Acontece que, a partir das 20h30 de ontem, os comentários entraram no desaforo, no insulto e na mentira, pelo que -como webadmin do site- tive de começar a intervir, apagando algumas mensagens e chamando a atenção para esta ou aquela incorrecção ou falta de sentido.
Vai ser impossível guardar estas mensagens, mas não deixo de dar nota da melhor mensagem de todas... uma que apaguei mas que dizia simplesmente: "esse menino da mamã, esse beto não devia ganhar porque a avó dele fechou a empresa e ficou a dever dinheiro ao meu tio! Rui Pêgo és um caloteiro!". Verdadeiramente genial !! um argumento de peso para sustentar o facto de estar em desacordo com esta escolha :)

É aqui que entra o fenómeno de massas, uma raiz da psicologia social que Gustave le Bon passou a escrito e que tive oportunidade de ler na faculdade, em Psicologia do Consumidor. A moderação do fórum tem sido excelente e muito divertida, porque estou a ver ao vivo aquilo que li no livro, já há uns anos.

Há de tudo, quem não leia sequer o que escreve e se contradiz em apenas 400 caractéres, há aqueles que simplesmente insultam, há aqueles que simplesmente desejam que morra ou ainda pior, há aqueles que têm uma opinião e depois de lerem outra posições voltam a postar com uma opinião distinta da inicial (puro seguidismo de massas, como definiu Le Bon), há depois aqueles que têm uma orientação fixa de ideias e sentimentos, como se os estivessemos a enganar ou a roubar (aspecto também definido com perfeição por Le Bon), orientação que não muda, mesmo que lhes expliquemos como funcionam as coisas ou mesmo que respondamos às questões colocadas. Como é óbvio há também aquilo que Le Bon definiu como o poder da imaginação... há pessoal que cria uma teoria, acredita nela e defende-a como se ela fosse a única verdade a face da terra, o que é extrememente interessante de ver (em termos sociológicos e de comportamento).

Este dia tem sido uma lição e tem sido fascinante ver este fórum, certamente o mais concorrido de sempre. Estou certo que não se vai ficar por aqui porque, como dizia Le Bon, "As imagens invocadas no seu espírito (das massas) são tidas como realidade" e esta malta não vai acalmar facilmente, eventualmente serão vencidos pelo cansaço ou pela evidência de que a escolha está feita.
Adoro ser espectador deste tipo de fenómenos, onde as pessoas se tornam uma só massa, um meio que é a mensagem ao mesmo tempo e onde o racional é levado pelas emoções.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ladrões, mas com boa onda

Temos tido notícias de assaltos e roubos, mas há algumas destas situações que merecem uma tremenda salva de palmas, pela originalidade e pelo alvo.
Falo de três casos, o assalto ao tribunal de Cascais para roubar o MB, o assalto ao escritório do porta voz do PS e o assalto à casa de férias do Procurador Geral da República, em Porto de Ovelhas, de onde não roubaram nada.

Bom, alguem acredita que com milhares de casas e escritórios neste país estes assaltos são obra do acaso? Eu não acredito, acho mesmo que havendo informação da parte da gatunagem, estes são assaltos para marcar uma posição, para incomodar, para ser notícia. São um meio de passar uma mensagem.
Obviamente que os autores devem ser punidos, mas não deixo de sorrir quando oiço estas notícias, pois tem de haver um grupo de ladrões com um espírito e uma boa onda tremenda para estas ideias (eu conheço Porto de Ovelhas e fica desterrado no fim do mundo, acreditem que lá ir é penoso, quanto mais ir para assaltar!).
Nestas alturas só imagino um bando de criminosos, numa cave, com uma luz ténue a discutir qual o próximo alvo a assaltar só para deixar uma mensagem.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O saldo do telemóvel

Há muitos meios de passar uma mensagem, mas o discurso político é pródigo em pérolas comunicacionais como esta que apresento de seguida.
O vídeo é de um Tempo de Antena da Unita, nas recentes eleições em Angola, vejam só qual é a primeira questão colocada neste vídeo por uma das militantes deste partido. Vejam só como em Angola o saldo do telemóvel e a razão de estar sempre a zeros é motivo de argumento e de mensagem política.
É algo que por estes lados não se passa, mas teria piada um dos partidos nacionais da oposição ter um discurso como este. Seria de morrer a rir ver o Sr.Portas ou a Sra.Leite a queixarem-se do governo por causa do saldo dos telemóveis.

Mais uma caso onde o meio (neste caso o país e a sua cultura cívica e histórica) influencia fortemente a mensagem e a forma como é transmitida

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pastelaria Sarita

Diz que fica em Almodôvar (baixo Alentejo), nunca lá fui, mas recomendo vivamente! É verdade!
Este fim de semana tive a grata alegria de ir ao casamento de uma das minhas priminhas lindas, correu tudo muito bem, mas a área de doces encheu-me as medidas.

Para já tudo o que seja doce regional e conventual alentejano deixa-me sem uma resposta racional, depois estes doces trabalhos dos Deuses estavam divinalmente confeccionados e com uma apresentação irrepreensível (a foto não dá a melhor ideia, mas só depois de muitas "provas" é que me lembrei de sacar a foto).
Tal era o requinte, que todos os bolos e doces tinham uma pequena placa de chocolate com o nome e logotipo da pastelaria Sarita.

Bom, nem vos conto nada... mas a encharcada estava divinal, os doces de ovos eram de arrepiar de tão bons que eram, a Sericaia quase me fez chorar, o arroz doce estava imperial, o queijo de amêndoa com recheio ovos estava tão bom que nem me afastei muito da mesa não fosse aquilo acabar, os mais variados bolos de amêndoa e pinhão parece que se riam para mim..... !

Se passarem por Almodôvar procurem a Pastelaria Sarita e experimentem tudo aquilo que por lá existir. Eu de certeza que irei lá na primeira oportunidade e pelo sabor que ainda tenho na boa, acho que não vou esperar muito... vai na volta um destes dias almoço aqui em Amora e vou beber um café a Almodôvar... "só naquela". É que se este casamento foi o cartão de visita, então que quero conhecer a casa toda e fazer uma prova in loco das capacidades.

Agora vou ali andar de biciclete para reduzir uns 3kg. Fiquem bem.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A suprema ironia da política

Um fim de semana no Alentejo, meio alheado do mundo, fez com que fosse surpreendido hoje ao ler o FT, com esta notícia. No fundo, o estado norte-americano nacionaliza duas mega corporações e empresas que têm a hipoteca de 70% dos créditos bancários, hipotecários e afins dos yankees...

À primeira vista nada de estranho isto pode ter, mas tem: o mais curioso é que as nacionalizações são uma das soluções ideologicamente apontadas pelos estados, partidos e regimes comunistas para resolver problemas (na verdade não resolvem nada...mas enfim), afinal de contas é o estado mais neo-liberal do mundo, os EUA, que toma uma decisão destas.
São curiosas as rasteiras que a política e a economia pregam aos governantes, os neo-liberais americanos a tomarem uma medida idêntica às que Hugo Chavez, um dos seus ódios de estimação, toma regularmente na Venezuela.

Eu pessoalmente (e aqui entra o meu socialismo a falar) acho as pessoas devem ser apoiadas, mas milhares de erros uns em cima dos outros, devem ser pagos por quem os fez e não por todos os contribuintes, especialmente por aqueles que conseguem pagar o que devem.

Só uma nota para lamentar...

... que as minhas férias tenham terminado. É com alguma dificuldade que hoje de manhã irei trabalhar. Ainda assim a alegria é algo que sempre existirá.

Era esta a mensagem que queria deixar... através deste meio !

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Vídeos com amigos

Uma das coisas que mais prezo são os amigos e colegas. Depois disso, prezo também aqueles que se prestam a coisas como estas.

Durante a existência das revistas Megascore e Hype! fui um dos co-responsáveis pelo Mega TV e pelo Hype TV, as "tv's chunga" internas que mostravam os bastidores da revista, da animação e do trabalho da redacção.
Tivemos momentos memoráveis e agora que a Hype! foi suspensa e que o "gang" teve de procurar outra actividade, separando-se, fizemos estes dois vídeos, durante uma festa de amigos que se organizou em Lisboa há uns dias.
Os vídeos têm uma continuação e algum álcool tira-lhe (por vezes) algum sentido...
Boa sorte pessoal !

Imagem e Edição: Nelson Patriarca



terça-feira, 2 de setembro de 2008

Google Chrome

É a grande notícia do momento. O Google desvendou hoje aquilo que há muito já se falava, o seu browser baseado em tecnologia open-souce (pois claro!). Ganhou o nome de código "Chrome" e promete em breve meter-se nesta luta e não será para perder.
Para já entra em fase de testes em 100 países, para ver falhas e melhorar procedimentos. Diz-se que funcionará por aplicações, em vez de permitir apenas a navegação por páginas.
Podem ler a notícia mais alargada (incluí vídeo da redacção a testar o Chrome), no site da BBC.
Podem ver uma banda desenhada explicativa do Chrome, no próprio Google.

Mais um meio do Google mandar uma mensagem ao mundo, e a mensagem sempre foi clara: "vamos dominar o mundo através da web".

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Acabaram as férias (para muitos)

Amora, 1 de Setembro, 9h30, saio de casa. Na rádio anunciam-se filas para a Ponte 25 de Abril.
Passo por baixo do viaduto da AE2 e não posso deixar de sorrir, imaginando a seca que aquele pessoal, ali por cima, vai apanhar para chegar a Lisboa.
9h45 estou na praia. A ver pelo parque de estacionamento, deverão estar umas 30 pessoas na praia.
Chego ao areal e confirma-se.
Está calor, maré baixa, bandeira verde e um dia perfeito.
Esta foi hoje a minha praia, será que na minha última semana de férias vou ter uma praia só para mim todos os dias?