Esta notícia provocou no Fórum do Curto Circuito uma coisa que eu aprecio imenso: Fenómenos de massa.
Desde que ontem se soube que o Rui era o vencedor que o fórum do programa foi literalmente inundado de comentários. Uns a favor, alguns contra, mas um grupo de pessoas entendeu criar na sua mente a teoria da conspiração e não aceitar esta vitória.
A conspiração tem várias vertentes mas no resumo é a seguinte: o rapaz não ganhou por mérito mas sim por cunha, cunha essa feita pela mãe (a apresentadora Júlia Pinheiro), porque o rapaz precisa de uma ajuda para saltar para os escaparates dos media e porque nós (sigma3) "tivemos medo da mãzinha do menino". Além disso dizem que é gay, calado, não tem postura, não é crescido como os outros, tem um riso estúpido e outras alarvidades do género.
Acontece que, a partir das 20h30 de ontem, os comentários entraram no desaforo, no insulto e na mentira, pelo que -como webadmin do site- tive de começar a intervir, apagando algumas mensagens e chamando a atenção para esta ou aquela incorrecção ou falta de sentido.
Vai ser impossível guardar estas mensagens, mas não deixo de dar nota da melhor mensagem de todas... uma que apaguei mas que dizia simplesmente: "
esse menino da mamã, esse beto não devia ganhar porque a avó dele fechou a empresa e ficou a dever dinheiro ao meu tio! Rui Pêgo és um caloteiro!". Verdadeiramente genial !! um argumento de peso para sustentar o facto de estar em desacordo com esta escolha :)
É aqui que entra o
fenómeno de massas, uma raiz da psicologia social que
Gustave le Bon passou a escrito e que tive oportunidade de ler na faculdade, em Psicologia do Consumidor.

A moderação do fórum tem sido excelente e muito divertida, porque estou a ver ao vivo aquilo que li no livro, já há uns anos.
Há de tudo, quem não leia sequer o que escreve e se contradiz em apenas 400 caractéres, há aqueles que simplesmente insultam, há aqueles que simplesmente desejam que morra ou ainda pior, há aqueles que têm uma opinião e depois de lerem outra posições voltam a postar com uma opinião distinta da inicial (
puro seguidismo de massas, como definiu Le Bon), há depois aqueles que têm uma orientação fixa de ideias e sentimentos, como se os estivessemos a enganar ou a roubar (
aspecto também definido com perfeição por Le Bon), orientação que não muda, mesmo que lhes expliquemos como funcionam as coisas ou mesmo que respondamos às questões colocadas. Como é óbvio há também aquilo que Le Bon definiu como o poder da imaginação... há pessoal que cria uma teoria, acredita nela e defende-a como se ela fosse a única verdade a face da terra, o que é extrememente interessante de ver (em termos sociológicos e de comportamento).
Este dia tem sido uma lição e tem sido fascinante ver este fórum, certamente o mais concorrido de sempre. Estou certo que não se vai ficar por aqui porque, como dizia Le Bon, "
As imagens invocadas no seu espírito (das massas) são tidas como realidade" e esta malta não vai acalmar facilmente, eventualmente serão vencidos pelo cansaço ou pela evidência de que a escolha está feita.
Adoro ser espectador deste tipo de fenómenos, onde as pessoas se tornam uma só massa, um meio que é a mensagem ao mesmo tempo e onde o racional é levado pelas emoções.