
Já há algum tempo que não falava dos professores, mas hoje de manhã a TSF noticiava os números da adesão a mais uma greve e dou por mim a pensar "mas não há vergonha na cara?".
Durante décadas os professores foram uma profissão nobre e bem vista socialmente, entertanto a coisas mudaram, as pessoas evoluiram, as escolas cresceram rapidamente, novas pessoas entraram para a docência e, como em tudo, o nível desceu. O nível dos professores, o nível das escolas e das suas condições e o nível dos alunos. A profissão de professor é hoje em dia menos bem vista socialmente, embora continue a ser tida como nobre -na generalidade dos casos- bem remunerada e uma profissão extremamente classicista.
A avaliação de professores motivou uma luta na classe. Juntaram-se todos, muitos deles nem sabiam muito bem contra o quê, mas juntaram-se. Em algumas reuniões na escola pude verificar
in loco que muitos nem sabiam ao que iam ser avaliados, mas estavam contra (!) outros não compreendiam os critérios da avaliação, mas só sabiam "que isto assim não pode ser", grande parte deles nem leu os documentos, estava à espera da reunião para saber "como era".
Não são todos assim, felizmente a grande maioria não o será, mas para quem pede respeito pela profissão é preciso que muitos aprendam a respeitar-se a si mesmo, ao que fazem e a quem lhes paga um salário.
É verdade que o modelo inicial de avaliação era ríduculo, agregava o aproveitamento escolar dos alunos à avaliação dos docentes (algo que só pode ser visto indirectamente, pois se um aluno resolver chumbar não há nada que o docente possa fazer), agregava também o abandono escolar, algo que não cumpre ao professor tratar, pelo menos ser avaliado por isso.
Mas o restante da avaliação era adequado, impunha escolhas aos professores, por categorias, onde teriam de ser indicados por cada um dos docentes os objectivos a atingir e como o iriam fazer. Parece-me justo uma pessoa ser avaliada pelo seu trabalho e pelos desafios e objectivos que lança a si mesmo, ou não ?
Mesmo assim não aceitaram, na verdade -é minha opinião- não queriam ser avaliados.
Houve uma segunda evolução, no que respeita a quem avalia e como avalia, os professores mantiveram a sua posição: Greve
É verdade que o trabalho de docência é puxado, envolve muitas pessoas na sala, muitos gostos, desgostos, conflitos e personalidades, mas é também um trabalho aliciante e desafiador, se as pessoas quiserem que seja. Hoje em dia envolve burocracia a mais, é verdade, mas será que isso não é um mal comum a muitas das profissões de hoje em dia? Quantas pessoas têm que preencher formulários e fichas o dia inteiro e ainda fazerf atendimento ao público ou dar atenção a outra coisa qualquer?
Hoje,
o Público noticia que os primeiros dados indicam uma adesão superior a 90%, a classe uniu-se mais uma vez contra a avaliação, dizem que já são avaliados e a sua preocupação é que não podem subir na carreira, que têm as progressões congeladas há anos e afins. Será que estes senhores já pensaram que em todo o lado as pessoas são avaliadas? Porque têm de ser os professores diferentes? Será que têm este tipo de atitudes porque sabem que, no limite, não podem ser despedidos como em qualquer emprego privado?
No meio disto há ainda o ministério, que também cada tiro que dá é um tiro ao lado. Nenhuma das partes fica bem na fotografia, e cada uma das partes é mais casmurra que a outra, por isso já era tempo de estarem quietos, voltarem à normalidade e seguirem as coisas como estão neste momento.
Podem existir outros pontos de vista, este é o meu, mas a verdade é que a ideia que fica é que são contra o facto de serem avaliados e por isso não é estranho que sejam cada vez menos respeitados. Eu por mim vou vendo passar as modas, ouvindo os comentários classistas nos corredores e ficando aliviado de não depender desta actividade para viver.