segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Amigos (V)

Lembram-se de aprender isto na escola?
"A Terra tem dois movimentos principais: rotação e translação. A rotação em torno de seu eixo é responsável pelo ciclo dia-noite. A translação se refere ao movimento da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol".

Acabei de receber um convite de um amigo para uma cerimónia que me deixa muito contente, não só pelas pessoas envolvidas, mas também pelo simbolismo da dita cerimónia.
É caso para dizer que o impensável aconteceu.... e por isso mesmo, em jeito de brincadeira, é de crer que depois desta cerimónia, a Terra nunca mais vai rode da mesma maneira :)

Parabéns Marco!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Outra vez a deflacção

Já aqui há uns dias falei no receio da deflacção, mas uma notícia de ontem do Público veio novamente colocar-me a pensar sobre o assunto.
Normalmente ninguém liga a estas coisas, mas elas afectam o nosso dia-a-dia e poucos têm noção do que na verdade é a deflacção.
A deflacção é a queda generalizada dos preços para níveis não suportáveis pela economia de mercado, é o contrário da inflacção e é igualmente uma carga de trabalhos, especialmente para países pobres, como o nosso.
Esta descida da inflacção para 1,1% na zona Euro, e o facto de ter descido 0,5% em apenas um mês é problemática e um sinal que podemos estar a poucos meses de ter uma situação como esta que vou tentar explicar por pontos:

- Dada a crise as pessoas concentram as suas compras no essencial, deixando de lado o supérfulo.
- Uma vez que compram menos, quem vende terá de baixar o preço (lei da oferta e da procura)
- Isto é bom? Não, não é!
- Se quem vende baixa o preço, baixa ao mesmo tempo a sua margem de negocio.
- Se perde margem de negócio vai ter de reduzir despesas.
- Se não puder reduzir despesas de investimento em matéria prima vai ter de reduzir pessoal.
- Se reduzir pessoal há mais desemprego.
- Se há mais desemprego, há menos consumo privado.
- Se há menos consumo privado, as empresas para vender vão ter de fazer promoções constantes.
- Se as promoções constantes não resultarem (porque há menos consumo) baixam o preço.
- Se mesmo com o preço baixo as pessoas compram pouco as coisas ficam cada vez mais difíceis...

Acho que já perceberam o problema que nos pode estar a bater à porta.
Esta lista de passos para a deflacção que anotei neste post leva a um ponto em que os produtos perdem valor e, no pior cenário, há uma altura em que as pessoas já vão vender produtos abaixo do preço de custo para não ficaram com stock e gerarem alguma liquidez. Se ai chegarmos então é como a bolsa de valores em queda... uma chatice, simplesmente porque os nosso dinheiro vai cada vez valer menos.

Não sei se chegaremos a tanto, mas seja como for estamos certamente a viver um período interessantissimo da história económica e social, a primeira crise do século 21 e a primeira que se passa online, onde tudo é rápido, sejam as notícias sejam as quedas.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Amigos (IV)

Lá volto eu aos amigos, mas esta notícia deixou-me mesmo contente, por isso tenho de partilhar.
Em tempos difíceis, ao nível económico e ao nível do emprego, uma boa notícia é uma preciosidade. Quando essa boa notícia envolve um amigo de quem gostamos particularmente, com quem já nos divertimos imenso nas mais variadas circunstâncias e a quem pudemos ajudar a criar condições para que a boa notícia se concretizasse então é caso para ficarmos mesmo muito contentes.A notícia andava em lume brando e na 5ªfeira concretizou-se. Dentro de poucos dias um dos blogueiros da lista aqui do lado direito vai ser funcionário da empresa que criou este senhor de bigode e chapéu vermelho.
Vai estar certamente à altura, não duvido!

Parabéns pá! :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Second Life, a crítica mais honesta que posso fazer

Para o bem ou para o mal fui hoje ver a antestreia do Second Life, confesso que o meu maior interesse era ver como retratavam no filme a casa da Herdade da Malhadinha, em Albernôa onde tantas vezes brinquei em criança.
Acabei por ver o filme e o que posso dizer resume-se a esta imagem:


Essencialmente o filme conta duas versões da mesma história, mas é tão mauzinho, tão mauzinho que chegamos a um ponto em que temos pena. Os actores parecem não ter sido dirigidos por ninguém, a história não tem uma coerência e uma continuidade aceitável, os personagens estão longe de estar bem trabalhados pelos actores e pelos pseudo-vips convidados e os risos na plateia foram bem a evidência disso, pois às tantas era notório que uma qualquer narrativa cinematográfica do Mestre Manoel de Oliveira é mais interessante do que este filme.

Second Life é uma sequência de figuras públicas que vão aparecendo, misturadas com alguns actores, misturadas com algumas paisagens alentejanas e italianas, misturadas com a Liliana Santos e com a Cláudia Vieira (e os respectivos silicones) e misturadas com o inevitável Nicolau Brayner, que tem lugar cativo em tudo o que é filmes em Portugal e que basicamente é o maior.
Ha também um "momento CSI", com um José Carlos Malato que não se percebe bem o que faz e com um agente da GNR que para além de ser rídiculo como se apresenta na narrativa, só pode ser visto como um gozo a esta autoridade policial, pois dá uma imagem de anormais aos GNR.
Ah! Aparece ainda o Figo com a Liliana Santos sentada em cima dele, o Ricardo Pereira a fazer de operador de câmara tótó e a Rita Andrade num guichet de companhia aérea a entregar bilhetes e num momento de uma festa em Itália.
É tão grande o corropio de figuras públicas que às tantas já havia pessoal a tentar adivinhar quem era o pseudo-vip que se seguia e (acreditem) as apostas nas cadeiras à minha volta no Almada Fórum iam desde a Maya ao José Castelo Branco!

A história é má e vão perceber que na verdade tudo se passa a partir dos delírios de uma consulta de psicanálise ou algo do género. A realização do Second Life, na minha opinião, é também ela confrangedora e se forem ver o filme preparem-se para a parte final, pois há duas sequências em que a câmara simplesmente gira durante 3 minutos (não estou a brincar!!) à volta de uma dupla de personagens.... às tantas o espectador fica tonto só de ver aquilo.

É muito, muito, muito mau ! A sério, não tenho palavras para descrever este Second Life, é provavelmente o pior filme que vi nos últimos anos. É a minha opinião.
Se tiverem 5 ou 6€ disponíveis por favor não vejam este filme, vejam outro filme qualquer, comprem um livro, ajudem os pobres, aluguem um filme no videoclube, bebem 10 cafés, whatever!
Se ainda assim quiserem mesmo ver as duas atrizes atrás referidas pensem duas vezes, não é nada que uma pesquisa na web não resolva e poupam este suplício.

A pergunta que se impõe é: mas que raio de gente acha que desenvolve o cinema em Portugal com coisas como estas? Com todo o respeito pelo trabalho honesto dos actores, produtores e técnicos acho que para fazer um filme não basta ter boas intenções e uns pseudo-vips nacionais misturados com actores... é preciso mais do que isso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Elogio matinal

Um elogio é sempre um elogio.
Quando é matinal a coisa melhora, porque nos dá alegria para o resto do dia.

O GTalk de hoje com a minha cara amiga e Camarada Inês trouxe-me a seguinte mensagem:
"sabes k tenho gostado muito de andar no teu blog (...) as ideias parvas estão la.. graças a deustu é k ja es GRANDE (...)as tuas ideias sempre foram boas,não as achava nem acho palermas... já os teus delirios....ehehehhee (...) a parte boa é que como ja vais tendo mais experiencia de vida (dai seres grande) vais tambem triando melhor o potencial da ideia..."

Nesse caso sou Grande, tão grande quanto o pescoço da amiga aqui do lado, e aos olhos da Inês isso são boas notícias. Sendo uma amiga por quem tenho tanta consideração isto só pode ser sinal que ando a fazer alguma coisa de jeito neste mundo. Hurray!!
Assim sendo hoje já vou dar o resto das minhas aulas e assistir ao Second Life com um moral a dar para o grandote.

Inês, três expressões para ti: conversas + autocarro + praça Espanha.

Valeram muito Camarada, valeram mesmo muito....

PS: VÊ lá se actualizas o blog com nova mercadoria, que a colecção que lá está é do ano passado, um gajo quer gastar papel nos teus panos e não tem artigos novos.
:P

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A televisão. Cronologia de um sistema com morte anunciada?


Em 1996 fazia-se em Portugal televisão com ideias e com um budget pago pela estação.

Em 2000 começou-se a fazer televisão com ideias e com menos budget.

Em 2003 algumas estações aceitavam programas em grelha, se não tivessem de pagar nada por eles. Era o tempo da televisão creativa e da descoberta do "product placement"

Em 2009 algumas estações aceitam programas em grelha, se não tiverem de pagar nada por eles e ainda pedem uma verba para si, sob a forma de "custos de programação".

Esta "evolução" é um sinal dos tempos ou um sinal de morte anunciada de um sistema?

domingo, 25 de janeiro de 2009

As contas da nossa casa

Não gosto da Sra.D.Manuela Ferreira Leite. Não me inspira confiança, apesar do ar de avózinha séria. Não concordo com muito do que diz, acho-a particularmente arrogante e não há semana que não diga disparates nos media, mas há uma coisa que não posso negar, pois é uma evidência:

Uma família com 10 de recursos não pode endividar-se com 20
.
Portugal é um país que deve investir no futuro, criar condições de maior sustentabilidade e de redução da dívida pública. Mesmo que no curto prazo essa redução de dívida no futuro implique mais empréstimos, os mesmos não devem ser feitos ao ponto de anular as suas possibilidades de desenvolvimento, ainda mais agora que o nosso rating foi reduzido e os empréstimos que façamos, enquanto nação, ficam mais caros. O TGV dá-me ideia de ser um desses projectos idiotas em que nos vamos meter "porque os outros têm", a dimensão de "quintal" do nosso país não o justifica de facto..

Esta Sra. pode usar os argumentos que quiser para derrotar o PS, mas este é o único que me faz sentido, o único válido. Mas também ela têm telhados de vidro e não são poucos (défice de 2003, Citigroup, etc) por isso....

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Re(aprender)

Fanfarrão para uns, pessoa séria e amiga para outros, Joe Berardo representa o típico emigrante português que foi para fora, subiu a pulso, fez uns trabalhos mais ou menos duros, apanhou umas oportunidades, fez bom dinheiro e voltou ao seu país para marcar posição.
Para além de possuidor de uma colecção de arte contemporânea de grande nível, Joe Berardo é conhecido pelas suas posições duras no caso BCP, pelas suas posições accionistas na Cimpor, Zon, Banif e Teixeira Duarte e por ter uma presença televisiva próxima do medíocre, já que tem uma nítida dificuldade em se expressar.
Um amigo que o conheçe pessoalmente diz que se trata de uma pessoa fantástica, de difícil trato mas amigo dos seus amigos e com um olho fabuloso para negócios.

Ora é exactamente essa pessoa que de repente, de peito aberto conta ao Público que tudo o que aprendeu na vida foi por água abaixo. Vale a pena ler o excerto da entrevista que sai no suplemento de Economia.

São sinais destes tempos financeiros atribulados que vivemos, sinais que mostram que por muito que a mensagem seja conhecida, o meio pode sempre alterá-la.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um sinal ou um flop?

O mundo hoje está centrado nos EUA, toma posse Barack Obama, a esparança renovada dos Americanos, totalmente arrasados politica, financeira e socialmente por anos de disparates Repúblicanos.
Mas há muito que a esperança dos Americanos não era também a esperança do Mundo, que claramente precisa de uma nova ordem, de um novo sentido.
Todo o mundo está de certo modo pendurado nesta pessoa, no que vai fazer, no que vai dizer, em como vai agir. Dele se espera um sinal de alguma coisa positiva que possa servir para alavancar o resto do mundo.
Tal como já é noticiado, andará rodeado de segurança, o facto não é para menos pois é o primeiro presidente negro da história da América e isso ainda incomoda muita gente.
Mas será que está à altura das crescentes expectativas? Dá ideia que sim, mas o tempo o dirá.
Todos esperam algo, os mercados estão à espera do plano financeiro dele para dar um sinal de força a uma recuperação económica que se espera seja global.
Os americanos estão à espera dele por causa da saúde, das finanças, do seu dia-a-dia. No fundo esperam que ele represente o sonho americano renovado.
Os árabes e israelitias estão à espera de ver o que ele tem para dizer e propor, antes de continuarem os eternos confilitos e de se aniquilarem uns aos outros.
Os países do 3ºmundo estão à espera dele por causa da sua sobrevivência e do papel que os EUA poderão ter na redução de assimetrias mundiais.

Barack Obama é de facto um sinal de esperança, e provavelmente o homem de quem mais se espera neste momento. Veremos se o mundo que nos rodeia lhe dá tempo e lhe dá espaço, fugindo a ser um flop. Assim o espero.

PS: Em Portugal, como bons imitadores baratos que somos, já começamos a tentar colar-nos à mensagem do "Yes we can" de Obama, e há de tudo. Há os slogans políticos de partidos nacionais e o mais hilariante na forma (até porque a pessoa merece respeito) é o anunciado candidato eleitoral do PSD Seixal que por coincidência se assemelha ao original.
É o nosso toque de América Latina, ao qual não conseguimos resistir.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mais uma greve de quem não quer ser avaliado

Já há algum tempo que não falava dos professores, mas hoje de manhã a TSF noticiava os números da adesão a mais uma greve e dou por mim a pensar "mas não há vergonha na cara?".

Durante décadas os professores foram uma profissão nobre e bem vista socialmente, entertanto a coisas mudaram, as pessoas evoluiram, as escolas cresceram rapidamente, novas pessoas entraram para a docência e, como em tudo, o nível desceu. O nível dos professores, o nível das escolas e das suas condições e o nível dos alunos. A profissão de professor é hoje em dia menos bem vista socialmente, embora continue a ser tida como nobre -na generalidade dos casos- bem remunerada e uma profissão extremamente classicista.

A avaliação de professores motivou uma luta na classe. Juntaram-se todos, muitos deles nem sabiam muito bem contra o quê, mas juntaram-se. Em algumas reuniões na escola pude verificar in loco que muitos nem sabiam ao que iam ser avaliados, mas estavam contra (!) outros não compreendiam os critérios da avaliação, mas só sabiam "que isto assim não pode ser", grande parte deles nem leu os documentos, estava à espera da reunião para saber "como era".
Não são todos assim, felizmente a grande maioria não o será, mas para quem pede respeito pela profissão é preciso que muitos aprendam a respeitar-se a si mesmo, ao que fazem e a quem lhes paga um salário.

É verdade que o modelo inicial de avaliação era ríduculo, agregava o aproveitamento escolar dos alunos à avaliação dos docentes (algo que só pode ser visto indirectamente, pois se um aluno resolver chumbar não há nada que o docente possa fazer), agregava também o abandono escolar, algo que não cumpre ao professor tratar, pelo menos ser avaliado por isso.
Mas o restante da avaliação era adequado, impunha escolhas aos professores, por categorias, onde teriam de ser indicados por cada um dos docentes os objectivos a atingir e como o iriam fazer. Parece-me justo uma pessoa ser avaliada pelo seu trabalho e pelos desafios e objectivos que lança a si mesmo, ou não ?
Mesmo assim não aceitaram, na verdade -é minha opinião- não queriam ser avaliados.
Houve uma segunda evolução, no que respeita a quem avalia e como avalia, os professores mantiveram a sua posição: Greve

É verdade que o trabalho de docência é puxado, envolve muitas pessoas na sala, muitos gostos, desgostos, conflitos e personalidades, mas é também um trabalho aliciante e desafiador, se as pessoas quiserem que seja. Hoje em dia envolve burocracia a mais, é verdade, mas será que isso não é um mal comum a muitas das profissões de hoje em dia? Quantas pessoas têm que preencher formulários e fichas o dia inteiro e ainda fazerf atendimento ao público ou dar atenção a outra coisa qualquer?

Hoje, o Público noticia que os primeiros dados indicam uma adesão superior a 90%, a classe uniu-se mais uma vez contra a avaliação, dizem que já são avaliados e a sua preocupação é que não podem subir na carreira, que têm as progressões congeladas há anos e afins. Será que estes senhores já pensaram que em todo o lado as pessoas são avaliadas? Porque têm de ser os professores diferentes? Será que têm este tipo de atitudes porque sabem que, no limite, não podem ser despedidos como em qualquer emprego privado?

No meio disto há ainda o ministério, que também cada tiro que dá é um tiro ao lado. Nenhuma das partes fica bem na fotografia, e cada uma das partes é mais casmurra que a outra, por isso já era tempo de estarem quietos, voltarem à normalidade e seguirem as coisas como estão neste momento.

Podem existir outros pontos de vista, este é o meu, mas a verdade é que a ideia que fica é que são contra o facto de serem avaliados e por isso não é estranho que sejam cada vez menos respeitados. Eu por mim vou vendo passar as modas, ouvindo os comentários classistas nos corredores e ficando aliviado de não depender desta actividade para viver.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A deflacção. Mas... o que é a deflaçcão?

A revista The Economist faz todos os meses de Janeiro uma edição especial sobre a economia de cada um dos países do mundo, com previsões, dados macroeconómicos e afins.
Em 2009, para Portugal, prevê-se a deflacão (ler a notícia do Público). É uma previsão perturbadora, mas nada que alguns economistas não tenham já previsto.
Os telejornais das 13h deram todos a notícia, mas o nível de jornalismo em Portugal é baixo e não lhes permitiu tempo para explicarem o que é a deflaçcão.
Não era suposto os meios de comunicação social informarem e esclarecerem? Não sendo a deflacção um termo económico muito comum no nosso léxico (penso mesmo que Portugal nunca chegou a tanto) e sendo um cenário muito preocupante, caso aconteça, não teria sido simpático explicar o que é isto ?

O Visto da Economia e o Correio-Mor têm as melhores explicações. Vejam por vós mesmos e se puderem não deixem de ter emprego, num cenário como o que é agora previsto, não ter rendimento é o mesmo que entrar numa espécie de exclusão social.