Num mundo onde os mais fortes subjugam os mais fracos, as agências de rating controlam os mercados, a banca e já conseguem mexer com os estados.
Portugal está desde ontem sob forte ataque de uma delas. A S&P aumentou o indíce de risco do país e da sua dívida e os mercados financeiros entraram em espiral de loucura. Quedas na bolsa de 5% e muitas perdas de empresas e do estado.
A taxa de juro exigida para a dívida nacional está estupidamente alta e a capacidade do estado cumprir os seus compromissos limita-se grandemente a cada hora que passa. Alguns meios falam já na necessidade de Portugal vir a ter de pedir ajuda internacional, como a Grécia o fez há dias.
A situação não será tão grave, quero crer, não teremos mentido ou ocultado informação como a Grécia fez, mas a verdade que durante anos cumprimos menos do que devíamos no que diz respeito ao estado, ao seu emagrecimento e ao controlo das suas despesas, mas estar sujeito a uma avaliação destas para colocar em risco a estabilidade mínima de um estado é demasiado.
Impunha-se uma resposta firme da UE, criando mecanismos de regulação financeira para que os estados estejam menos sujeitos a estas avaliações, sabe-se lá com que intenção mas certamente com motivos manipuladores.
A especulação financeira é admissível em mercados livres, a manipulação deveria ser fortemente punida. Os ratings são importantes para ter uma graduação dos diversos factores financeiros, mas quando os mesmos são usados como instrumento de manipulação financeira devem ser fortemente condenados.
A verdade é que notícias como
esta, e
esta, e
mais esta, deixam-nos em estado de alarme, as pessoas no seu dia a dia não têm noção do que se passa verdadeiramente. Fala-se em falência, fala-se em muita coisa nos media, mas
é importante alertar as pessoas para os perigos imediatos: uma redução forte do capital disponível, um aumento forte dos juros, uma necessidade de redução forte da despesa do estado e social, uma necessidade quase imperiosa de aumentar impostos como o iva e (muito provavelmente) uma redução dos salários, como a Irlanda já fez há uns tempos.
Veremos se o tempo me dará, ou não, razão, mas urge ter políticas sérias e neutras, sem caír no populismo de prometer o que não se pode e não seguindo as loucuras salariais e financeiras que alguns sindicatos e associações de trabalhadores exigem.
Urge também que a UE tenha uma posição mais consensual,
como esta, e urge defendermos o nosso estado, embora veja grande parte das pessoas mais preocupadas com o título do Benfica, com a missa do papa no Terreiro do Paço e com o facto de Portugal ser a 3ªselecção no ranking da Fifa, tristes consolações para um país que acha sempre "que eles hão-de resolver"