sábado, 26 de fevereiro de 2011

TGV. É mesmo necessário um brinquedo caro?

Devo dizer que não tenho uma ideia muito bem definida sobre o TGV em Portugal.
Por principio acho que não se deveria fazer, vai ser caro, vamos ter de pagar tudo em grande e com a rapidez de uma viagem aérea para Madrid ou para outro destino da Europa, tenho dúvidas da necessidade.

Por outro lado há o factor de integração europeia, mas a verdade é que isso por si só não nos gera riqueza, por muito que no stentem vender o contrário

Esta semana, usei um dos AVE, o TGV espanho entre Madrid e Saragoça. O serviço é excelente, atinge-se rapidamente os 290km/h, quase sem se dar por isso e o barulho é quase inexistente. É pois uma viagem muito confortável.
A viagem durou uma hora e meia e custou 60€, em classe 2, ou seja, entre a executiva e a normal.
Pareceu-me um preço caro para aquilo que são os nossos rendimentos em Portugal, mas na verdade -avaliando o custo/benefício- foi um percurso eficaz e muito funcional.
A estação, tanto de Atocha em Madrid, como a de Delicias em Saragoça, são as mesmas estações que os outros comboios usam, pelo que não vi obras megalómanas à volta deste meio de transporte.
Depois há um extra que são os lounges dos passageiros, têm variedade de bebdidas e alguns snacks, o suficiente para "enganar o estômago" e para esperar confortavelmente pelo AVE.
Finalmente as pessoas. Ambas as viagens (ida para Saragoça e regresso a Madrid no dia seguinte) tinham muita gente, dá ideia que a dimensão de Espanha justifica este tipo de viagens, em deterimento do avião, visto que se fazem a partir de estações no centro das cidades, não existindo perda de tempo em deslocações pendulares para os aeroportos.

Já em Portugal, onde temos um Alfa que podia ser mais rápido e mais bem aproveitado, dá ideia que o TGV será um brinquedo. Pior do que isso, um brinquedo caro e que talvez não necessitamos assim tanto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Viagens Electrónicas

Regra geral muitos dos meus amigos, e alguns colegas, dizem-me que “ando sempre fora” ou que “tenho sorte porque passo o tempo a viajar”. Esta é uma realidade que não é assim tão linear.
Realmente, o trabalho que tenho faz-me levantar voo muitas vezes, a maior parte delas para a Europa Ocidental, algumas vezes para os Estados Unidos e (poucas)  para a América do Sul e África.

Mas nem sempre a “viagem” é um momento tão agradável.
Em geral estas viagens surgem por convite de uma marca que tem os seus produtos para apresentar aos media, parceiros ou distribuidores. Muitas vezes estas apresentações implicam a ida antecipada e acabam por ser atafulhadas com eventos e extras que, sendo simpáticos, em nada contribuem para o bom aproveitamento do tempo de quem trabalha nesta area.
Sendo assuntos temáticos, as pessoas que acabam convidadas pelas marcas são muitas vezes as mesmas, pelo que de x em x tempo há pessoas que trabalhando na mesma cidade só se encontram em Paris, Londres ou Berlim.

Na área da tecnologia há um fenómeno curioso. A Apple. Regra geral toda a gente tem um destes equipamentos, é uma questão de ditadura da marca da maçã. Eu comprei um portátil porque sempre gostei da funcionalidade do sistema operativo, mas o mais comum são os iPod e os iPhone. Mais recentemente os iPad começam a ganhar espaço nas malas de viagem. Têm uma vantagem significativa, muitas vezes o texto já chega escrito a Lisboa. 
Outro aspecto curioso, e por vezes caricato, é a busca de wi-fi / free wireless. O primeiro passo quase imediato na chegada a um evento, feira ou hotel é ver se há rede wireless aberta e com isso ter acesso a conteúdos, redes sociais e e-mail. É um must correr os menus de conectividade....

Mas voltando às viagens, há um lado menos agradável... as perdas de tempo.
Antes do voo é sempre uma hora e meia, depois à chegada o transfer para o hotel, depois a espera para o jantar, depois as horas marcadas pelas marcas que nem sempre são compatíveis com a movimentação de 100, 200 ou 300 convidados. Em muitas das viagens há ainda escalas aéreas. Se o avião de origem se atrasa na saída (muito comum) há o stress de ter, ou não, ligação ao voo seguinte, a corrida entre terminais de Londres ou Frankfurt (o mais comum), as bagagens que não chegam ou (o mais clássico) os voos que são às x horas mas que só saem à 2h ou 3h depois obrigando a ficar num aeroporto, que é um espaço totalmente impessoal, virado para a passagem e não para a estada. As lojas são as mesmas, os preços para cima de caros e a comida -em geral- é má e só nos faz sempre, mas sempre, ter saudades de Portugal.

Há ainda o fenómeno dos hotéis. Mais design ou mais conforto, mais lifestyle ou mais fashion, a verdade é que um hotel é um hotel, no big deal. Um quarto, uma cama, uma tv, uma casa de banho e depois o mesmo de sempre, pequenos almoços que são iguais em todos os países, com rarissimas excepções, horas para tudo. Tem graça nas primeiras vezes, aborrece nas seguintes, deixa de ser uma novidade e passa a ser rotina previsível.

Para o fim ficam as chamadas “actividades”. Os jornalistas, produtores e convidados em geral são várias vezes convidados para um passeio no rio x, na torre y ou para uma visita ao local z. Giro? Sim, algumas vezes, mas num mercado em que as redacções minguam a cada ano e em que as pessoas são cada vez menos, a perda de tempo -muitas vezes um dia inteiro- com estas estas actividades obriga, muitas vezes, a compensações com noitadas e trabalho extra nos dias seguintes, o que seria desnecessário se a apresentação ou a viagem se ficasse pelo essencial.

Ao nível dos conteúdos estas viagens têm também um misto de Public Relations (PR) com vendas. Cada marca tem sempre o máximo cuidado nas apresentações. Tenta-se que nada falte e, imagino eu, gasta-se dinheiro de uma forma absolutamente escandalosa. 
Cada produto, cada expositor tem um sentido e há sempre um PR de serviço para “ajudar”. Tenta-se puxar pelas características distintivas do produto, mesmo que por vezes se sinta que são absolutamente inexistentes e que na realidade assentam em pseudo-vantagens que não acrescentam nada ao mercado ou mesmo à linha de produto anterior.
Muitas das vezes há apresentações com os responsáveis de marca, directores gerais e afins. Cada marca consegue sempre ser líder em alguma coisa, se não for na Europa, é no Benelux, se não for no Benelux é na notoriedade, se não for na notoriedade é na percepção do cliente com base no estudo x ou y.
O mercado tecnológico é muito dinâmico e estas situações acontecem frequentemente, sendo que muitas vezes são claramente desprovidas de verdadeiro valor naquilo que, para o cliente final é o mais importante, o produto.

Depois há ainda um "detalhe" muito importante: 15kgs de material vídeo, entre câmara e equipamento em geral, mais a natural mala ou maleta pessoal. Pode parecer pouco, mas horas seguidas a carregar isto atrás, muitas vezes às costas fazem-me, muitas vezes, olhar para muitas destas coisas com um distanciamento menos comum ao que seria normal.

Enfim. No geral, esta é uma actividade recompensadora, permite correr uma série de locais, cidades, países, mas -como em tudo- tem aspectos que poderiam perfeitamente ser modificados e melhorados.

Durante uns dias vive-se uma realidade alternativa, depois aterra-se na Portela, em Lisboa, e tudo regressa ao normal. A começar pelo (mau) serviço da Groundforce com as malas e seguindo depois para o preço do parque de estacionamento...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Se forem a Saragoça têm de ir aqui

Chama-se Casa Montal e existe desde 1919. Fica no centro de Saragoça e é um local fascinante. É uma antiga casa senhorial que foi transformada num multiusos cheio de requinte, sem no entanto ser extravagante e sem perder as suas origens.
Tem um museu, uma loja gourmet e uma garrafeira fantástica. Tem os presuntos pendurados no tecto e no piso de cima tem um restaurante que é de um bom gosto tremendo,
A recente viagem de trabalho terminou aqui, com um almoço, e devo dizer que fiquei encantado com o serviço e com o local, que foi aproveitado muito bem, mantendo a tradição desta casa.
Ficam algumas fotos do espaço:






quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Nr.3: Líbia

Depois da Tunísia e do Egipto, a Líbia é o terceiro país que parece encaminar-se para uma viaregm política, seja ela qual seja. A diferença face aos anteriores é que a Líbia tem um ditador de serviço que é um louco e que não entregará o poder que tem, e da sua tribo, sem luta e sem massacrar mais umas centenas ou milhares de pessoas do seu próprio povo.
Foi curioso ver os primeiros sinais de deserção militares, com dois Mirage a evitarem as ordens de bombardear o povo e terem seguido para a ilha de Malta, onde os pilotos pediram asilo.
O facto de alguns embaixadores, tanto na ONU como em alguns países, terem entregue as suas credenciais e informarem já não representar este país é também um sinal fascinante do que certamente se seguirá nos próximos dias. Especialmente para um estado tão fechado, desde 1969, como a Líbia

Outros países como o Barhein, Argélia, Marrocos e Iémen parecem tentar seguir este caminho, mas falta saber se haverá uma 4ªrevolução ou não.
Até agora, estes levantamentos contra os ditadores de serviço parecem ser sequenciais, como se cada uma delas tivesse uma ordem para acontecer. No caso da Tunísia, o ditador de serviço fugiu. No caso do Egipto, o ditador de servço vive agora na cidade turistica costeira e há quem diga que a revolução não foi completa, neste caso da Líbia o ditadopr de serviço mantém-se na liderança do estado, falta saber até quando.

Uma nota de destaque para duas situações:
- para além da vontade de mudança dos povos, estas revoluções assentam numa massa de povo jovem, mais informado, assente nas redes sociais e organizados através das mesmas;
- falta perceber o que vai saír destas revoluções, o que vai emergir a seguir. É que os movimentos islamitas espreitam e a simples troca de um regime ditatorial por outro que pode acabar por ser idêntico, nem sempre pode ser uma boa notícia, especialmente porque o norte de África é muito próximo da velha Europa, onde já temos problemas que cheguem.

Por agora vivem-se tempos de revolução.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

No Seixal está tudo bem (dizem)

Um jogo de futebol em Arrentela, uma troca de argumentos entre um residente e a autoridade e a "panela de pressão" deu os primeiros sinais de querer rebentar.  Esta notícia do Público já é do segundo dia de problemas na Arrentela, no primeiro dia foram uns caixotes de lixo e uns carros, no terceiro dia (ou noite) as equipas de Intervenção Rápida dominaram o terreno para não haver mais problemas.



Para o Presidente de Câmara, visto que manifestamente não consegue atacar o governo de serviço nesta caso, o problema é pontual, mas a verdade é que -infelizmente- não é.
Este pequeno levantar da "panela de pressão" em que assenta o Concelho do Seixal é o segundo, o outro foi há uns tempos na Quinta da Princesa e tem tido vários episódios pontuais numa luta cega entre este bairro e o ilegal Vale de Chicharos.

Outros se irão levantar, Vale de Chicharos, Santa Marta de Corroios (na foto o bairro de lata inqualificável que subsiste nos dias de hoje por mera falta de vontade do municipio), Cucena, Quinta da Princesa, etc.
Os problemas económicos ditarão esta revolta, começa por faltar o pão, depois os extras, depois virá o restante.

O municipio rapidamente culpará o poder instalado no governo e as políticas anti-sociais dos mesmos, seja o governo qual seja, faz parte do DNA dos dirigentes locais, que preferem sacudir a água do capote, em vez de planear o espaço urbano de forma sustentável, obrigando a um urbanismo digno, com mais sabedoria e menos caixotes acomulados uns em cima dos outros, num governo municipal aparentemente subordinado anos e anos aos interesses dos chamados "patos bravos".
A política de integração social no Seixal tem tido pontos bons e maus, é normal, mas a verdade é que basta andar nas ruas, viver as localidades para perceber que esta integração -dita de sucesso pela autarquia- não é mais do que uma fachada, uma panela de pressão que um destes dias rebentará.
Falta saber com que consequências e nas mãos de quem.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Já não há vergonha na cara

Esta notícia da TVI, que refere a ida de Armando Vara a um centro de saúde onde "entrou a matar" para obter um atestado, mostra bem a falta de educação, de cumprimento de regras sociais e de estrutura moral desta(s) pessoa(s).
Sem esperar vez, eventualmente sem pagar taxas moderadoras (sim, porque não é nenhum reformado de 200€) e abusando da sua imagem de figura pública este ex-ministro, ex-banqueiro e ex-humilde funcionário da CGD mostra que os valores e a ética neste país estão totalmente subvertidos.

Mostra, esta situação, que o nosso primeiro ministro e secretário geral do meu partido é uma pessoa com muito "azar" com os amigos. Quase não há mês que um deles não seja notícia por alguma coisa e nem sempre pelas razões mais felizes.

Esta situação com Armando Vara e a sua ligação estreita a José Sócrates faz-me sempre lembrar aquele ditado: "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és".
Uma vergonha (ou falta dela)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Bons exemplos

Hoje, em trabalho, tive oportunidade de visitar uma unidade de trabalho altamente especializado da Olympus, em Coimbra.
Não fazia ideia da existência deste tipo de unidade fabil, que basicamente presta apoio de manutenção, reparação e calibragem de equipamentos ópticos (máquinas fotográficas e binóculos) de todo o sul da Europa, África e Médio Oriente.
Ao que nos dizem são a unidade mais eficiente, com mais baixo tempo de resposta e mais baixa taxa de rejeição de reparações em todo o mundo e são um excelente exemplo de como vamos sendo capazes, apesar de todas as dificuldades politico-financeiras, de conseguir estas bolsas de trabalho e de actividade com valor acrescentado.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O momento actual.

Mais uns "traços" de Henrique Monteiro, o cartoonista do Sapo, que resume a actual situação política do nosso país.

A melhor opção

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Bloco de interesses irresponsáveis

Mostrando aquilo que o fundamenta ideologicamente e aquilo que o move verdadeiramente, ou seja, a luta contra o governo, o Bloco de Esquerda apresentou ontem uma iniciativa que terá o seu epílogo no dia 10 de Março. Uma moção de censura ao governo.

Mas que move o Bloco?

-Quer fazer parte de alguma solução governativa? Não creio, nem o PS está para ai virado nem o BE tem, ou daria, credibilidade a governo algum.
-Querem marcar uma posição no Parlamento? Talvez, mas fazem-no da pior forma possível.
-Querem abrir a porta à direita no governo? É o que parece. Aliás, na semana passada tinham referido que qualquer moção apresentada pela esquerda seria um abrir de porta à governação de direita.
-Querem marcar pontos na luta pelo título de "campeão da 2ªdivisão" com o PCP ? Dá toda a ideia disso, mas este tipo de jogo vai-lhes sair caro e o PCP é bem capaz de sair por cima, no que diz respeito à política do contra.

O que se segue então?
A meu ver a moção acabará por não passar, o Bloco fica meio preso aos seus ideais anto-nato, anti-governo, anti-pcp, anti-capitalismo, anti-tudo e o PS, se souber gerir bem esta situação ainda acaba por encostar o PSD a esta vinculação de voto e mostrar definitivamente que nem PCP, nem BE são -alguma vez- soluções de governo para o que quer que seja.

Situações destas, num país em claras dificuldades, com um governo que mostra algumas carências mas que apesar de tudo tem mostrado serviço e com os olhares do mundo financeiro sobre si, são absolutamente dispensáveis e o exemplo do PRD em 1985, que desapareceu do espectro político depois de uma brincadeira destas, deveriam fazer o Bloco pensar duas vezes.

Ou seja, Louçã acaba por fazer com esta moção aquilo que melhor sabe fazer: Folclor



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Kirby para a Wii, o jogaço para a família.

Depois da E3 em 2010 já tinha ficado alerta e já tinha perguntado ao Nelson Calvinho, quando estaria por cá. "Talvez para o fim do ano" foi a resposta. O ano 2010 acabou, mas o  Fevereiro de 2011 vai trazer finalmente o Kirby.

Experimentei-o esta 6ªfeira e jogar é muito melhor do que ver o vídeo. Para além de encantador, colorido e divertido, o jogo é acessível, intuítivo e lança desafios muito inteligentes. É um jogo que pode ser jogado a uma só pessoa, mas que ganha toda uma nova dimensão de entre-ajuda e de cooperativismo quando jogado a 2 ou mais jogadores.
Os níveis sucedem-se um a um e os mistérios que se abrem com os nossos movimentos levam-nos a ficar ali, colados ao Kirby tempo sem fim.
Adorei jogar e recomendo vivamente. Kirby é mais uma prova da capacidade creativa que a Nintendo Wii permite, sem ter necessidade de ser 3d, Hd e mais outras siglas do género.
Sai dia 25 em Portugal.

   

Este foi ainda um momento para ver alguns dos jornalistas de videojogos agarrados ao ponto cruz, ou seja à agulha e à linha. Eu também fiz o gosto ao dedo e o próprio Calvinho não falhou ao desafio.
Pode ser uma profissão de futuro para alguns, quando os videojogos já não derem trabalho :)





Depois da Tunísia e do Egipto ?

Para além da natural vontade dos povos, conseguirão as redes sociais, que ligam hoje em dia cada vez mais pessoas, fomentar mais uma revolta no sentido da liberdade de escolha?
Parece agora ser na Argélia o take 3 de uma revolta que parece estar a atravessar o norte de África.

Ler aqui: http://aeiou.expresso.pt/argelia-manifestantes-pro-democracia-detidos=f631804