Disclaimer 2: No meu trabalho escrevo muitos conteúdos, textos e offs para tv.
Disclaimer 3: Este é um post sobre um misto de desenrrascanso tuga e alguma lata
Disclaimer 4: O termo "chninoca" não é depreciativo, é só porque, em geral, os Chineses são pequenos
Posto isto só ficam para ler se quiserem, ok ?
Dia 1 da Cebit 2011. Milhares de pessoas atravessam as cancelas de entrada logo às 9h00 da manhã. Eu tinha objectivos muito precisos: Intel, MSI, Fujitsu e depois palmilhar pavilhões em busca do que houvesse de interessante. Assim foi. Devo ter feito uns valentes kms de um lado para o outro em pavilhões cheios, essencialmente, de chinocas, taiwandeses e alemães.
Era eu e o meu trolley, com rodados, onde transporto a camara de vídeo, um iluminador, cabos, microfone, pilhas, um tripé, cassetes, baterias e um caderno para notas.
Logo à chegada da conferência da Intel reparo no meu primeiro disparate do dia: à falta de uma carteira de jornalista (que por conseguinte me impediu ontem de ter um badge de "Presse") e de um cartão de funcionário da empresa, pediam-me um cartão pessoal de visita. Fácil, pensava eu, tinha trazido um lote já a pensar nestas coisas.Wrong! Os cartões tinham ficado no casaco, que por conseguinte ficou no hotel, que (por sinal) fica a 20kms da Hannover Messe !!!
Toca então a tentar explicar, em inglês, à RP da Intel: "sabe sou de um um programa de televisão, em Portugal, os meus colegas mandaram-me aqui para ver o que se passava e gravar alguma coisa que possa ter interesse...".
A senhora, meio escandalizada e certamente descrente da minha explicação, fala em alemão para a colega do lado que lhe diz que sim e faz um gesto que interpretei como "pronto... deixa lá passar este gajo, que vem lá não sei de onde e que não tem sequer uma identificação..... ainda nos fica aqui a atrapalhar a entrada e depois é pior".
Assim foi. Etapa nº1 superada.
(na foto: um austríaco que é da minha equipa: stand alone / one man show)
Etapa seguinte: MSI. A indicação que tinha era do primeiro dual pad a ser apresentado.
Lá tive de atravessar os primeiros kms entre o Centro de Convenções e o pavilhão. Lá chegado tive de consultar o mapa do pavilhão, tal é a enormidade e quantidade de expositores presentes.
Quando encontro o espaço da MSI dirigo-me ao local e explico ao que venho.
Pergunta imediata do chinoca de serviço: tem um business card? !!!
Here we go again......... "não, não tenho, ficaram no hotel, mas venho de um programa tv de uma revista em Portugal, etc, etc, etc"
Foi aqui que o baralhei.
O sujeito ficou sem perceber se era uma revista ou um programa de tv que ali me levava e vai dai chama outro asiático.
Nova explicação, novo pedido de um "business card", nova explicação sobre terem ficado no hotel e mais uma vez a cara desconfiada do costume.
Apesar de tudo lá se fez a coisa. O primeiro chinoca mostrou-me o protótipo do Dual Pad e explicou a ideia em que o mesmo estava baseado.
Pedido seguinte: "posso gravar em vídeo uma questão ou duas consigo?"
Resposta asiática: "oh, oh, oh... á dónt noo".
Chama o anterior asiático de serviço, liguagem imperceptível entre eles e lá veio a vénia, que deu a autorização.
Mais uma etapa superada e o dia parecia estar a sair de um conto fantástico!
Nisto passaram-se duas horas e a fome apertava. Começo a fazer uma ronda pelos restaurantes do local (evitei as "roullotes" de salsichas) e encontrava preços entre os 22€ e os 30€, só para o "main dish": Com acompanhamento e bebida era repasto para se atirar aos 40€.
Como o meu patrão é uma pessoa simpática, e não tem culpa da inflacção alimentar da Cebit, resolvi tentar ver o que havia no Centro de Imprensa, pois ontem tinha ficado com a ideia de ter visto comida por aqueles lados.
Bingo! Estava disponível um self service com preços módicos, entre os 6€ e os 12€ para o main dish.
Problema seguinte: À entrada a placa era bem clara "Journalisten / Journalists only"
Solução: Tentar a atitude de luso-chicoespertismo e entrar logo à frente de um grupo grande.
Vou para a fila, escolho o meu almoço (que por sinal só vai custar ao meu patrão 11,90€) e à saída lá está um alemão de 1,90m a pedir-me o "press id card".
É neste momento que importa ter capacidade teatral: Procuro no bolso, na carteira e faço uma cara de indignação para comigo mesmo, respondendo num inglês zangado: "bolas, deixei lá em cima na sala de imprensa. Tenho mesmo de deixar aqui a comida para ir buscar?"
Perante o grupo que estava atrás de mim (uns 6 ou 7) o alemão de serviço rapidamente esqueceu o necessário cartão e apostou que o meu tripé e a mala eram uma espécie de 2ªvia do cartão de imprensa.
Etapa superada, embora a comidinha desta gente me faça sempre ter saudades de casa....
Finalmente, durante o almoço recebi uma chamada do infantário sobre um suposto mail que não tinha respondido.
Problema seguinte: ter acesso à net.
Com as redes wi-fi todas fechadas e com a Deutsch Telecom a cobrar 5€ por 15 minutos de acesso wi-fi no telemóvel, a solução passava mesmo por encontrar uma solução e só me lembrei do centro de imprensa.
Problema seguinte: entrar no centro de imprensa da Cebit, sem cartão de "Presse", sem cartão da Sigma3 e sem cartões pessoais.
Solução encontrada: Sacar a camara de vídeo da mala e colocá-la numa mão, pegar com a outra no trolley e subir ao 2ºpiso. Ali havia que mostrar um ar apressado e conhecedor do local, era igualmente importante não fazer questões e entrar com um "boa tarde" como se já por ali tivesse passado.
Assim fiz, straight forward. As senhoras à porta ainda me deram dois sorrisos simpáticos e lá estava eu, no "Cebit 2011 Presse Center" onde consegui ter acesso ao mail e dar a tal resposta ao tal mail, para além de actualizar uns posts e de ver o mail da Sigma3. Mais um desenrascanso.
Curiosamente as situações menos comuns terminaram por aqui. Os dois conteúdos que ainda fiz de seguida foram "normais", ninguém me pediu cartão de imprensa e ninguém colocou grandes questões pelo facto de não ter sequer um cartão de visita para dar em troca. Talvez por serem empresas europeias e também mais habituadas às centenas de meios de comunicação social que os abordam nestes eventos.
A verdade é que os acontecimentos da manhã fizeram de mim uma espécie de pelintra na Cebit, não enganei ninguém, mas tive de me socorrer de umas formas menos comuns de conseguir superar as dificuldades encontradas e que, na génese, não foram criadas por mais ninguém senão por mim próprio.... stupid me
No meio disto tudo, no momento do almoço, veio-me à memória esta música (ver em baixo) que não tem nada a ver com o assunto mas que fala da capacidade do tuga se virar fora de portas do seu país.
Um clássico a encerrar a estada na Alemanha, num trabalho que gostei muito de fazer. Espero agora ter boas imagens.


















