segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A boa notícia que vai custar caro em 2013

Corte só a partir dos 600 euros e perda de dois subsídios acima de 1100 euros - Economia - Jornal de negócios online

A notícia tem um título bonito e pomposo, mas vai dar problema (e dos grandes) em 2013.
Ou seja, o governo tinha tomado uma medida penalizadora dos funcionários públicos e pensionistas. Essa medida, se bem que dura, permitia ao estado poupar na despesa, por via dos custos. Depois veio a pressão do nosso PR e o efeito da greve geral. Veio também o PS que insistiu numa medida deste tipo e que acabou por sair vencedor desta "contenda".

O problema é que este alivio vai fazer aumentar a despesa e, para o compensar o governo resolveu aumentar 4% a tributação sobre as mais valias.
Aqui está a parte que vai correr mal. Ora com as bolsas em quedas há 2 anos, as mais valias do short-selling, serão suficientes para compensar este alivio aos subsídios agora anunciados?

Eu creio que a meio de 2012 nos vão dizer que não e que as receitas dos 4% extra de tributação não cobrem o aumento de despesa.
Depois, nessa altura as más notícias para 2013 serão dadas, eventualmente em duplicado. Veremos se me engano, espero que sim.

No final resta algum sabor a vitória para o PS que puxou por uma solução mista, que não alterasse o sentido do acordo com os nossos credores,ao mesmo tempo que permitiu puxar por alguma folga que o orçamento, de facto, tivesse.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A democracia é algo que necessita apenas de uma pessoa

Pela Madeira parece que se encontrou a forma de poupar nos custos do estado. Em vez de 100 ou 180 deputados, elege se só um que vale por todos.
Esta votação regimental é uma absoluta vergonha e a prova que os deputados do PSD Madeira gozam mesmo com o pagode, sem ligar ao ridículo que as suas próprias decisões geram.
Tudo uma cosa.nostra montada que se auto alimenta. É cortar lhes o alimento, urgentemente

http://aeiou.expresso.pt/madeira-voto-de-um-deputado-pode-valer-por-25=f689777

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Perguntar não ofende: E o Isaltino?

Depois de notícias e mais notícias, recursos perdidos e recursos interpostos, alguém sabe se o Isaltino Morais já foi preso, para cumprir a pena a que a justiça o condenou?
É que há quase 20 dias que se esgotaram os recursos. Será assim tão difícil cumprir uma aparente decisão judiciária?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perceber porque (ainda) "andamos de carro"

Muito se fala de crise, de défice e de cortes. O que muitas vezes não é explicado pelos media (muito menos pelos governantes) é que dependemos, em muito, dos empréstimos externos para manter um padrão de vida a que nos fomos habituando, mas que manifestamente não temos capacidade de manter.

No fundo é como ter um Ferrari, mas não se pode andar com ele porque gasta muito.
A ilusão do crédito fez-nos parecer ricos, mas na verdade somos o que sempre fomos, remediados, gente com vontade e talento, mas a quem falta -definitivamente- a capacidade de gestão.

A frase é de Fernando Alexandre, da Universidade do Minho, o artigo completo pode ser lido em baixo
"...Confesso que no actual contexto, em que nos conseguimos financiar através da ajuda financeira dos outros países, me faz muita confusão que os portugueses, incluindo muitos reformados de rendimentos médios ou elevados, continuem a passar férias no Brasil ou nas Caraíbas. Não sei se os portugueses já perceberam que só temos gasóleo nos postos de abastecimento porque nos emprestaram dinheiro."

Links para notícia/entrevista: http://economia.publico.pt/Noticia/corte-do-14-mes-para-as-reformas-acima-dos-1500-euros-mensais-devia-ser-definitivo-1521855

Coisas que não mudam

Por muito esforço que se faça para tentar perceber este homem, tudo se resume a isto:  Absoluta indiferença face ao país e total nepotismo nos gastos que faz por conta do estado. Mesmo com grande parte do país a poupar nos custos, na Madeira não faltam as iluminações, pagas a peso de ouro aos mesmos de sempre.
Tal como já disse outras vezes: só se resolve a tiro.
Ler notícia aqui: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=520719

domingo, 23 de outubro de 2011

Fim de semana no Alentejo

Rumo a sul para descansar. Para além da componente familiar, o silêncio da aldeia, o som dos pássaros, o tempo que passa com tempo e a Matilde que encontra sempre brincadeira com a sua amiga Maria, são factores mais do que convincentes para não hesitar na fuga temporária á Babilónia.
Impossível arrepender-me.


As anunciadas medidas de austeridade

A apresentação do orçamento de estado para 2012 trouxe com ela o anúncio de cortes significativos de despesa do estado, que na prática a pouco mais se resumem do que ao corte dos subsídios de férias e de Natal de grande parte dos funcionários públicos, bem como de identicos pagamentos aos reformados e pensionistas LINK
Esta medida tem tanto e injusta como de absolutamente compreensível, mas na verdade irá fazer recair nos trabalhadores o onus do desejado decréscimo do déficit do estado.

A medida é compreensivel á luz da necessidade de redução de despesa, pura e simples. Como cerca de 60% da despesa do estado se refere a salarios, custos sociais e pagamento de pensões, a redução de 1 ou 2 subsídios ao longo de dois anos fará poupar ao estado muito dinheiro e com isso diminuir a despesa que produz. Olhando friamente para os números não deveria haver outro ponto que fizesse tanta diferença e tão imediata quanto este. Isto não faz no entanto desta, uma medida justa.

A medida é injusta. Cai em cima dos trabalhadores do estado e dos reformados todo o onus de pagar uma redução déficit que muitos não ajudaram a criar, ao mesmo tempo que retira dinheiro á economia, pois o simples anúncio de uma medida desta dimensão faz com que as pessoas passem a ponderar ainda mais todos os gastos visto que o seu rendimento disponível reduz-se de forma dura e significativa.
Injusta ainda mais quando se percebem que situações que deveriam fazer parte de processos em tribunal são causadoras maiores deste problema que vamos enfrentar nos próximos anos. Falo dos BPN, das parcerias publico privadas e da Madeira.

Toda a escalada de contestação que estas medidas vao trazer e todo o sentimento de injustiça perante outros gastos do estado que poderiam ser cortados e não o são, vão cavar ainda mais fundo o fosso entre ricos e pobres neste país, mais ainda tendo em conta que os poucos que restam na dita classe média tendem a ficar mais pobres.
As dificuldades que esperam os portugueses no ano que vem não surgem só dos cortes de rendimentos. O aumento de impostos, seja pela redução de deduções seja pelo aumento de serviços como a electricidade ou de impostos, como o IMI, fará de nós todos pessoas mais pobres.
Fica sempre a sensação que vamos voltar um bocadinho aos primórdios dos anos 80, onde eramos quase todos remediados, viviamos sob intervenção externa do FMI e os luxos a que nos vergamos nos últimos anos eram, então, uma miragem ou o resultado de muitos meses a poupar para os ter.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Opinião pessoal - Razões para chegar aqui.

Os meios de comunicação existem num espaço livre, mas concorrencial, por isso mesmo abafam-se uns aos outros com o ruído que produzem diariamente e que torna difícil distinguir os fait-divers da notícia. Mais uma vez se demonstra á exaustação que, de facto, o meio condiciona a forma como a mensagem é transmitida e esta adopta as características do meio que a divulga.
Falou o primeiro ministro, falaram os ministros, comentaram os jornalistas e os comentaristas residentes.

Desta salganhada toda resulta algo que há anos que comentamos aqui na Sigma3:
- somos um país pobre a "fazer figura e rico com as calças dos outros";
- a oferta fácil dos bancos e o desejo hedonista das pessoas levou-as a comprar coisas que não podem pagar;
- o estado é grande demais, consome muitos recursos para colocar quase nada na economia e tem gente (muita gente) a mais;

Claro que um dia o crédito ia acabar, como acabou, e os "novos ricos" estão a voltar, a pouco e pouco, ao que sempre foram, gente remediada, muitos honestos e trabalhadores, a maioria sem condições verdadeiras para sustentar aquilo que a ilusão consumista os levou a adquirir (muitas vezes a crédito e a taxas absolutamente irreais).
Entertanto vamos ter de mudar de vida e, dramaticamente, muitos não sabem o que fazer. Foram habituados a comprar na loja, a tirar da prateleira do supermercado, a comprar para ganhar tempo. Isso agora vai mudar e vamos ter de ser capazes de inovar, de gerar produtos e serviços que interessem a alguém comprar e vamos ter de nos superar para ser melhores que o resto da concorrência, pois há um mundo lá fora a concorrer conosco, algo que muitos sindicatos insistem em não perceber e que muitos políticos, empresários e funcionários das empresas do estado tendem a sacudir do capote.

De algum modo há (e vão haver mais) casos que são dramáticos, de pobreza e de incapacidade de ter ser viável financeira e pessoalmente, mas confesso que há um caso em particular de quem não tenho pena nenhuma, os construtores civís e os autarcas que betonizaram o território até ao impossível, sobrando agora milhares de casas não ocupadas, inacabadas e sem procura. Uns porque tinham capital para pagar as taxas de que viviam as autarquias, outros porque dependiam dessas taxas para manter os gastos das suas autarquias e todos os funcionários, amigos, amigas, namorados, maridos e, certamente, familiares, a quem arranjaram emprego "a fazer qualquercoizinha...".

O crédito acabou, José Sócrates e o PS (que, diga-se, fizeram uns péssimos 3 últimos anos de governação) foram eleitos os culpados de tudo e a imprensa, no geral, ajudou na festa, carregando uma espécie de vingança bacoca, para dentro das notícias e do espaço dos media. Rei posto, rei Morto, como se costuma dizer.

Veio um novo governo, vieram as conferências de imprensa do ministro das Finanças (por quem nutro simpatia pela forma de encarar as coisas) nas quais algo era sempre cortado (em geral os salários) e agora chegou-se quase, quase á cereja do bolo (sim, ainda vai vir pior, esperem por meados de 2012). Esta quase cereja é o orçamento para 2012 e tudo aquilo que ele trás associado.

Como diria Bruno Nogueira: "têm aqui o governo em que votaram, aproveitem". Tanta era a ânsia dos partidos de esquerda em derrubar o PS (porque, segundo eles, tinha políticas de direita), que agora lhes estão a cair em cima as consequências deste acto, ou seja, agora têm um governo que corta pensões e subsídios e que é verdadeiramente de direita.

Nos anos 80 o meu pai tinha um pequena hortinha onde cultivava muitos dos legumes que consumiamos em casa, muitos pensaram que esse tempo já tinha passado. Eu acho que está cada vez mais presente e que, em muitos locais, o dia a dia das pessoas vai regressar aqui. Vamos perceber que perdemos 30 anos.

Coisas que se impõem - Extinção das pensões vitalícias para ex-políticos

Numa altura em que os sacrifícios que se avizinham são enormes, faz algum sentido manter as pensões vitalícias a ex-titulares de cargos políticos?
Esta é uma situação que foi revogada em 2005 -lembro: por um governo PS- mas que se mantém para todos os que nessa altura tinham direito á mesma. Mesmo que seja paga 12 vezes por ano e não 14, como a generalidade das pensões, custa ao estado (a todos, portanto) 8,8 milhões de euros por ano.

A meu ver inteligentemente, o CDS levantou hoje a questão de manhã e já surgem as notícias de ser essa a vontade de um dos partidos da coligação de governo (ler: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1263&did=35091 ). Não só marca a agenda, como ganham espaço face ao PSD, seu "camarada" de coligação. É uma medida popular e, a meu ver, absolutamente justa.

Sobre isto, há duas questões pessoais que importa levantar:
1) porque não foi o PS a levantar este assunto? Na oposição, com pouco espaço para fugir ao acordo assinado com as entidades que nos emprestaram dinheiro para pagar as contas, e com pouca margem para "brilhar" na opinião pública, o que estaria à espera o PS para assumir a defesa frontal desta medida? Teriamos de ter chegado primeiro, teriamos de ter sido os autores, agora seremos sempre os que "concordam com o CDS".

2) no âmbito das dificuldades com que nos encontramos, mais do que fazer igual corte nas pensões vitalícias, porque não suspendê-las pura e simplesmente? especialmente para quem acomula outros rendimentos (de trabalho ou pensões)? Isto sim era uma medida de valor, não só os ex-governantes davam um sinal de responsabilidade ao país, como também era despesa púbica que o estado não tinha.

domingo, 16 de outubro de 2011

A Matilde escreveu umas coisas e quer pôr na internet

A Matilde descobriu recentemente o PC (o computador, não o partido...) e passou alguma da sua escrita manual para o computador. Devagarinho lá foi escrevendo e agora diz que quer "que eu ponha na internet, onde estás sempre (!)".
Ei-los, estes sobre as estações do ano.

***

No outono as folhas caem das árvores e estas ficam despidas
A noite fica maior e os dias mais pequenos. E estamos mais vezes em casa.
As folhas ficam amareladas e caem para o chão da rua.
No outono o tempo fica mais frio e com mais vento e por isso vestimos roupa de manga comprida.
As flores fecham e só abrem na primavera com os passarinhos que vêm de muito longe.
Gosto de saltar para as folhas do chão mas gosto mais do Canal Panda e dos desenhos animados da rtp2.

Na primavera tudo renasce. As flores abrem-se e os passarinhos voltam. As árvores ficam carregadas de frutos. Há também muita gente na rua e podemos brincar com os amigos mas ás vezes chove um bocadinho.
Os campos ficam mais verdes e cheios de flores.

No verão podemos ir á praia dar mergulhos e fazer castelos de areia.
No verão estamos de férias e podem sair mais vezes. Podemos estar mais tempo na rua com os amigos. Esta é a estação do ano mais quente e por isso a nossa roupa deve ser de cores claras.

No inverno faz mais frio e por isso vestimos casacos quentinhos. Algumas criaturas hibernam e as andorinhas voam para países mais quentes. É nesta estação do ano que chove mais e por isso passamos mais tempo em casa.

Obrigado a todo por me terem visitado na internet com os meus melhores textos que alguma vez tenham visto na vossa vida.

Matilde de Oliveira Patriarca
Externato Sol Nascente
7 anos
2ºano

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jordânia - Impressões finais

Depois da chegada a estadia. Foram dias muito, muito bons.
A comida local, assente na ausência de carne de porco e na existência de cordeiro com fartura, é muito boa. Vegetais de todo o tipo de feitio, massa de amendoim, legumes, frutos secos e outras coisinhas boas. Chás e outras bebidas afins são também normais. Nesse sentido fomos tratados como uns lordes.
Depois o local. Estivemos em Wadi Rumm, a cerce de 60kms a norte de Aqaba, no sul da Jordânia. É um local simples, com um ou outro povoado disperso, com o Parque Nacional de preservação e com a localidade de Rumm a ser a única digna desse nome. As casas têm todas um aspecto inacabado (e muitas estão mesmo), fruto da vivência local, que não tem pressas nem viva acossada por nenhum tipo de "competição social".

Um facto estranho destes dias foi o facto de só ter visto homens, quer na cidade, quer no deserto. Ao que os locais nos contaram, elas têm um papel muito próprio: cuidar das crianças e dos animais (cabras, ovelhas, galinhas, etc).  Aos homens fica reservado o papel de beduínos, levam os seus camelos e alguns animais para as zonas de sombra que criam com panos grossos e que se justificam, num local onde há sol 360 dias por ano e em que chove nos outros 5 ou 6.
Aliás, as pequenas aldeias de 5 ou 6 tendas, ou mesmo de tenda única são exemplos magnificos da vivência deste tipo de gente. Um pano grosso a suportar uma cobertura e uma estrutura feita de madeira, tapetes espalhados pelo cão, assentos que podem ser usados nestes locais ou nas bossas dos camelos, chás, cachimbos, um velho sofá ou outro e a fogueira constante, onde velhas chaleiras vão aquecendo a água que acalma o espírito.
Em um ou outro destes locais também há bancas de recordações, pois os turistas mais aventureiros vão aparecendo e há que fazer negócio.

Depois a paisagem. Deserto, quente mas com sensação humana, sem ser árida. Elevações rochosas do tamanho de um 8º ou 10ºandar de uma beleza despida única, é impressionante pensar como aquelas formações ali surge e é ainda mais impresionante pensar que um dia, há muitos milhões de anos ali houve mar (impressionante pensar também no tamanho dos animais que o povoariam...).  A fabulosa impressão do local continua nas cores, há amarelos, castanhos, cinza e ocre, tudo isto próximos uns dos outros, beijados pelo azul do céu.
A vegetação é pouca e de arbustos térreos, nas zonas que ainda não serviram de pastoreio ou de passagem para os animais os arbustos são mais altos e (impressionante) ainda conseguimos ver 3 árvores adultas, que estranhamente sobreviveram á aridez e aos animais.
O silêncio do deserto, a imagem crua das cores e a dimensão de tudo aquilo impressiona (e muito) qualquer pessoa e é lindo de vivenciar.

Este trabalho na Jordânia foi das viagens mais enriquecedoras a todos os níveis, o local é fantástico e dá muita vontade de regressar, em especial para um guilty pleasure pessoal. Chegar novamente a Aqaba e apanhar a linha de comboio que liga esta cidade ao norte do país. Fiquei surpreendido ao ver, de repente, junto à estrada de acesso ao local onde dormimos uma linha de comboio, mas o que me entusiasmou mais ainda foi a velha locomotiva e estas carruagens que pude ver na viagem de regresso ao aeroporto.

Grande momento e grande trabalho lá fizemos. Gostei muito da Jordânia.