Vivemos um período histórico onde é preciso recomeçar do nada uma série de realidades. Temos de gastar menos, o estado tem de ser gerador de oportunidades e não um abusivo consumidor de recursos que suga tudo para se alimentar e temos de ter capacidade de criar soluções, produtos e serviços que possamos vender num mercado global de onde não podemos fugir.
Este novo paradigma implica cortes, para já nos salários, também nos hábitos pessoais e, espero eu, no estado, que tem de deixar de ser um ninho para passar a ser um "organizador de jogo".
Também o dito "estado social" tem de sofrer cortes, é impossível com a atual pirâmide etária sustentar usos e abusos de décadas, mas tem de ser garantida saúde e educação a quem tem mais dificuldades e menos possibilidades. Limitar,com efeitos retroativos, o pagamento de reformas a um plafond máximo é urgente, por razões de populismo não será feito agora mas não levará muitos anos acontecer.
Salários e prestações sociais consomem muitos dos recursos do estado, não podem ser ignorados mas têm de ser reduzidos e controlados.
Os hábitos das pessoas também, já se percebeu, vao ter de se renovar. Temos vivido com um relativo desafogo mas poucos se lembraram que, parte desse desafogo, se deve a empréstimos externos, ou seja, temos vivido melhor com o dinheiro dos outros.
Mais cedo ou mais tarde isto teria de vir ao de cima, foi agora. Se a isto misturarmos um desencontro completo de sentido entre os lideres europeus e uma brutal especulação financeira, temos todo o 31 em que nos encontramos.
Seja como seja temos de fazer a nossa parte. Temos de produzir mais bens que necessitamos de consumir, temos de reduzir compras externas e tentar vender mais para fora, temos de sair de algum imobilismo de ideias e criar condições para que mais pessoas possam trabalhar, gerar o seu bem estar e riqueza para empresas e para o país. Há duas décadas que abandonamos em demasia a agricultura e a indústria e nos entretemos a vender serviços uns aos outros. Infelizmente isso não chega.
Isto implica, na minha opinião, ter capacidade de mobilizar pessoas e de não as enganar, nesse aspecto o actual governo é mais frontal nas ideias e nas decisões, infelizmente não tem capacidade alguma de mobilizar ninguém.
Assistem-se a reformas, todas elas associadas a subida de impostos, mas há um ponto em que isso deixará de ser possivel e ai veremos que também do lado das reformas têm de ser associadas medidas geradoras de emprego e potenciadoras de iniciativas geradoras de riqueza.


