quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vivemos tempos estranhos

Défice, divida externa, desemprego, cortes e ajuda externa são as buzz words dos últimos tempos.
Vivemos um período histórico onde é preciso recomeçar do nada uma série de realidades. Temos de gastar menos, o estado tem de ser gerador de oportunidades e não um abusivo consumidor de recursos que suga tudo para se alimentar e temos de ter capacidade de criar soluções, produtos e serviços que possamos vender num mercado global de onde não podemos fugir.
Este novo paradigma implica cortes, para já nos salários, também nos hábitos pessoais e, espero eu, no estado, que tem de deixar de ser um ninho para passar a ser um "organizador de jogo".
Também o dito "estado social" tem de sofrer cortes, é impossível com a atual pirâmide etária sustentar usos e abusos de décadas, mas tem de ser garantida saúde e educação a quem tem mais dificuldades e menos possibilidades. Limitar,com efeitos retroativos, o pagamento de reformas a um plafond máximo é urgente, por razões de populismo não será feito agora mas não levará muitos anos acontecer.
Salários e prestações sociais consomem muitos dos recursos do estado, não podem ser ignorados mas têm de ser reduzidos e controlados.
Os hábitos das pessoas também, já se percebeu, vao ter de se renovar. Temos vivido com um relativo desafogo mas poucos se lembraram que, parte desse desafogo, se deve a empréstimos externos, ou seja, temos vivido melhor com o dinheiro dos outros.
Mais cedo ou mais tarde isto teria de vir ao de cima, foi agora. Se a isto misturarmos um desencontro completo de sentido entre os lideres europeus e uma brutal especulação financeira, temos todo o 31 em que nos encontramos.
Seja como seja temos de fazer a nossa parte. Temos de produzir mais bens que necessitamos de consumir, temos de reduzir compras externas e tentar vender mais para fora, temos de sair de algum imobilismo de ideias e criar condições para que mais pessoas possam trabalhar, gerar o seu bem estar e riqueza para empresas e para o país. Há duas décadas que abandonamos em demasia a agricultura e a indústria e nos entretemos a vender serviços uns aos outros. Infelizmente isso não chega.
Isto implica, na minha opinião, ter capacidade de mobilizar pessoas e de não as enganar, nesse aspecto o actual governo é mais frontal nas ideias e nas decisões, infelizmente não tem capacidade alguma de mobilizar ninguém.
Assistem-se a reformas, todas elas associadas a subida de impostos, mas há um ponto em que isso deixará de ser possivel e ai veremos que também do lado das reformas têm de ser associadas medidas geradoras de emprego e potenciadoras de iniciativas geradoras de riqueza.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

WIFI nos aeroportos. Um bom exemplo

Com o aumento exponencial dos smartphones e tablets o acesso web é fundamental.
Se considerarmos um aeroporto, onde estão pessoas em lazer, mas também em trabalho, então esse acesso é fundamental.
Os aeroportos tem as mais variadas praticas. Em Lisboa os clientes Vodafone e Pt/tmn tem acesso grátis através das suas operadoras, de resto paga-se, a partir de 2€ cada hora.

No meio de tantas viagens tenho visto de tudo, acessos totalmente grátis, acessos pagos a 7€/hora e, o melhor exemplo de todos, o aeroporto de Genebra.
Aqui, onde estou agora, a primeira hora é grátis e a partir daí há um custo de 4€/hora.
Esta hora permite uma consulta breve ao mail, um olhar aos jornais e redes sociais e ainda mais qualquer coisa. Tendo em conta que se pagam taxas de aeroporto esta é uma boa prática.

Senhores da ANA, leram? :-)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

Árvore de Natal

Aqui a tradição ainda é o que era, especialmente devido ao total empenho da Cristina e a alguma ajuda, na parte dos flocos de neve, da Matilde.
Depois de ligadas as luzes esta é a imagem da nossa base da árvore.
Bonita.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A boa notícia que vai custar caro em 2013

Corte só a partir dos 600 euros e perda de dois subsídios acima de 1100 euros - Economia - Jornal de negócios online

A notícia tem um título bonito e pomposo, mas vai dar problema (e dos grandes) em 2013.
Ou seja, o governo tinha tomado uma medida penalizadora dos funcionários públicos e pensionistas. Essa medida, se bem que dura, permitia ao estado poupar na despesa, por via dos custos. Depois veio a pressão do nosso PR e o efeito da greve geral. Veio também o PS que insistiu numa medida deste tipo e que acabou por sair vencedor desta "contenda".

O problema é que este alivio vai fazer aumentar a despesa e, para o compensar o governo resolveu aumentar 4% a tributação sobre as mais valias.
Aqui está a parte que vai correr mal. Ora com as bolsas em quedas há 2 anos, as mais valias do short-selling, serão suficientes para compensar este alivio aos subsídios agora anunciados?

Eu creio que a meio de 2012 nos vão dizer que não e que as receitas dos 4% extra de tributação não cobrem o aumento de despesa.
Depois, nessa altura as más notícias para 2013 serão dadas, eventualmente em duplicado. Veremos se me engano, espero que sim.

No final resta algum sabor a vitória para o PS que puxou por uma solução mista, que não alterasse o sentido do acordo com os nossos credores,ao mesmo tempo que permitiu puxar por alguma folga que o orçamento, de facto, tivesse.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A democracia é algo que necessita apenas de uma pessoa

Pela Madeira parece que se encontrou a forma de poupar nos custos do estado. Em vez de 100 ou 180 deputados, elege se só um que vale por todos.
Esta votação regimental é uma absoluta vergonha e a prova que os deputados do PSD Madeira gozam mesmo com o pagode, sem ligar ao ridículo que as suas próprias decisões geram.
Tudo uma cosa.nostra montada que se auto alimenta. É cortar lhes o alimento, urgentemente

http://aeiou.expresso.pt/madeira-voto-de-um-deputado-pode-valer-por-25=f689777

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Perguntar não ofende: E o Isaltino?

Depois de notícias e mais notícias, recursos perdidos e recursos interpostos, alguém sabe se o Isaltino Morais já foi preso, para cumprir a pena a que a justiça o condenou?
É que há quase 20 dias que se esgotaram os recursos. Será assim tão difícil cumprir uma aparente decisão judiciária?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perceber porque (ainda) "andamos de carro"

Muito se fala de crise, de défice e de cortes. O que muitas vezes não é explicado pelos media (muito menos pelos governantes) é que dependemos, em muito, dos empréstimos externos para manter um padrão de vida a que nos fomos habituando, mas que manifestamente não temos capacidade de manter.

No fundo é como ter um Ferrari, mas não se pode andar com ele porque gasta muito.
A ilusão do crédito fez-nos parecer ricos, mas na verdade somos o que sempre fomos, remediados, gente com vontade e talento, mas a quem falta -definitivamente- a capacidade de gestão.

A frase é de Fernando Alexandre, da Universidade do Minho, o artigo completo pode ser lido em baixo
"...Confesso que no actual contexto, em que nos conseguimos financiar através da ajuda financeira dos outros países, me faz muita confusão que os portugueses, incluindo muitos reformados de rendimentos médios ou elevados, continuem a passar férias no Brasil ou nas Caraíbas. Não sei se os portugueses já perceberam que só temos gasóleo nos postos de abastecimento porque nos emprestaram dinheiro."

Links para notícia/entrevista: http://economia.publico.pt/Noticia/corte-do-14-mes-para-as-reformas-acima-dos-1500-euros-mensais-devia-ser-definitivo-1521855

Coisas que não mudam

Por muito esforço que se faça para tentar perceber este homem, tudo se resume a isto:  Absoluta indiferença face ao país e total nepotismo nos gastos que faz por conta do estado. Mesmo com grande parte do país a poupar nos custos, na Madeira não faltam as iluminações, pagas a peso de ouro aos mesmos de sempre.
Tal como já disse outras vezes: só se resolve a tiro.
Ler notícia aqui: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=520719

domingo, 23 de outubro de 2011

Fim de semana no Alentejo

Rumo a sul para descansar. Para além da componente familiar, o silêncio da aldeia, o som dos pássaros, o tempo que passa com tempo e a Matilde que encontra sempre brincadeira com a sua amiga Maria, são factores mais do que convincentes para não hesitar na fuga temporária á Babilónia.
Impossível arrepender-me.


As anunciadas medidas de austeridade

A apresentação do orçamento de estado para 2012 trouxe com ela o anúncio de cortes significativos de despesa do estado, que na prática a pouco mais se resumem do que ao corte dos subsídios de férias e de Natal de grande parte dos funcionários públicos, bem como de identicos pagamentos aos reformados e pensionistas LINK
Esta medida tem tanto e injusta como de absolutamente compreensível, mas na verdade irá fazer recair nos trabalhadores o onus do desejado decréscimo do déficit do estado.

A medida é compreensivel á luz da necessidade de redução de despesa, pura e simples. Como cerca de 60% da despesa do estado se refere a salarios, custos sociais e pagamento de pensões, a redução de 1 ou 2 subsídios ao longo de dois anos fará poupar ao estado muito dinheiro e com isso diminuir a despesa que produz. Olhando friamente para os números não deveria haver outro ponto que fizesse tanta diferença e tão imediata quanto este. Isto não faz no entanto desta, uma medida justa.

A medida é injusta. Cai em cima dos trabalhadores do estado e dos reformados todo o onus de pagar uma redução déficit que muitos não ajudaram a criar, ao mesmo tempo que retira dinheiro á economia, pois o simples anúncio de uma medida desta dimensão faz com que as pessoas passem a ponderar ainda mais todos os gastos visto que o seu rendimento disponível reduz-se de forma dura e significativa.
Injusta ainda mais quando se percebem que situações que deveriam fazer parte de processos em tribunal são causadoras maiores deste problema que vamos enfrentar nos próximos anos. Falo dos BPN, das parcerias publico privadas e da Madeira.

Toda a escalada de contestação que estas medidas vao trazer e todo o sentimento de injustiça perante outros gastos do estado que poderiam ser cortados e não o são, vão cavar ainda mais fundo o fosso entre ricos e pobres neste país, mais ainda tendo em conta que os poucos que restam na dita classe média tendem a ficar mais pobres.
As dificuldades que esperam os portugueses no ano que vem não surgem só dos cortes de rendimentos. O aumento de impostos, seja pela redução de deduções seja pelo aumento de serviços como a electricidade ou de impostos, como o IMI, fará de nós todos pessoas mais pobres.
Fica sempre a sensação que vamos voltar um bocadinho aos primórdios dos anos 80, onde eramos quase todos remediados, viviamos sob intervenção externa do FMI e os luxos a que nos vergamos nos últimos anos eram, então, uma miragem ou o resultado de muitos meses a poupar para os ter.