"Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam" (Marshall McLuhan).
Este blog é o um meio pessoal de ver alguns aspectos da Aldeia Global.
domingo, 8 de abril de 2012
Como não comunicar
Depois de meses a fim a garantir que não necessitávamos de nova ajuda externa e que iríamos cumprir o plano de ajuda financeira externo, eis que um sinal contrário é dado em entrevista a um jornal Alemão. Nesta entrevista, o PM refere que não sabe se conseguiremos cumprir o plano, mas que isso pode não significar um segundo resgate.
Lesto a responder foi o ministro Relvas, que vem sempre corrigir o que quer que seja, referindo em geral que houve um mal entendido e que o entrevistado inicial ser terá explicado mal.
Isto na mesma semana em que sabemos que o Ministro das Finanças veio referir que a retoma dos subsídios de férias e natal é apenas em 2015, e de forma gradual.
Note-se que sempre foi dito que estes cortes seriam em 2012 e 2013, mas agora vem-se admitir que isto será mais tarde do que o referido e que a comunicação feita se tratou de um "lapso".
Pessoalmente creio que este "desvendar de um lapso" tem muito a ver com esta entrevista de um membro da Comissão Europeia, que referiu a possibilidade de não mais existirem este tipo de subsídios.
Sejamos honestos: estes lapsos são uma vergonha e uma falta de respeito. São no mínimo muito complicados, especialmente porque mexem com a vida de tantas pessoas e mostram algum amadorismo ao nível da comunicação deste governo.
Faz-me lembrar os tempos finais do governo de José Sócrates, onde era notado um desfasamento entre o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças e, às vezes, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Pessoalmente não acredito que alguma vez voltem a ser pagos quaisquer subsídios de férias e natal a funcionários públicos e reformados. Não vai haver dinheiro.
Pura e simplesmente o estado não vai ter possibilidade de o fazer e as más notícias vão continuar, porque a esperada retoma económica não irá acontecer em 2013 e porque as despesas vão crescer muito mais rapidamente do que as receitas.
Se estamos numa fase complicada, vamos estar ainda piores nos próximos tempos e este tipo de "lapsos" comunicacionais não são bem vindos, não descansam ninguém e são mesmo insultuosos para quem vê as suas legítimas expectativas defraudadas por uma crise que teima em doer mais a quem menos tem.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Um PS à procura de um rumo
terça-feira, 3 de abril de 2012
Quando a greve impede a luta (ou o "provar do próprio veneno")
sexta-feira, 30 de março de 2012
A imprensa que insiste em bombas de leite
Ah bom! Assim já durmo descansado.... eu e todos os portugueses...
A questão é: para que raio serve esta informação? Ou porque raio tem destaque na capa de um jornal?
Não terei dúvida que é chamativo e que vende, mas tambem estou certo que mostra a falta de qualidade do jornal nestes aspectos, reflexo (também não duvido) da falta de exigência do público, que se contenta em saber a vida dos famosos (?) em vez de fazer algo pela sua.
sábado, 17 de março de 2012
Perguntar não ofende
Porque é que Portugal, um estado laico, embora maioritariamente católico, continua a fazer depender uma série de decisões politicas e económicas sobre o fim de feriados, da decisão da igreja católica de Roma?
Não faz sentido esta vassalagem, demasiado exagerada, face a um estado que não é mais nem menos do que Portugal.
Estado, privados e o equilíbrio de forças.
No que diz respeito à posse, por parte do estado, de empresas e tarefas que cabem naturalmente ao âmbito privado não tenho grandes duvidas que sou mais liberal do que o partido onde milito. O estado deve ser mais pequeno, ter tarefas bem definidas no ambito da saúde básica, da educação, da justiça e da autoridade. O resto deve funcionar no âmbito das relações privadas, embora o estado deva ter o papel de regulador, com forte actuação para evitar desvios.
Isto tudo para falar da perda de soberania que temos vindo a assistir no âmbito de algumas privatizações. Casos da Ren e da Edp que foram vendidos, em parte, a entidades chinesas e Omã.
Não é tanto a venda que nos deve preocupar, embora seja a venda de alguns bens essenciais a estados terceiros, mas sim a forma como o estado, através dos reguladores pode intervir em eventuais abusos que possam vir a existir.
O recente caso da demissão do Sec.Estado da Energia, eventualmente em "guerra" com operadores como a Edp, faz-nos pensar se as forças não estarão algo invertidas.
Deveríamos estar mais descansados, do que estamos realmente, sobre a soberania do estado face aos agentes económicos. A ideia que fica deste caso é que o Golias aqui é a operadora e não o estado.
Maus sinais para o futuro, numa altura em que nos preparamos para vender mais algumas entidades de âmbito público.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Líderes do Facebook
A componente social e de contacto que o Facebook permite a marcas e personalidades também é uma vantagem. O Facebook tornou-se um meio de comunicação em si mesmo e disso não restam dúvidas.
Assim sendo, não é surpreendente que também os políticos nacionais usem o Facebook, uns com mais regularidade, outros com mais sentido. Cavaco Silva, o nosso inanarrável presidente tem 144.000 seguidores, Pedro Passos Coelho o primeiro ministro tem 4.333, António José Seguro o líder do PS tem 14.343 e Paulo Portas líder do partido da coligação de governo tem 39.150 seguidores.
Uns mais outros menos, a verdade é que um post no Facebook chega a muitas pessoas num instante, que podem partilhar esse post, aumentando assim a amplitude da mensagem.
Tudo isto seria normal não fossem os políticos usar, no meu entender, o Facebook de forma algo desconexa.
Cavaco Silva dá impressão de falar mais vezes através do seu perfil de Facebook do que efectivamente aos cidadãos e agora é o líder do PS que responde ao líder de governo através da sua página de Facebook.
A notícia é esta e mostra como as modas podem ser levadas ao exagero (digo eu...). Dá a impressão que algum exagero dos nossos políticos começa a fazer deles políticos virtuais
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tal como esperado...
A verdade é que sabíamos que sucessivos cortes, acertos, dívidas e re-estruturações nos levariam a isto. É impossível ter austeridade e crescimento em simultâneo.
O importante agora é perceber a evolução das coisas. Estamos muito dependentes da evolução externa, dos mercados para onde possamos exportar e com quem possamos fazer negócios. As exportações subiram um pouco, mas isso pouco se reflecte onde quer que seja, dado o clima de austeridade permanente em que vivemos.
Muitas das medidas do governo são absolutamente acertadas, outras são de questionável justiça/sentido, mas a verdade é que alguém tem de fazer o "trabalho sujo" e tenho alguma esperança que algumas das medidas tomadas (e dos hábitos sociais subjacentes) possam servir para ganharmos fôlego no futuro.
Agora importa questionar como dar a volta a isto. Com o consumo de tudo e mais alguma coisa a baixar, não será pela procura interna só por si só. Com o desemprego a aumentar o estado acaba por ter mais despesas sociais e vê reduzir as receitas, pelo que, ao contrário do desejo do actual governo, são necessárias medidas que incentivem o emprego e a criação de empresas e desenvolvimento de ideias.
Mesmo que tal represente um custo para o estado, é naturalmente necessário injectar algum dinheiro na economia para com isso tentar mexer a máquina no sentido contrário do actual.
Tem custos, mas pode gerar receitas e fazer diminuir despesa.
Outra área onde o governo poderia apostar tem a ver com a rehabilitação urbana. Temos já casas que chegam e sobram, em termos de construção pura, mas temos igualmente cidades, edifícios e estruturas a necessitar de serem renovadas e serem colocadas no mercado, dinamizando assim o mercado da habitação pela via da oferta. Temos também muito poucas obras públicas a correr neste momento e, por conseguinte, muita mão de obra que poderia ser absorvida.
Juntando estes dois factos tinhamos aqui uma janela de oportunidade, mas não parece ser esse um dos caminhos do governo.
Depois há a mensagem, que não deixa de ser firme mas negativa, não no sentido de ser má, mas no sentido de não deixar vislumbrar qualquer mudança deste momento em que nos encontramos.
Muito do que pudermos fazer agora, independentemente de quem seja o governo, terá reflexos no futuro e a verdade é que não havendo futuro muitos dos sacrifícios actuais deixam de fazer sentido.
Seja pelo alargamento do prazo de pagamento do empréstimo da Troika, seja por alguma flexibilização das metas definidas, a verdade é que tem de haver um pouco de espaço para crescer e deixar evoluir a economia, caso contrário "matamos" as pessoas e a possibilidade de crescer o que quer que seja.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Fim das tarifas reguladas de electricidade
Ui Ui. THE NEXT BIG thing..
Mercados liberalizados e Portugal são duas coisas que (não sei bem
porquê) me fazem lembrar a liberalização dos combustíveis há uns
anos.... Na altura pagava 0,72€/l de gasoleo agora é o que se sabe.
Estive a ler o artigo e achei particularmente confuso. Trocas de operador a qualquer altura, períodos de liberalização a dois tempos para quem tem mais ou menos potência contratada e uma promessa (falsa ?) de que o mercado liberalizado será mais competitivo....
Confesso que é de me deixar desconfiado.
Com o défice energético que aparentemente temos, desde há uns anos, e com a dependência -ainda forte- do exterior a nível energético e de combustível, quer-me parecer que ainda vai ser mais complicado, num futuro de 2 a 3 anos, "ligar o aquecedor".
Artigo do Diário Económico: http://economico.sapo.pt/noticias/o-que-significa-o-fim-das-tarifas-reguladas-na-energia_137616.html
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Para que serve um Instituto de Emprego ?
Dizia que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) através dos seus Centros de Emprego, fazem uma média de 2 colocações por dia, ou seja, sendo 90 os centros de emprego a nível nacional, dá uma média de 5000 colocados por mês.
Bem sei que o encontrar de empregos não é a única função dos Centros de Emprego, mas ainda assim esta situação é de algum modo inexplicável, mais ainda quando tenho uma situação pessoal, neste preciso momento, que dá força a este mau número.
Link da notícia do jornal i: http://www.ionline.pt/portugal/centros-emprego-fazem-duas-colocacoes-dia
No domingo passado acedi ao site www.netemprego.gov.pt e coloquei na área de entidade da minha empresa, uma oferta de emprego, ou melhor, de procura de pessoas com mais de 30 anos, desempregadas há 12 ou mais meses e com formação em Auxiliar de Educação nos últimos 3 anos.
Tendo um estágio profissional aprovado, gostaria de tentar encontrar pessoas nessas condições no sentido de poder efectuar as entrevistas e escolher a pessoa.
Já tenho usado outros estágios profissionais nestes três anos de actividade e tenho uma empregabilidade de 70% dos mesmos.
São uma boa opção para pessoas em reconversão de carreiras e uma boa forma de poder avaliar o trabalho das pessoas antes de um contrato de trabalho efectivo.
Note-se que o domingo passado foi dia 29 de Janeiro.
Hoje é dia 3 de Fevereiro, 6ªfeira.
Passaram 5 dias úteis.
Respostas do IEFP: nenhuma.
Nem um mail a confirmar a recepção da candidatura, nem uma validação da oferta, nem uma recusa da oferta, nada.
Ou seja, a simples situação de colocar um anúncio oferecendo um emprego/estágio (pago a uma média 600€/mensais) não é sequer atendida pelos serviços em tempo útil, ou pelo menos minimamente aceitável.
A minha pressa em encontrar a pessoa é relativa, tenho 60 dias para o fazer, mas não gosto de deixar as coisas para o último dia. Mas imagino alguém que tenha pressa em ter um, ou mais, funcionários. Perde 10 ou mais minutos preenchendo os formulários online e depois a resposta é um silêncio longo e duradouro.
A resposta dos serviços é de facto lenta, a minha oferta de emprego está "em validação" e não sei quanto mais tempo estará assim. A verdade é que passou uma semana e a entidade do estado não me conseguiu ajudar, muito menos conseguiu permitir a alguém candidatar-se a esta vaga.
Assim de facto é difícil empregarem mais de 2 pessoas por dia, por cada centro. Parece-me haver burocracia a mais e sentido prático a menos, o que gera sempre alguma desconfiança da parte de quem tem de usar o serviço.
Aliás, se se imaginar esta situação em termos de mercado e se os Centros de Emprego concorressem com outros site de emprego, muito provavelmente já tinham fechado, pois hoje em dia é facílimo colocar anúncios de emprego em dezenas de site online. Muitos deles ficam disponíveis no momento, outros (mais sensatos) como o http://www.net-empregos.com/ valida a oferta em 2h a 5h, o que me parece altamente favorável a quem precisa deste tipo serviço.
Muito se tem dito e escrito sobre o estado. Eu próprio tenho uma atitude muito crítica em relação a muitos serviços públicos pela sua falta de dinamismo, dimensão e burocracia exagerada, mas de facto, com tanto desemprego, há coisas que deveriam ser mais ágeis. Se assim fosse pode ser que as manchetes dos jornais mostrassem contas de outro rosário.






