Um bom post da Helena Garrido, sobre sinais, bons sinais, que os indicadores económicos parecem querer mostrar, assim a Grécia e Espanha não nos arrastem para o abismo.
Também é curiosa a adaptação que os portugueses fizeram, silenciosamente parecem mostrar capacidade de dar a volta, as exportações e os novos mercados de venda de exportadores nacionais são prova disso.
Veremos o que nos trazem os próximos tempos, sendo certo que o desemprego é um problema, social e financeiro, mas essencialmente cultural.
É ler o post, que vale a pena.
"Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam" (Marshall McLuhan).
Este blog é o um meio pessoal de ver alguns aspectos da Aldeia Global.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Sinais de esperança?
Como se não bastasse a Troika ainda temos o Vaticano!
Perante isto, questionei-me a mim próprio sobre o seguinte:
- Mas porque raio é que o Estado português (laico pela constituição da República) tem de esperar pelo Vaticano para decidir uma coisa destas?
Bem sei que a razão tem a ver com esse disparate histórico que se chama concordata, mas a segunda questão que se me colocou foi:
- E se o Vaticano não aceitasse eliminar feriados? O que faríamos nós enquanto estado soberano?
Enviamos tropas para o Vaticano para combater a Guarda Suiça e ocupar a Praça São Pedro? Fechávamos as igrejas? Expulsávamos o embaixador da Santa Sé? Ou outro disparate qualquer....?
O que acontecia?
Comprometia o Estado português, através do seu legítimo governo, as suas intenções de redução de feriados porque os senhores padres do Vaticano não queriam?
Não faz sentido! Um estado laico não pode dar-se a este tipo de exposições e constrangimentos, mesmo que muita da sua população se diga católica.
Temos de respeitar as religiões e as crenças, mas não podemos submeter o estado português aos interesses, desejos e caprichos de qualquer uma delas.
terça-feira, 8 de maio de 2012
França como sinónimo de mudança?
É bem verdade que esta austeridade forçada a que estamos votados não nos tem levado a lado nenhum, tem aliás aumentado o desemprego e diminuído a possibilidade de gerar riqueza.
Tem sido uma vitória em toda a linha da Alemanha e da sua chanceler, na verdade os únicos que tem ganho alguma coisa com esta crise, basta ver o crescimento económico que continuam a ter. Bem certo é que os estados tem de passar a gastar menos e mais racionalmente, disso não tenho dúvidas, mas também será necessário que consigam passar para as pessoas e para as empresas alguma esperança, gerando apoios de algum tipo ao aumento da actividade económica e, com isso, a diminuição do deemprego e de algumas das dificuldades das pessoas.
Holland diz agora que vai cumprir as suas promessas, espero que possa ter alguma força face ao seu vizinho alemão, mas não será com medidas de conratar uns milhares de professores ou de reduzir a idade da reforma, medidas populistas deste género podem ter dado a vitória, mas não darão certamente futuro algum ao estado francês.
Carneiradas e Descontos
Não coloco em causa a legitimidade da cadeia fazer discontos desta dimensão. Tal como escrevi antes, desde que não venda abaixo do preço de custo, essa é uma decisão da marca (mesmo que eventualmente os tramados sejam os produtores).
Também não coloco em causa a vontade das pessoas quererem ter um desconto grande, muito embora este sentimento de "varrimento" e de loucura com as compras me faça particular confusão, mais ainda ter acontecido deste modo e ter motivado uma corrida destas.
O que realmente me faz confusão é o seguinte:
Baseando no que se conta no PD das Paivas, durante a manhã estavam umas 400 ou 500 pessoas na loja, a encherem aquilo. Havia 9 senhoras nas 9 caixas e apenas um segurança privado e um polícia. Nessa altura o gerente sentiu-se incapaz de controlar a situação e algumas desavenças levaram-no a chamar a polícia.
O que me causa impressão é pensar que estamos mesmo feitos uma carneirada das grandes.... então 400 ou 500 pessoas numa loja, perante 9 funcionárias, 1 polícia e 1 segurança ficam 4h na fila da caixa para pagar?
Então não saem dali, passando pelas caixas calmamente com os carrinhos de compras e não pagando, levando a que a cadeira repense situações destas que, sendo possíveis em concorrência, colocam as autoridades e o regular funcionamento do mercado em sobressalto?
Quem impedia 400 ou 500 pessoas de limparem aquilo e sair à vontade? As 9 funcionárias? 1 segurança? O polícia? Esses, coitados, fugiam para não serem atropelados pela multidão.
Quem diz aqui nas Paivas, diz em todo o lado.
Não quero com isto incitar a qualquer espécie de desordem, mas que é anormal esta apatia, isso é.
A malta está tão carneira que o máximo que fez foi comer umas batatas fritas, uns snacks e uns iogurtes líquidos.... enquanto esperava para pagar!
Sinais (dos tempos)
terça-feira, 1 de maio de 2012
Pingo Doce afinal tem promoções ? E são generosas, no 1ºde Maio.
Ou seja, oferece 50% de desconto em compras a partir de 100€
O que acontece?
Isto: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2450556
Claro que as pessoas aproveitam e como funcionamos em manada acabam até a ser multados e a agredirem-se. Embora seja só uma promoção, mesmo que mais generosa do que o habitual.
Acresce a isto o desconto. Quem o paga? O produtor? É dumping?
Este dia do Pingo Doce fez-me lembrar o jornal SOL que no início se gabava de "não fazer promoções nem oferecer brindes".
Depois, um dia, vieram os números baixos e acabou-se o moral. Vieram as promoções e vieram os brindes
Não há autoridades que vigiem estas promoções, quem as paga e como funcionam? Se me disserem que o Pingo Doce tem 60% de margem de lucro e abdica de 50%.... então tudo ok, mas não creio que seja isso que acontece nos dias de hoje, por isso ou estão a vender com perda de preço de compra ou então estão a passar parte do desconto para os fornecedores.
Não ligo a feriados e até trabalho em vários deles, o meu tipo de trabalho assim me obriga, mas esta "promoção fantástica" em dia feriado, onde tradicionalmente estas superfícies estão fechadas, é -no meu ver- um aproveitamento que explora a fragilidade actual das pessoas, especialmente ao nível económico.
foto de André Santos. Tirada hoje em Linda a Velha
sábado, 21 de abril de 2012
A famosa Lei Autárquica
É um tema actual, especialmente para quem vive o poder local com alguma intensidade e interesse.
O PSD e o CDS resolveram avançar com aquilo a que chamam de reforma administrativa e, consequência disso, está em marcha um processo que visa reduzir em grande percentagem as freguesias existentes. É, no entanto, uma operação matemática e não uma reforma administrativa séria, pensada, discutida com as populações, com os técnicos e com os autarcas. É uma decisão imposta e não vai acabar bem.
Começa logo pelo início. Chamar Reforma administrativa é, em si mesmo, um erro, pois na verdade o processo actual deriva de uma lei. Para ser uma Reforma Adminstrativa teria de haver discussão, adequação da reforma às condições e características de cada municipio, entre outros factores. O que se está a preparar é um mero corte matemático, com base em meia dúzia de critérios discutíveis.
Diz o PSD e o CDS que o que se está a passar deriva dos acordos com a troika que o PS também assinou e que agora está a renegar ou a romper. Evidentemente que o PS assinou o acordo com a Troika, mas não era isto que vinha espelhado no acordo. Vinha sim o seguinte:
- deve haver uma redução do número de autarquias, desde que cumpra três objectivos:
a) redução global de despesa;
b) tornar o sistema autárquico mais eficaz;
c) melhorar a prestação de serviços à população;
Ora esta lei, segundo o governo, emanada do Livro Verde constituído para o assunto, não vai resultar em nada disto. Vai de facto reduzir autarquias (note-se que se fala apenas em freguesias.... serão o "elo mais fraco"?), mas não vai reduzir a despesa global, pois as freguesias apenas represetam 0,2% da despesa púbica.
Tornar o sistema mais eficaz e melhorar os serviços prestados carecem de grande dúvida, pois há muita gente que vai ver afastado de si o ponto de contacto com o estado que ainda restava, algo que será muito mais notado no interior do que no litoral.
Diz agora o governo que, se as autarquias -através das Assembleias Municipais- apresentarem o seu próprio processo de reorganização administrativa vão ter uma bonificação de 20% (!!) Este é o ponto "marroquino" desta Lei. Ou seja, o corte é para metade mas, se disserem quaquer coizita a comissão técnica permite uma bonificação de 20% sobre o corte de 50%.
Se isto fosse um bazar em Marrocos ainda se compreendia esta negociação, assim dá ideia de ser uma "cenoura que se coloca à frente do burro" para o convencer a andar. Lamentável, na minha opinião.
Em resumo, este é um processo que ainda vai dar muitas voltas e que é conduzido apenas para mostrar trabalho para fora. O governo vai poder dizer "reduzimos 50% das autarquias", não vai é conseguir dizer, com o mesmo vigor, o que isso representa em termos de despesa pública, pois é baixo o suficiente para não fazer grande diferença.
A juntar a isto ainda ganha o descontentamento das populações, por isso mesmo acredito que esta lei será o início do fim do actual governo.
Não contesto que hajam freguesias a mais (só Barcelos tem mais de 80..), o que contesto é a forma como todo este processo é conduzido e decidido.
O PS votou contra esta lei e, na minha opinião, fez muito bem.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Carta Aberta ao BES
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- nos tempos que correm, com as dificuldades sentidas por todos os cidadãos, enviar um mail oferecendo um crédito pessoal com um spread de quase 10% é de uma falta de respeito total. Pelo menos na minha opinião.Será que não aprenderam nada com a crise actual, onde “ofertas generosas” deste tipo levaram as pessoas a comprar o que precisavam, sonhavam e etc, mas que na verdade não podiam pagar?
- Sendo eu um cliente com 14 anos de ligação convosco, cumpridor, tendo actualmente apenas um crédito habitação, aplicações diversas e um saldo médio simpático, percebo agora que isso é absolutamente indiferente para vós, pois o melhor que têm para me oferecer é uma Euribor a 3 meses e um spread de quase 10%Tendo em conta que a Euribor a 3meses está hoje nos 0,75% considero que o spread “oferecido” roça o patético, embora outros adjectivos me ocorram, que seriam menos próprios.
- esta vossa acção comercial já não é nova. Já no passado, no mesmo período em que o ex-Presidente Dr.Jorge Sampaio alertava para o excesso de endividamento, o Bes enviou-me várias cartas com cheques e créditos pré-aprovados. A nenhuma delas acedi e a partir da primeira pedi ao gestor 360º que cessassem com estes envios.O vosso marketing neste aspecto é tão agressivo que numa dessas cartas tiveram o abuso de enviar um chocolate para “adoçar os meus sonhos” enquanto escolhia se queria aproveitar o vosso generoso cheque num carro, numa viagem ou num sistema hi-fi qualquer.
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
tmn muda o seu slogan de comunicação
No início, quando os telemóveis começaram a chegar às mãos das pessoas, a TMN mostrava-se como "mais perto do que é importante!". Um slogan que remetia para um aproximar das pessoas, de reduzir distâncias. Foi muito funcional e a expressão marcou o seu tempo
Depois mudou. Há uns anos que a TMN comunica com "até já".
Pois parece que isto vai mudar, o "até já" vai dar lugar ao "vamos lá" e a campanha parece ter uma associação ao futebol, nomeadamente com a selecção Nacional e o Euro2012 que se aproxima.
Já há mupis na rua com alguns "anónimos" e o "vamos lá" está presente a fechar cada uma das mensagens.
O "até já",quando surgiu foi uma ideia brilhante, pois passava para o lado da comunicação e da associação a uma marca, uma expressão que qualquer um de nós dizia normalmente, nomeadamente no fim de uma conversa.
Agora o "vamos lá" parece querer dar algum dinamismo à mensagem, tem -a meu ver- uma conotação de força, de vontade, de desejo de não ficar quieto. Tudo factores que ajudam a dinamizar a marca, que parece não querer "dormir" à sombra da liderança de mercado, imprimindo a si mesma, através da comunicação, um dinamismo e uma vontade de ir mais além.
O tempo dirá do sucesso deste slogan, mas numa primeira impressão parece-me positivo.
Os reis do lixo
Depois das telecomunicações, dos combustíveis e da energia, eis que um novo monopólio será "aberto ao mercado".
A ideia por trás deste raciocínio até parece correcta, no entanto -excepção feita às telecominicações- bem se sabe o que aconteceu com a liberalização dos restantes sectores. Aumentos de preços e uma muito duvidosa concorrência. Na água não será de outro modo, embora estejamos a tempo de condicionar ainda o que queremos, enquanto sociedade, para este bem essencial.
Bem se sabe que se gasta muita água e muita dela mal gasta, imagino que os custos de manter uma infra-estrutura de saneamento e de distribuição de água sejam elevados (não duvido que estejamos a pagar abaixo do que custa), mas um aumento grande a este nível vai acabar por penalizar ainda mais quem já menos tem.
Este é, a meu ver, um daqueles sectores que não deveria ser privatizado. Quanto muito, poderia ser concessionada a exploração da distribuição sob determinados objectivos de exploração de negócio e de manutenção da infraestrutura, mas deveria ser impossível privatizar um bem que é de todos e, mais ainda, que é fonte de vida e bem de primeira necessidade básica.
Mas aquilo que me é dado a ver é que o negócio grande não estará tanto na água. O grande negócio deste sector está no tratamento de resíduos e de todos os outros lixos, que muitas vezes está associado a este sector (basta ver a factura da água que trás agregados os custos de saneamento e tratamento de resíduos).
Ai sim reside o grande ganho, porque a nossa sociedade actual produz muito mais lixo e resíduos do que aquilo que consegue tratar ou gerir. No entanto, inevitavelmente, temos de lidar com esta situação e temos de saber dar-lhe destino. E isso vai custar dinheiro. Muito dinheiro.
Aliás, a história do lixo (tradicionalmente um negócio "sujo", que a poucos agrada) já deu de ganhar muito dinheiro a muitas pessoas, sendo exemplo disso Manuel Martins Gomes Júnior, o Rei do Lixo de Lisboa, que edificou um particular "castelo" em Coina (ler história aqui).
Aqui sim vai estar "o" negócio. Um negócio que aliás nos vai custar a todos muito dinheiro.
Veremos se o tempo não me dá razão.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A sociedade civil
Dito deste modo as coisas podem parecer simples e muito lógicas. Em alguns países até se pode provar funcionar, mas certamente em países marcados por lógicas societarias mais organizadas e disciplinadas.
Em Portugal acredito cada vez mais que não funciona.
A verdade é que (em geral) a nossa sociedade civil, sejam as pessoas, instituições, empresas, associações e clubes, funciona de forma monetarista, ou seja, funciona desde que sejam subsidiados ou desde que tenham um impulso de ganho de qualquer espécie.
Há certamente muitas ideias, há certamente muita vontade, há certamente muita gente válida, mas a verdade é que (em geral) todas as ideias acabam por terminar no fim do evento, cerimónia ou festa, no estado (de uma maneira ou de outra).
Ou seja, a dita sociedade civil tem as ideias, desenvolve algumas, mas a conta acaba num dos milhares de tentáculos do estado. Ou seja, todos nós pagamos.
Perdemos há muito o sentido comum e de trabalho nesse sentido e, perante as dificuldades que cada vez mais vamos enfrentar, temos de fazer um outro caminho e repensar esta sociedade de ideias que inevitavelmente acabam penduradas nas contas de todo.
Sejam as inúmeras associações de tudo e mais alguma coisa, sejam os clube de bairro, tudo tem vivido de uma forma anárquica, disfarçando as suas incapacidades e insuficiências num qualquer orçamento de estado, de autarquia ou de região de turismo e afins.
A sociedade civil não é verdadeiramente livre porque vive cativa das receitas do estado e de outras entidades públicas.
Exemplos do que tento referir neste post encontram-se em todo o país. Aqui no Seixal, ao que me é dado a ver, o exemplo máximo mesmo está nos clubes e colectividades. São muitos e variados, mas duvido sinceramente que algum deles consiga sobreviver apenas com as suas próprias receitas, sejam oriundas das quotizações, sejam de outras actividades que desenvolvam junto da sua população que possam ser gratificadas.
Há clubes para todos os gostos e feitios, sejam de terra, de zona, de rua, de praceta ou até de azinhaga. Muitos (ao que dizem alguns populares) criados de parto espontâneo no PCP local, como forma de controlar o associativismo. Seja assim, ou não, a verdade é que muitos destes e de outros clubes/associações espalhados pelo país não passam de cafés ou tascas com emblema próprio.
Poucas actividades desenvolvem para (e com) a comunidade e pouco são sentidos (ou sequer conhecidos) como úteis para a zona em que se inserem.
Ainda assim vemos, e já não me refiro apenas ao Seixal, que muitos clubes, associações e afins têm subsídios, contratos programa, ofertas, pagamentos e outros tais, às vezes nem se percebe bem porque razão. Tudo isto sai do bolso comum e aparenta ser pouco justificado, já para não falar do prestar de contas, que muitas vezes pode ser feito por um relatório, que na verdade não me convence.
Uma sociedade civil pouco independente é, em si mesmo, uma dupla e forte fragilidade democrática, não só porque não se cria verdadeiramente o hábito de a comunidade participar desinteressadamente no bem comum da sua zona/terra/etc, como também estas associações, clubes e afins ficam reféns das entidades que lhes pagam, subsidiam ou avençam.
E, nestas coisas, já se sabe: manda quem paga.
Muitos anos de "crescimento económico" e de aparente riqueza fizeram-nos desligar uns dos outros, sente-se mais nos subúrbios e na grande urbe do que no interior, mas é tempo das pessoas voltarem a ligar-se a si, aos seus mais próximos e procurar um bem comum, seja para o seu bairro, para a sua rua ou para a sua terra.
Recordo-me que muitas vezes a ajuda a um vizinho que precisava de uma obra em casa ou no quintal era feita com a ajuda dos vizinhos, que mais tarde se revezavam na ajuda comum. Ou que, muitas vezes, a limpeza do terreno atrás da casa dos meus pais era feita a um sábado ou domingo por quem ali morava em redor, um trabalho colectivo que muitas vezes acabava com umas minis para os adultos e um gelado ou algo parecido para os mais novos.
Vai ser difícil mas temos de tentar algum regresso a estes hábitos perdidos, de outro modo continuaremos, enquanto sociedade civil, a ser reféns de um estado que não vai ter dinheiro para alimentar hábitos antigos.
Aliás, o estado ruma a um ponto em que não vai conseguir, sequer, alimentar-se a si próprio.
domingo, 8 de abril de 2012
Como não comunicar
Depois de meses a fim a garantir que não necessitávamos de nova ajuda externa e que iríamos cumprir o plano de ajuda financeira externo, eis que um sinal contrário é dado em entrevista a um jornal Alemão. Nesta entrevista, o PM refere que não sabe se conseguiremos cumprir o plano, mas que isso pode não significar um segundo resgate.
Lesto a responder foi o ministro Relvas, que vem sempre corrigir o que quer que seja, referindo em geral que houve um mal entendido e que o entrevistado inicial ser terá explicado mal.
Isto na mesma semana em que sabemos que o Ministro das Finanças veio referir que a retoma dos subsídios de férias e natal é apenas em 2015, e de forma gradual.
Note-se que sempre foi dito que estes cortes seriam em 2012 e 2013, mas agora vem-se admitir que isto será mais tarde do que o referido e que a comunicação feita se tratou de um "lapso".
Pessoalmente creio que este "desvendar de um lapso" tem muito a ver com esta entrevista de um membro da Comissão Europeia, que referiu a possibilidade de não mais existirem este tipo de subsídios.
Sejamos honestos: estes lapsos são uma vergonha e uma falta de respeito. São no mínimo muito complicados, especialmente porque mexem com a vida de tantas pessoas e mostram algum amadorismo ao nível da comunicação deste governo.
Faz-me lembrar os tempos finais do governo de José Sócrates, onde era notado um desfasamento entre o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças e, às vezes, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Pessoalmente não acredito que alguma vez voltem a ser pagos quaisquer subsídios de férias e natal a funcionários públicos e reformados. Não vai haver dinheiro.
Pura e simplesmente o estado não vai ter possibilidade de o fazer e as más notícias vão continuar, porque a esperada retoma económica não irá acontecer em 2013 e porque as despesas vão crescer muito mais rapidamente do que as receitas.
Se estamos numa fase complicada, vamos estar ainda piores nos próximos tempos e este tipo de "lapsos" comunicacionais não são bem vindos, não descansam ninguém e são mesmo insultuosos para quem vê as suas legítimas expectativas defraudadas por uma crise que teima em doer mais a quem menos tem.






