Incapaz de contrariar o desemprego galopante, o governo tem conseguido baixar as taxas de juro a que Portugal se financia.
Em resumo, no meu ponto de vista, são estas as duas grandes notas a retirar de um ano de governação. Pelo meio há disparates, muitos e com fartura e variedade.
Disparates ao nível das freguesias e da sua agregação, disparates ao nível de cortes em situações que claramente não representam um gasto tão elevado, disparates ao nível dos impostos, como é exemplo mais claro o iva na restauração ter subido para 23% e disparates ao nível de comunicação entre o próprio governo, muitas vezes incapaz de ter uma posição única ou de ter uma mensagem clara e perceptível para as pessoas, sendo já vários os casos de ministros que "tem de explicar o que queriam dizer com isto ou com aquilo". No entanto a austeridade como única medida aparente tem feito disparar o desemprego.
O tipo de atividade económica que tinhamos, muito assente na construção e em todos os negócios que a envolviam acabou, a restauração passa por dificuldades inerentes à diminuição dos gastos das famílias, a indústria que estava dependente da procura interna também sente este "travar repentino".
Salva-se, aparentemente o setor exportador, o volume de vendas para fora tem aumentado imenso e isso é sinal de dinamismo de empresários que perceberam que o mercado é o mundo inteiro, não só Portugal e não só a União Europeia.
Era importante que o governo, naquilo que lhe é possível face às regras comunitárias, pudesse dar um apoio extra a quem exporta, incentivando a que cada vez mais pessoas e empresas se tornassem proativas nos negócios internacionais. De um olhar muito pessoal, creio que os ministros do CDS-PP estão a fazer um trabalho mais compreensível, mais notório e mais presente, Paulo Portas é hábil nestas coisas e quem o acompanha também. Passos Coelho já percebeu que não se pode expor demasiado, é o alvo fácil de todos. O mesmo para o ministro da Economia e também para o Ministro das Finanças, embora este último mantenha o seu estilo único, sereno e aparentemente calmo perante tudo.
No fim de linha está Miguel Relvas, o político ministro do governo. Cheira a politiqueiro do pior, daqueles que conheçe, faz os contactos, as trocas de favores e as ligações entre x e y. Tem um papel de dar o corpo às balas, mas é muito impulsivo e claramente não tem um mínimo de pose de estado.
Dos outros Ministros ninguém sabe, a justiça e a educação vão sendo notícia de vez em quando, mas pouco, o que nem sempre é bom sinal.