
A ida a Penha Garcia revestia-se, inicialmente, de uma curiosidade sobre
a barragem. Não li muito sobre o local por isso ia algo "às escuras" e
virado para a Barragem.
A chegada surpreendeu-me logo a partir do
Posto de Turismo, que fica junto à entrada da aldeia mais antiga. As
explicações locais e o mapa com o trilho da barragem, da rota dos
fósseis e do Pêgo, atrairam a minha atenção. Também a aldeia me
fascinou, apesar de tudo pareceu-me mais humana do que Monstanto, onde
de facto tudo está muito certinho e direitinho. Em Penha Garcia esse
esforço está em construção, muito embora a disposição do casario e o
ambiente que a zona mais antiga transmite, me tenham agradado muito.
Um passeio pelas ruas é obrigatório e há sempre curiosidades ao virar da esquina, seja nos locais, seja com as pessoas.
A
subida à igreja e ao Castelo revelam o primeiro prender de respiração. A
imagem que se tem a partir do paredão, nas traseiras da igreja, é única
e merce fotografia, desde a barragem a todo o vale do Rio Ponsul,
passando pelos antigos moinhos e terminando no Pêgo, tudo parece feito
de propósito para encaixar na paisagem.
O
trilho referido não é extenso, talvez uns 2kms, mas a verdade é que
acaba por demorar algum tempo, não só pelo facto de ser a subir e a
descer, como também porque é obrigatório parar muitas vezes para
apreciar o trabalho ali feito pela autarquia de Idanha e pelos fundos
comunitários.
Numa primeira fase o Castelo liga ao paredão da
barragem de Penha Garcia. A rudeza das escarpas, onde outrora já houve
água, misturada com o verde da vegetação e com os pequenos arranjos
efetuados no espaço vão dando lugar a fotos consequtivas, pois é
impossível ficar indiferente à beleza do local.
A
partir do paredão da barragem o trilho faz-se até às primeiras casas,
na verdade antigos moinhos, recuperados para mostrar como funcionavam
antigamente para fazer a farinha que alimentava o famoso pão da terra.
Há a representação da casa do moleiro, dois destes moinhos a funcionar e
decorados no seu interior da mesma forma como existiriam e ainda há uma
casa onde se reunem uma série de fósseis da zona, que provam a presença
humana, neste local, há muito muito tempo.
Esta zona tem ainda a
preciosa ajuda do funcionário que mantém o espaço aberto e vigiado.
Qualquer coisa que necessitem perguntar ele tem resposta, para além de
ser igualmente um bom conversador.
Esta zona de casas que ladeavam o
curso do Rio Ponsul tem ainda um outro atrativo, há zonas de descanso,
feitas em madeira e pedra, que convidam a uma pausa e a uma bebida. Além
disso há momentos que convém captar fotograficamente e outros que
convém escutar, especialmente se o silêncio imperar e tivermos tempo
para este momento de total relaxamento.
O caminho que se
segue é curto e leva-nos desta zona de casas até ao Pêgo. Um local que,
dá-me ideia, não seria originalmente assim, mas que tem uma beleza
ímpar. No fundo a água é guiada do que a barregem liberta do Ponsul e
vem autenticamente derramar-se numa queda de água que cai para uma zona
que foi fechada, criando uma espécie de piscina natural que tem, no
máximo 1,70m /1,80m de profundidade.
A água é fria, mas pouco tempo
depois de lá estar sentimo-nos bem. O local está muitissimo bem
conseguido e tratado, notando-se que houve gosto pelo espaço criado.
Isso resulta num local que é de visita obrigatória e que serve na
perfeição para uma tarde muito bem passada.
Daqui sobre-se um pouco e estamos de volta ao largo da Igreja, de onde partimos.
Já
falei das paisagens, que nos permitem olhares deslumbrantes, já falei
dos locais a visitar, falta falar dos cheiros. A ausência de poluição e
de vias de transporte neste vale, faz com que os cheiros ganhem novas
dimensões, o que mais me despertou à atenção foi a hortelã. Está por
todo o lado, especialmente junto ao pontos de passagem de água e dá uma
dimensão sensorial magnífica a este passeio.
Alimentação
De volta a
Penha Garcia (aldeia), foi tempo de procurar o que comer. A aldeia em si
tem 3 ou 4 cafés e um espaço que publicita refeições ligeiras, a
verdade é que fui a todos eles, desde o que está junto ao Posto de
Turismo, ao que está na lateral direita da igreja junto ao Posto de
Turismo e ao Dom Garcia e, em plena última semana de Agosto, nenhum
deles tinha uma refeição. Já nem digo uma refeição de prato, apenas
pedia um bocado de pão com chouriço e queijo, mas não. Nenhum deles
tinha sequer esta opção e o máximo que me podiam oferecer eram cerveja,
refrigerantes e os bolos da Panrico que estão nos expositores.
Uma
pena. Pois a aldeia merecia mais e merecia que os comerciantes locais
pudessem estar preparados para manter ali o visitante, fazer negócio com
ele e, de caminho, falar da sua terra e gerar empatia. Assim não foi e
dei por mim a pensar do que se queixarão os comerciantes locais quando
na verdade não fazem nada para conseguir receita?
A questão a uma
residente local sobre onde comer alguma coisa confirmou esta minha
observação. Disse-me a senhora que "aqui ninguém faz nada, se quer comer
sai até à Estrada para Espanha e vira à esquerda ou á direita, de um
lado ou do outro encontra restaurantes".
Curto e grosso.
Assim
fiz. Saí da zona mais antiga de Penha Garcia, atravessei a zona mais
contemporânea e virando à direita encontrei rapidamente o Raiano.
Tem uma sala grande para refeições, que estava a meio e que tinha uma larga maioria de clientes espanhóis.
As
refeições disponíveis são variadas, muito à base de grelhados, e o
serviço é competente e rápido. Acabei por comer muito bem, por um valor
nada caro (14,65€, duas pessoas, com água e sem sobremesa ou café). Um
único reparo para as entradas, que me foram cobradas mesmo sem lhes ter
tocado. Questionada a funcionária percebi que deveria ter dito que não
as queria, mesmo que isso fosse evidente pelo facto de estarem até ao
fim, e sem mudanças, no exacto local onde a mesma funcionária as tinha
deixado. Adiante.
É pois uma boa solução para quem procura uma refeição em condições na zona de Penha Garcia/Monfortinho/Monstando.
No
meio disto tudo ainda voltei ao Pêgo e passou o dia sem que acabasse
por ir ao que me levava a Penha Garcia, a barragem. De todo o modo sinto
que não perdi nada, bem pelo contrário, descobri um cantinho do nosso
país que é merecedor da visita de todos.