Em termos culturais e, especialmente, em termos de organização social e comunitária, teriamos algo a aprender com este país de ex-vikings e gente dura, mas afável.
Começo por dizer que estive apenas alguns dias na Islândia, quatro para ser mais preciso, mas o trabalho que lá me levou permitiu-me passar por grande parte da costa Oeste, conhecer Rejkjavik e até acampar no meio do deserto vulcânico, numa zona interior onde nem a rede telefónica não chega. Nestes dias tenho que agradecer em especial ao Jón, o guia que nos acompanhou que, para além de simpático e bom condutor, foi igualmente uma preciosa ajuda para conhecer um pouco mais da Islândia, para além do que estava a ver.
A origem
Segundo contam, esta era uma zona glaciar colada ao Ártico, que se fez notar como território autónomo com o fim da era gaciar há muitos milhões de anos. Segundo parece tudo era árido e sem vida, mas os vulcões e o aquecimento progressivo da terra foram fazendo surgir as primeiras formas de vida. Segundo os locais os pássaros que entretanto cruzavam o oceano foram fazendo o resto, ou seja, trazer com eles as sementes no estômago que largavam aqui quando morriam ou algo semelhante.Os Vikings terão ocupado a ilha, mas na verdade foram os povos do norte, Noruegueses e Filândeses que foram chegando, misturados com os Irlandeses -então mão de obra escrava- que foram habitando a ilha no século 18.
A zona central da ilha, recebeu aquilo que se pode chamar o primeiro parlamento, por volta do ano 900, que não era mais do que uma reunião de homens que decidiam os trabalhos que se deveriam fazer para "dominar" um território árido, com pouca vegetação e sem animais.
Ao que parece ainda restam alguns vestígios destes locais de decisão, outrora a primeira capital, exactamente na zona onde são visíveis a olho nú as divisões das placas tectónicas que atravessam a ilha, a americana e a euro-asiática.
A partir daqui, e durante dois séculos, a Islândia desenvolveu-se e evoluiu. A pesca fez-se a principal atividade, foram introduzidos os mais variados animais e as terras foram sendo tornadas cultiváveis, embora 30% da zona central da ilha (150 a 200kms) seja de impossível cultura e totalmente deshabitada.
Hoje
A Islândia tem agora capital na zona costeira Oeste, em Rejkyavik, uma cidade que é o centro de uma área metropolitana de 5 pequenas cidades que, todas juntas, concentram 220.000 dos 320.000 habitantes da ilha.Os restantes vivem nas várias cidades piscatórias à volta da ilha, em especial na costa sul, mas também nas quintas que se encontram espalhadas pelas áreas que entretanto, anos após anos, foram sendo conquistadas ao solo vulcânico e tornadas habitáveis e férteis.
Cruzar a ilha de Norte a Sul são 300kms. Atravessar de Este a Oeste são 500kms
Vivem essencialmente da pesca, da produção industrial de alumínio e são conhecidos mudialmente por alguma da sua música (Björk e Sigur Rós), por terem tido um dos seus 49 vulcões a atrapalhar os voos na Europa durante semanas e por terem sido o primeiro país da europa a entrar em colapso, com a crise de 2008.
Do que pude ver, a capital é uma cidade organizada, simples de percorrer, sem luxos, mas com muito bom gosto em muitos locais, desde o trato dos espaços públicos, a algumas casas e a locais como o Centro Cultural da cidade (na foto, com vidros desalinhados em prisma). Há alguns prédios de 3 ou 4 andares na periferia, mas em geral as casas são unifamiliares e bem organizadas.
(continua...)




















