quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O PSD da economia regulada (ou um bando de canalhas sem lei)

Um deputado do PSD, Virgílio Macedo de batismo, eleito pelo Porto disse ontem no parlamento, a propósito de não aceitarem a proposta do PS para reduzir o iva da restauração, que havia restaurantes a mais, como que dando a entender que o fecho de umas largas centenas não seria anormal.
Dei por mim a pensar que merda de ideias tem esta gente na cabeça para sequer ousar dizer uma coisa destas? Que responsabilidade, ou falta dela, tem um deputado da nação para dizer, na minha opinião, uma alarvidade destas?
Então o estado, que deveria ser facilitador, regulador e fomentador da atividade comercial, transforma-se num controlador que dita que atividades existem ou não e aquelas que existem a mais ou e falta?
Esta gente do PSD está a transformar a sua ideologia (!!?!) numa coisa soviética, de economia planificada, ditada pelo estado?
Não deveria ser o mercado a seleccionar por si, pelo mérito, inovação e capacidade de concorrência, quem fica no mercado e quem saí, por não ter um negócio sustentável?
Um comerciante que tenha ouvido estas declarações, que tenha o seu negócio, alguns normais créditos para manter as suas obrigações e feito investimentos para se diferenciar ou ser concorrêncial pensará o quê disto?
E os muitos empresários desta área, que tradicionalmente votaram sempre PSD? Estarão satisfeitos com o deputado que elegeram?
Se fosse eu, teria uma tendência para perseguir este sr.deputado e dizer-lhe que estava a mais no parlamento, ou melhor, que está a mais nesta sociedade e que, por isso mesmo, seria normal desaparecer ou acabar. Só para ver se gostava.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mapa de Idanha-a-Nova

É um dos mais belos concelhos do país. Fica na Beira Baixa e, para além da própria sede de concelho, tem lugares magnificos como Monsanto, Penha Garcia, Rosmaninhal e Monfortinho, entre muitos outros.
Tem verde, tem natureza, tem boas gentes e boa comida e é obrigatório passar por lá em lazer e sem pressas.
Para ajudar aqui fica um mapa de Idanha a Nova (concelho)


A minha visão de 4 dias na Islândia (4)



Curiosidades soltas


Condução
Na estrada que liga o aeroporto a Reyjavik há uma escultura de arte urbana que não consegui fotografar. Basicamente são dois carros, meio desfeitos e resultantes de um acidente. Estão expostos, com algum nível de inclinação, num pedestal a 3 ou 4 metros de altura. A base que suporta estes dois carros é um pé cilindrico preto com uma cruz branca desenhada, contendo no meio o número 7.
Perguntei ao nosso guia desse dia o que era aquele número e ele disse-me que eram os mortos em acidentes na estrada este ano, um número que segundo ele é dramático, pois é já superior em 2, ao do ano passado! De facto a condução aqui é levada a sério e os limites de velocidade não variam muito dos nossos: 50kmh dentro das cidades, 70kmh na aproximação às zonas urbanas e 90kmh nas restantes estradas.
É no entanto fácil perceber que são melhores condutores do que nós, pelo menos (de forma relativa ao nº de habitantes, têm muito menos mortos na estrada)

Ainda sobre transportes. 
A não existência de comboios parece que é algo que não incomoda os islandeses, no entanto por estes dias discute-se no governo, e na comunidade de Rejkyavik, a possível construção de uma linha de comboio entre Keflavik, onde fica o aeroporto, e a capital. Será uma linha com duas paragens pelo meio e com uma extensão de 50kms.
Ao que parece há defensores deste investimentos e grupos de cidadãos que estão contra. Segundo o Jón, o mais certo é haver um referendo à ideia, sendo feito aquilo que a comunidade decidir.

Economia e alimentação
A seguir à pesca e à transformação do pescado, a indústria do alumínio é a mais importante fonte de receitas, exportações e emprego. São já três as fábricas instaladas, todas elas da empresa australiana Rio Tinto. Ao que parece estão aqui a convite do governo islandês que lhes acenou com um preço muito barato do factor crítico mais importante no preço da produção de alumínio em grosso: a energia.
Uma quarta fábrica está em construção e esta súbita paixão pela produção de alumínio não será alheia ao facto de a desvalorização da moeda local. Uma decisão sempre positiva para quem quer exportar.

Ainda sobre pesca. Os pratos com tubarão e bacalhau são dois dos "must" da cozinha islandesa, embora o bacalhau seja consumido fresco e não tanto curado. A isto acresce a carne de ovelha e de cordeiro. Provei um pouco de tudo e não me posso queixar de nada, embora a comida mediterrânea "me guste" mais.





Cultura
Os islandeses tiveram até agora um único prémio nobel, o da literatura em 1954. Ao que parece o senhor já morreu há uns anos, mas a sua casa, na estrada à saída de Rejkyavik é perfeitamente visitável, basta tocar à porta. Facto igualmente notório é o facto de o primeiro ministro e restantes membros do governo terem os seus números de telefone na lista nacional e de usarem os seus próprios carros para trabalhar.
Um exemplo que devia ser seguido por estes lados.





A ilha (a parte que conheci)
A beleza natural da Islândia, com vulcões, terra árida, vegetação e animais, tudo num espaço muito próximo, é inquestionável. No global, a vegetação é pouca e tal deve-se às condições adversas do clima e ao facto e existirem 600.000 ovelhas, que andam livremente nas terras, sendo recolhidas apenas no inverno. Ora está bom de ver que andando à vontade não há vegetação que resista.
Um facto estranho ao início é a falta de árvores, seja porque poucas resistem ao solo e ao clima, seja porque as ovelhas, cavalos e outros animais acabam por não as permitir crescer.
Aliás, cavalos é algo que também por lá há com fartura. Ao que parece há cerca de 100.000 registados, o que dá 1 por cada 3 islandeses.
Antes eram usados para apoiar na agricultura e no transporte de bens, hoje servem essencialmente para lazer e para um ou outro apoio na agricultura.
Por falar em animais, há que dizer que há uns anos tentaram introduzir porcos, para diversificar a oferta alimentar, mas os pobres animais não resistiam sem grandes cuidados veterinários, que eram caros, e esta tentativa foi abandonada.
Também as renas, trazidas da Noruega, que foram alvo de uma tentativa de introdução na totalidade do território islandês. Também neste caso a tentativa não foi bem sucedida, se bem que com uma nuance. No extremo este do país, as renas não só resistiram, como também se reproduziram existindo uma comunidade com alguma dimensão.
Os islandeses brincam com este facto dizendo que naquele extremo estão mais perto da Noruega e que ali sentem menos saudades de casa.





Um exemplo da metódica organização local
As renas são aliás possíveis de usar como exemplo para mostrar a organização e o sentido local.
Uma vez que se têm reproduzido no extremo este, tem havido a preocupação de controlar a sua população à volta das 2000 cabeças, para manter este limite vendem-se.... licenças de caça.
Ou seja, as mais velhas, especialmente os machos, são seleccionados pela autoridade nacional de caça e podem ser alvo dos atiradores islandeses que pagam licenças anuais, caras ao que dizem, para poder caçar 4 meses por ano.
Acresce o facto de não poderem caçar à vontade, há uma área específica e cada caçador tem de estar acompanhado por um fiscal da natureza que indica quais os alvos possíveis, isto porque as renas, tal como outros animais, andam em espaço aberto pelo território.

Outro facto curioso são as vacas que são muito pequenas face ao que estamos habituados. Além disso o malhado branco e preto é menos comum, sendo mais usual a cor escura. Ao que parece isso deve-se ao clima, que geneticamente as faz crescer pouco. No que diz respeito à produção de leite confesso que não senti nada de diferente por este facto, o leite soube-me exactamente como qualquer outro leite do norte da europa.

Natureza
Em termos de natureza a Islândia é extremamente diversificada, há vulcões, gysers, terra árida e inóspita, vegetação baixa e até uma floresta, na zona central, no único parque nacional da ilha. Pelo meio, segundo contam, é um dos únicos dois locais no mundo (o outro é no Kenya) onde é possível ver in loco onde começa uma zona tectónica e acaba outra.
Os milhares de anos pós era glaciar foram trazendo, por força das migrações de aves, os primeiros sinais de natureza e esses não seriam muito diferentes daquilo que hoje encontramos junto às cinzas de um vulcão adormecido há várias centenas de anos: vegetação rasteira, pouco crescida e muito semelhante a musgo.
Pelo meio ainda muito espaço ocupado pela pedra vulcânica.
Em zonas como esta, e existem várias na Islândia, a chegada de novas fases de vegetação demorará anos, dezenas ou centenas de anos.
Uma das espécies que melhor se adapta a este clima são as coníferas, como o pinheiro nórdico. Nesse sentido, há um instituto florestal que está há uns 20 anos a promover a plantação controlada desta espécie, sendo plantadas entre 6 a 10 mil árvores por ano, muitas vezes em verdadeiros encontros de islandeses com a natureza, pois são levados (ou convidados) pelas autoridades a contribuírem com o seu trabalho para este bem da comunidade.
Muitas não resistem mas, curiosamente, é exactamente na zona central da ilha, entre a separação da placa tectónica americana e euroasiática, que a espécie mais se desenvolveu, ao ponto de esta faixa de 5 ou 6 kms ser considerada Parque Nacional, pelo que não são permitidos animais. Resultado: há vegetação alta, com estamos habituados a ver e há um habitat que cresceu em simultâneo que parece saído do nada, quando comparado com o restante território.





sábado, 20 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Islândia (3)



A falência de 2008

Segundo os locais 2008 representou o "rebentar dos 3 peixe-balão", ou seja, os 3 principais bancos islandeses que foram crescendo tanto (e de forma ilegal) que acabaram por ter nas mãos uma bomba relógio de alavancagem sobre alavancagem financeira. Algo tão grande que o próprio banco central Islandês estava incapaz de os ajudar.
Investimentos e aplicações de origem duvidosa, especialmente no Reino Unido e Holanda, empréstimos em moeda estrangeira ilegais e todo um conjunto de aplicações para lá do legal em ativos tóxicos, fizeram rebentar a bomba e, de um dia para o outro, o que valia 10 passou a valer 5, com a desvalorização da moeda, mas os custos de bens, serviços e empréstimos mantiveram-se.
Foi dramático pereceber, segundo alguns locais com quem falei, que de um dia para o outro o que podiam ter, comprar, aceder se reduzia a metade. Obras pararam, empresas faliram, os três maiores bancos também e o desemprego passou para uns 15%.
O Banco Central da Islândia já tinha pedido a intervenção das autoridades britânicas quase um ano antes do rebentar da crise, a locura financeira de então não levou a qualquer intervenção e é por isso que hoje (depois de um referendo esmagador com 90% de não) que os Islandeses recusam pagar muitos dos créditos que os bancos e clientes ingleses e holandeses dizem ter sobre o país.
Ainda houve uma possibilidade de cada islandês pagar um valor de cerca de 120€ para abater esta dívida, mas o povo revoltou-se e no tal referendo decidiu não pagar. Um pendurado que fica para mais tarde, certamente que ingleses e holandeses não perderão a possibilidade de "pedir" este valor quando chegar a altura da Islândia entrar na UE (visto que o pediram)

Os três banqueiros e alguns políticos ligados ao governo (incluíndo o ex-primeiro Ministro) e à área económica foram detidos e estão a ser julgados, o antigo primeiro Ministro foi condenado por um crime menor, mas na realidade nenhum outro foi ainda condenado.
Segundo o Jón, embora seja evidente que apostaram o que não deviam naquilo que não deviam, há sempre refúgios na lei que têm permitido não haver condenações efetivas dos banqueiros.
Lá, como aqui, ter um bom advogado ainda vai sendo uma mais valia para quem tem algo a que fugir.

Estes empréstimos que mantiveram o valor, por serem feitos em Euros ou Libras, muitas vezes sem conhecimento dos titulares, acabaram por ser uma corda na garganta para muitos islandeses, especialmente jovens casais, que agora têm uma dívida duas vezes superior ao que pediram emprestado e que estão a ter alguma protecção do estado para regulaizarem a situação e não irem, também eles, à falência.

Segundo o Concerige do Hotel Hiton Nordica, há uma comissão de cidadãos que está a trabalhar naquilo que será a revisão da constituição do estado, ou pelo menos em alguns pontos. Têm trabalho feito e apresentado, mas nem todas as alterações têm sido aprovadas de acordo com o que muitas pessoas esperava. De todo o modo o trabalho está em fase final e será referendado, só depois entrad em vigor.
Ainda assim é espantoso perceber como o estado se rege pelos claros desejos da sua população, ao ponto de esta ter capacidade e espírito coletivo para se organizar em assuntos tão importantes como este.




Outros aspectos da sociedade

A longa conversa com o Concierge do Hotel permitiu ainda perceber mais algum bocado da Islândia. As crianças são encaminhadas, desde cedo, no ensino das artes e da música, o pré-escolar ensina-lhe as cores, as rotinas e as brincadeiras, mas também o seu país e os hábitos sociais. A prendizagem do inglês é obrigatória em paralelo ao islandês e, por isso, a quase totalidade da população fala inglês sem qualquer tipo de problema.

Militarmente pertencem à NATO, embora não tenham forças armadas nem serviço militar. São outros países da Organização do Tratado Atlântico Norte que garantem a segurança militar e a vigilância da costa, entres eles a Alemanha, Espanha e.... Portugal, com os nossos P3 Orion.
Tiveram até há 4 anos uma pequena base aérea americana, mas a crise económica levou os militares e deixou as casas onde viviam e as antenas de comunicações, que agora são usadas para vigiar a costa.
Curioso foi o destino dado a muitas das casas dos ex-militares norte americanos, pequenos blocos de 3 pisos. Foram entregues a famílias com dificuldades devido à crise que abalou o país (entregues, entenda-se cedidas sob um custo mensal mais aceitável do que a anterior renda).

Aliás, com tanta costa e com a pesca como atividade principal, seria de esperar haver marinha para vigilância e salvamento. O Jón garante que não, a vigilância é feita a partir de postos fixos na costa e dos navios e patrulhas aéreas da Nato.
O salvamento no mar é feito localmente, por voluntários que são treinados e que podem ser chamados a qualquer momento, podendo deixar o seu emprego para socorrer quem está no mar em apuros. Segundo parece não há ganhos financeiros, apenas o espírito solidário para com os seus e o facto de lhes ser entregue, pelo estado islandês, o melhor e mais avançado equipamento, sejam lanchas, insufláveis, gps ou outro material de busca e salvamento.
Extraordinário!
Pelo que percebi, funcionam um pouco como os nossos bombeiros voluntários, mas sem permanência em qualquer quartel e com material do melhor.

As casas não são baratas. Lá, como cá, são um dos mais pesados investimentos que podem ser feitos por uma família. Apesar de haver prédios nas cidades e vilas, estes não são demasiado comuns, essencialmente porque há espaço com fartura para caberem todos em casas térreas ou de 1 piso.
Segundo o Jón, o meu guia nestes dias, o custo do terreno não é elevado, mas a construção de uma casa é, essencialmente porque há muita burocracia envolvida, algumas licenças de engenharia que têm de ser dadas e porque os materiais são, na quase totalidade, importados.
Os impostos a pagar à "autarquia" pela construção também são elevados. Em contrapartida o IMI local anual não é demasiado caro. O Jón diz-me que a sua casa tem 160m2 e paga algo como 45.000Kr, ou seja, 200€por ano.
A construção na se verga aos patos bravos que conhecemos em Portugal, em especial nas áreas metropolitanas. Aqui todos os planos submetidos ao conselho de obras públicas locais têm de ser apresentados por engenheiros e incluir métodos e materiais de construção que assegurem que toda a estrutura da casa possa resistir a sismos até 6.5 na escala de Richeter, além de resistir à intempérie constante (visto que há sempre humidade e o vento marítimo trás sempre com ele a chuva cortada e baixa). Há também que ter em conta a neve e os invernos rigorosos.
Estes planos de contrução têm normalmente que ter osescoamentos de águas, de modo a que estas sejam re-aproveitadas o mais possível, evitando assim gastos desnecessários (mesmo que haja água com fartura por estes lados), um hábito que nós não temos com quase nada em Portugal.
A construção não seria hipótese para os biscateiros portugueses, aqui só se podem construir casas com empresas certificadas e com um número mínimo de engenheiros na sua equipa.
Uma diferença abismal face a nós.

(continua...)



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Porque eu acho que (este) Patriarca é um tretas

O que é este merdas para vir com esta conversa de não se resolver problemas com manifestações??
Assente numa instituição que pouco paga de impostos, que enche os bolsos à conta da fé, que tem BRUTAIS isenções de IMI nos seus templos à conta de uma rídicula concordata e que mascara a sua riqueza material com caridade?


Para este merdas quanto pior estivermos, melhor, para depois ele e os seus delegados paroquiais virem com a sua caridadezinha social, ao bom estilo do Estado Novo, onde a igreja era o lenço de assoar do regime, e vice versa.
As declarações deste senhor á RTP (mais tarde explicou que tinha sido mal compreendido) são atrozes.


Para este representante do Papa de Roma, os problemas resolvem-se com fé e não com manifestações. 
A fé dele tem no entanto um problema, é que é cada vez mais economicista e incha na igual medida que as barrigas dos homens estão vazias de fome e desemprego.
Mantendo a sua fé como bandeira, este senhor e os amigos dele têm-se dedicado aos lares, aos centros de dia, às creches, aos cuidados continuados e a tudo aquilo que possa receber verbas do estado ou da segurança social. Ou seja, negócio mas só se houver subsídio, porque entrar no mercado é algo que nem a fé permite.
É, no meu entendimento, um Patriarca hipócrita, com um discurso a escorregar para modelos de direita muito nacional, à antiga. Sabedor que quantos mais pobres existirem maior será a sua capacidade de espalhar a sua fé. 
É o que pensol.

domingo, 14 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Inslândia (2)

(parte 1, aqui)

Como vivem

Viver na Islândia não é, aparentemente, demasiado fácil. Não tendo aderido ao Euro, a Islândia viu a crise de 2008 desvalorizar a sua moeda para metade, ou seja, desde há 4 anos a esta parte que cada Islandês sente ter apenas metade dos rendimentos, mas o mesmo padrão de custos, seja nas compras seja nos empréstimos.
Segundo o Jón, não há um salário mínimo definido por lei, mas em geral ninguém recebe menos do que 300.000KR, ou seja, cerca de 1500€.
Parece razoável, é certo, mas há que ter em conta que têm cerca de 17,5% de impostos para o estado e ainda mais 4% para os seus planos de reforma, em regime de capitalização.
Depois há os custos normais do dia a dia. A água e a energia (geotérmica e aproveitando o calor), produzidos com fartura localmente, são bens baratos, mas tudo o resto é, aparentemente caro, especialmente porque quase tudo é importado, seja o vestuário, seja a eletrónica, sejam os carros ou o combustível.
Os impostos são algo elevados, eles próprios o reconhecem. O Iva local começa nos 7% para os produtos essenciais, passa pelos 14% e tem o seu máximo nos 25%.
O tal salário "mínimo" de 1500€ deixa logo cerca de 250€ em impostos para o estado, mas a verdade é que se vêm resultados. Os cidadãos podem escolher para onde dirigir parte dos seus impostos e a mobilidade é beneficiada pelo estado, num país de poucas distâncias relativas, mas onde os transportes são fundamentais e pagam 0% de IVA. Excelente!
Em contrapartida não há auto estradas, não há comboios e não há scuts pagas nem portagens.



O Estado Social

O estado social que ouvirmos falar em Portugal é uma absoluta treta, já o sabia, mas fiquei ainda mais certo disso depois de perceber como funcionam as coisas na Islândia.
Como já disse, cada trabalhador paga impostos relativamente elevados, mas em contrapartida a educação obrigatória e a assistência médica são gratuítas. Sim, grátis! Uma SCUT no verdadeiro sentido da palavra, pois não representa um custo para as pessoas.
Apenas alguns custos médicos muito especializados e as formações não obrigatórias são pagas por quem delas necessita ou usufrui.
O estado social tem aqui uma variante igualmente importante que teremos, mais cedo ou mais tarde, de adoptar em Portugal.
Para além dos 4% que cada trabalhador desconta para a protecção capitalizante, a empresa desconta ainda 6% extra, num total de 10%. Estes fundos, para além de assegurarem a saúde e a educação, permitem ainda aos islandeses beneficiar de uma reforma ou, como referiu o Jón, de uma prestação mensal fixa, paga 12 meses por ano e que é igual para todos.
Sim, aqui reside a grande diferença e é nisto que um dia vamos ter de ser iguais. Quem ganha mais desconta mais em valor, quem ganha menos desconta menos, mas todos 4% e após os 67 anos (idade de reforma por aqui) todos recebem igual prestaç~ao, ninguém recebe mais nem menos do que ninguém, pois -para o entendimento do estado- todos são iguais. Os fundos de reforma privados são aqui fundamentais, empresas como a alemã Allianz e outras nórdicas e mesmo islandesas oferecem pacotes de capitalização individual e o estado incentiva os cidadãos, em especial a partir dos 35 anos a fazerem o seu próprio complemento de reforma.
O desemprego, nos dias que correm, anda pelos 7%, há dois anos era de 11%, mas o normal antes da crise era 2 ou 3%, um luxo quando comparado com os nossos 16 ou 17% oficiais.

(continua...)





sábado, 13 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Islândia (1)

Antes de mais uma conclusão muito breve. A Istândia é um país extraórdinário e, note-se, apenas conheci um terço do território.
Em termos culturais e, especialmente, em termos de organização social e comunitária, teriamos algo a aprender com este país de ex-vikings e gente dura, mas afável.
Começo por dizer que estive apenas alguns dias na Islândia, quatro para ser mais preciso, mas o trabalho que lá me levou permitiu-me passar por grande parte da costa Oeste, conhecer Rejkjavik e até acampar no meio do deserto vulcânico, numa zona interior onde nem a rede telefónica não chega. Nestes dias tenho que agradecer em especial ao Jón, o guia que nos acompanhou que, para além de simpático e bom condutor, foi igualmente uma preciosa ajuda para conhecer um pouco mais da Islândia, para além do que estava a ver.



A origem

Segundo contam, esta era uma zona glaciar colada ao Ártico, que se fez notar como território autónomo com o fim da era gaciar há muitos milhões de anos. Segundo parece tudo era árido e sem vida, mas os vulcões e o aquecimento progressivo da terra foram fazendo surgir as primeiras formas de vida. Segundo os locais os pássaros que entretanto cruzavam o oceano foram fazendo o resto, ou seja, trazer com eles as sementes no estômago que largavam aqui quando morriam ou algo semelhante.
Os Vikings terão ocupado a ilha, mas na verdade foram os povos do norte, Noruegueses e Filândeses que foram chegando, misturados com os Irlandeses  -então mão de obra escrava- que foram habitando a ilha no século 18.
A zona central da ilha, recebeu aquilo que se pode chamar o primeiro parlamento, por volta do ano 900, que não era mais do que uma reunião de homens que decidiam os trabalhos que se deveriam fazer para "dominar" um território árido, com pouca vegetação e sem animais.
Ao que parece ainda restam alguns vestígios destes locais de decisão, outrora a primeira capital, exactamente na zona onde são visíveis a olho nú as divisões das placas tectónicas que atravessam a ilha, a americana e a euro-asiática.
A partir daqui, e durante dois séculos, a Islândia desenvolveu-se e evoluiu. A pesca fez-se a principal atividade, foram introduzidos os mais variados animais e as terras foram sendo tornadas cultiváveis, embora 30% da zona central da ilha (150 a 200kms) seja de impossível cultura e totalmente deshabitada.





Hoje

A Islândia tem agora capital na zona costeira Oeste, em Rejkyavik, uma cidade que é o centro de uma área metropolitana de 5 pequenas cidades que, todas juntas, concentram 220.000 dos 320.000 habitantes da ilha.
Os restantes vivem nas várias cidades piscatórias à volta da ilha, em especial na costa sul, mas também nas quintas que se encontram espalhadas pelas áreas que entretanto, anos após anos, foram sendo conquistadas ao solo vulcânico e tornadas habitáveis e férteis.
Cruzar a ilha de Norte a Sul são 300kms. Atravessar de Este a Oeste são 500kms
Vivem essencialmente da pesca, da produção industrial de alumínio e são conhecidos mudialmente por alguma da sua música (Björk e Sigur Rós), por terem tido um dos seus 49 vulcões a atrapalhar os voos na Europa durante semanas e por terem sido o primeiro país da europa a entrar em colapso, com a crise de 2008.
Do que pude ver, a capital é uma cidade organizada, simples de percorrer, sem luxos, mas com muito bom gosto em muitos locais, desde o trato dos espaços públicos, a algumas casas e a locais como o Centro Cultural da cidade (na foto, com vidros desalinhados em prisma). Há alguns prédios de 3 ou 4 andares na periferia, mas em geral as casas são unifamiliares e bem organizadas.


(continua...)








terça-feira, 9 de outubro de 2012

Como preparar um chá

É uma bebida relaxante e calma. É uma bebida companheira de muitos momentos e há as mais variadas formas de preparar um chá. Infusões em saquetas ou com as ervas e plantas a dar o sabor que se deseja.
Em Castelo Rodrigo, na Beira Alta (Portugal), no interior do castelo, há uma pequena loja de produtos locais (Sabores do Castelo) que, entre outras coisas deliciosas, tem chás. Muitos.
Para além das ervas e plantas, esta loja tem um senhor alemão muito simpático e conhecedor destas coisas todas.
Este ano, quando lá estive, comprei alguns chás menos comuns encontrar na cidade e, com os chás, vinham estes folhetos feitos por eles que podem ajudar a quem queira saber mais sobre o uso do chá, como preparar o chá e a força do chá.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um passeio a não perder (Rota dos Fósseis)

Em Penha Garcia há um trilho, inserido no Geoparque, que é imperdível. Todas as pessoas deveriam cruzar este espaço, brilhantemente tratado pela autarquia de Idanha-a-Nova e com um funcionário, o Sr.Domingos, que é um bom conversador e conhecedor dos fósseis, dos moinhos e das histórias locais.
O trilho não é difícil e começa na aldeia, segue pelo castelo e termina num Pêgo de água, espantoso. Há outras variantes, esta é a mais simples. Pelo meio, zonas de merendas, uma barragem, zonas de sossego e um espaço natural fantastico e muito bem cuidado.
Fica o folheto desta rota (da autarquia) e algumas fotos minhas.
Não deixem de ir a Penha Garcia e experimentar por vós mesmo.





Em Amora

Aqui há uns tempos fiz o trilho do Alto da Barroca, uma interessante caminhada, promovida pela autarqua local, que os faz cruzar com outros tempos de Amora e com uma zona da freguesia que ainda não foi pejada e prédios.
É um percurso fácil de se fazer e com muito que conhecer. Começa junto ao Bairro 25 de Abril, junto à estrada da Quinta da Atalaia, e segue junto ao muro desta Quinta até à antiga Quinta do Talaminho, junto à Barroca.
Aconselho a seguirem este trilho e que leiam este docuemnto como guia.


domingo, 7 de outubro de 2012

Ainda Reykjavik

Para quem pensa viajar: Mapas de Reykjavik, na Islândia. (Clicar para ampliar)
Here are two maps of Reykjavik, Iceland. From Hilton Hotel Nordica (click to enlarge)