terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Como "desaparecer" na internet

Foi um dos programas mais curiosos que fizemos nos últimos tempos de Exame Informática TV: mostrar que tudo o que fazemos na internet é vigiado ou de possível monitorização, ao mesmo tempo que mostramos como podemos navegar incógnitos e até mesmo apagar contas do Facebook, Google e Apple.

Eis o episódio:



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Calendário de 2014

Um post simples e que dá um jeitaço para uma pesquisa no Google: um calendário de 2014


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terça-feira, 5 de março de 2013

Ubuntu OS at MWC 2013

An explanation about Ubuntu OS recorded at MWC 2013, Barcelona, for a portuguese tech TV Show: Exame Informática TV.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O PSD da economia regulada (ou um bando de canalhas sem lei)

Um deputado do PSD, Virgílio Macedo de batismo, eleito pelo Porto disse ontem no parlamento, a propósito de não aceitarem a proposta do PS para reduzir o iva da restauração, que havia restaurantes a mais, como que dando a entender que o fecho de umas largas centenas não seria anormal.
Dei por mim a pensar que merda de ideias tem esta gente na cabeça para sequer ousar dizer uma coisa destas? Que responsabilidade, ou falta dela, tem um deputado da nação para dizer, na minha opinião, uma alarvidade destas?
Então o estado, que deveria ser facilitador, regulador e fomentador da atividade comercial, transforma-se num controlador que dita que atividades existem ou não e aquelas que existem a mais ou e falta?
Esta gente do PSD está a transformar a sua ideologia (!!?!) numa coisa soviética, de economia planificada, ditada pelo estado?
Não deveria ser o mercado a seleccionar por si, pelo mérito, inovação e capacidade de concorrência, quem fica no mercado e quem saí, por não ter um negócio sustentável?
Um comerciante que tenha ouvido estas declarações, que tenha o seu negócio, alguns normais créditos para manter as suas obrigações e feito investimentos para se diferenciar ou ser concorrêncial pensará o quê disto?
E os muitos empresários desta área, que tradicionalmente votaram sempre PSD? Estarão satisfeitos com o deputado que elegeram?
Se fosse eu, teria uma tendência para perseguir este sr.deputado e dizer-lhe que estava a mais no parlamento, ou melhor, que está a mais nesta sociedade e que, por isso mesmo, seria normal desaparecer ou acabar. Só para ver se gostava.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mapa de Idanha-a-Nova

É um dos mais belos concelhos do país. Fica na Beira Baixa e, para além da própria sede de concelho, tem lugares magnificos como Monsanto, Penha Garcia, Rosmaninhal e Monfortinho, entre muitos outros.
Tem verde, tem natureza, tem boas gentes e boa comida e é obrigatório passar por lá em lazer e sem pressas.
Para ajudar aqui fica um mapa de Idanha a Nova (concelho)


A minha visão de 4 dias na Islândia (4)



Curiosidades soltas


Condução
Na estrada que liga o aeroporto a Reyjavik há uma escultura de arte urbana que não consegui fotografar. Basicamente são dois carros, meio desfeitos e resultantes de um acidente. Estão expostos, com algum nível de inclinação, num pedestal a 3 ou 4 metros de altura. A base que suporta estes dois carros é um pé cilindrico preto com uma cruz branca desenhada, contendo no meio o número 7.
Perguntei ao nosso guia desse dia o que era aquele número e ele disse-me que eram os mortos em acidentes na estrada este ano, um número que segundo ele é dramático, pois é já superior em 2, ao do ano passado! De facto a condução aqui é levada a sério e os limites de velocidade não variam muito dos nossos: 50kmh dentro das cidades, 70kmh na aproximação às zonas urbanas e 90kmh nas restantes estradas.
É no entanto fácil perceber que são melhores condutores do que nós, pelo menos (de forma relativa ao nº de habitantes, têm muito menos mortos na estrada)

Ainda sobre transportes. 
A não existência de comboios parece que é algo que não incomoda os islandeses, no entanto por estes dias discute-se no governo, e na comunidade de Rejkyavik, a possível construção de uma linha de comboio entre Keflavik, onde fica o aeroporto, e a capital. Será uma linha com duas paragens pelo meio e com uma extensão de 50kms.
Ao que parece há defensores deste investimentos e grupos de cidadãos que estão contra. Segundo o Jón, o mais certo é haver um referendo à ideia, sendo feito aquilo que a comunidade decidir.

Economia e alimentação
A seguir à pesca e à transformação do pescado, a indústria do alumínio é a mais importante fonte de receitas, exportações e emprego. São já três as fábricas instaladas, todas elas da empresa australiana Rio Tinto. Ao que parece estão aqui a convite do governo islandês que lhes acenou com um preço muito barato do factor crítico mais importante no preço da produção de alumínio em grosso: a energia.
Uma quarta fábrica está em construção e esta súbita paixão pela produção de alumínio não será alheia ao facto de a desvalorização da moeda local. Uma decisão sempre positiva para quem quer exportar.

Ainda sobre pesca. Os pratos com tubarão e bacalhau são dois dos "must" da cozinha islandesa, embora o bacalhau seja consumido fresco e não tanto curado. A isto acresce a carne de ovelha e de cordeiro. Provei um pouco de tudo e não me posso queixar de nada, embora a comida mediterrânea "me guste" mais.





Cultura
Os islandeses tiveram até agora um único prémio nobel, o da literatura em 1954. Ao que parece o senhor já morreu há uns anos, mas a sua casa, na estrada à saída de Rejkyavik é perfeitamente visitável, basta tocar à porta. Facto igualmente notório é o facto de o primeiro ministro e restantes membros do governo terem os seus números de telefone na lista nacional e de usarem os seus próprios carros para trabalhar.
Um exemplo que devia ser seguido por estes lados.





A ilha (a parte que conheci)
A beleza natural da Islândia, com vulcões, terra árida, vegetação e animais, tudo num espaço muito próximo, é inquestionável. No global, a vegetação é pouca e tal deve-se às condições adversas do clima e ao facto e existirem 600.000 ovelhas, que andam livremente nas terras, sendo recolhidas apenas no inverno. Ora está bom de ver que andando à vontade não há vegetação que resista.
Um facto estranho ao início é a falta de árvores, seja porque poucas resistem ao solo e ao clima, seja porque as ovelhas, cavalos e outros animais acabam por não as permitir crescer.
Aliás, cavalos é algo que também por lá há com fartura. Ao que parece há cerca de 100.000 registados, o que dá 1 por cada 3 islandeses.
Antes eram usados para apoiar na agricultura e no transporte de bens, hoje servem essencialmente para lazer e para um ou outro apoio na agricultura.
Por falar em animais, há que dizer que há uns anos tentaram introduzir porcos, para diversificar a oferta alimentar, mas os pobres animais não resistiam sem grandes cuidados veterinários, que eram caros, e esta tentativa foi abandonada.
Também as renas, trazidas da Noruega, que foram alvo de uma tentativa de introdução na totalidade do território islandês. Também neste caso a tentativa não foi bem sucedida, se bem que com uma nuance. No extremo este do país, as renas não só resistiram, como também se reproduziram existindo uma comunidade com alguma dimensão.
Os islandeses brincam com este facto dizendo que naquele extremo estão mais perto da Noruega e que ali sentem menos saudades de casa.





Um exemplo da metódica organização local
As renas são aliás possíveis de usar como exemplo para mostrar a organização e o sentido local.
Uma vez que se têm reproduzido no extremo este, tem havido a preocupação de controlar a sua população à volta das 2000 cabeças, para manter este limite vendem-se.... licenças de caça.
Ou seja, as mais velhas, especialmente os machos, são seleccionados pela autoridade nacional de caça e podem ser alvo dos atiradores islandeses que pagam licenças anuais, caras ao que dizem, para poder caçar 4 meses por ano.
Acresce o facto de não poderem caçar à vontade, há uma área específica e cada caçador tem de estar acompanhado por um fiscal da natureza que indica quais os alvos possíveis, isto porque as renas, tal como outros animais, andam em espaço aberto pelo território.

Outro facto curioso são as vacas que são muito pequenas face ao que estamos habituados. Além disso o malhado branco e preto é menos comum, sendo mais usual a cor escura. Ao que parece isso deve-se ao clima, que geneticamente as faz crescer pouco. No que diz respeito à produção de leite confesso que não senti nada de diferente por este facto, o leite soube-me exactamente como qualquer outro leite do norte da europa.

Natureza
Em termos de natureza a Islândia é extremamente diversificada, há vulcões, gysers, terra árida e inóspita, vegetação baixa e até uma floresta, na zona central, no único parque nacional da ilha. Pelo meio, segundo contam, é um dos únicos dois locais no mundo (o outro é no Kenya) onde é possível ver in loco onde começa uma zona tectónica e acaba outra.
Os milhares de anos pós era glaciar foram trazendo, por força das migrações de aves, os primeiros sinais de natureza e esses não seriam muito diferentes daquilo que hoje encontramos junto às cinzas de um vulcão adormecido há várias centenas de anos: vegetação rasteira, pouco crescida e muito semelhante a musgo.
Pelo meio ainda muito espaço ocupado pela pedra vulcânica.
Em zonas como esta, e existem várias na Islândia, a chegada de novas fases de vegetação demorará anos, dezenas ou centenas de anos.
Uma das espécies que melhor se adapta a este clima são as coníferas, como o pinheiro nórdico. Nesse sentido, há um instituto florestal que está há uns 20 anos a promover a plantação controlada desta espécie, sendo plantadas entre 6 a 10 mil árvores por ano, muitas vezes em verdadeiros encontros de islandeses com a natureza, pois são levados (ou convidados) pelas autoridades a contribuírem com o seu trabalho para este bem da comunidade.
Muitas não resistem mas, curiosamente, é exactamente na zona central da ilha, entre a separação da placa tectónica americana e euroasiática, que a espécie mais se desenvolveu, ao ponto de esta faixa de 5 ou 6 kms ser considerada Parque Nacional, pelo que não são permitidos animais. Resultado: há vegetação alta, com estamos habituados a ver e há um habitat que cresceu em simultâneo que parece saído do nada, quando comparado com o restante território.





sábado, 20 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Islândia (3)



A falência de 2008

Segundo os locais 2008 representou o "rebentar dos 3 peixe-balão", ou seja, os 3 principais bancos islandeses que foram crescendo tanto (e de forma ilegal) que acabaram por ter nas mãos uma bomba relógio de alavancagem sobre alavancagem financeira. Algo tão grande que o próprio banco central Islandês estava incapaz de os ajudar.
Investimentos e aplicações de origem duvidosa, especialmente no Reino Unido e Holanda, empréstimos em moeda estrangeira ilegais e todo um conjunto de aplicações para lá do legal em ativos tóxicos, fizeram rebentar a bomba e, de um dia para o outro, o que valia 10 passou a valer 5, com a desvalorização da moeda, mas os custos de bens, serviços e empréstimos mantiveram-se.
Foi dramático pereceber, segundo alguns locais com quem falei, que de um dia para o outro o que podiam ter, comprar, aceder se reduzia a metade. Obras pararam, empresas faliram, os três maiores bancos também e o desemprego passou para uns 15%.
O Banco Central da Islândia já tinha pedido a intervenção das autoridades britânicas quase um ano antes do rebentar da crise, a locura financeira de então não levou a qualquer intervenção e é por isso que hoje (depois de um referendo esmagador com 90% de não) que os Islandeses recusam pagar muitos dos créditos que os bancos e clientes ingleses e holandeses dizem ter sobre o país.
Ainda houve uma possibilidade de cada islandês pagar um valor de cerca de 120€ para abater esta dívida, mas o povo revoltou-se e no tal referendo decidiu não pagar. Um pendurado que fica para mais tarde, certamente que ingleses e holandeses não perderão a possibilidade de "pedir" este valor quando chegar a altura da Islândia entrar na UE (visto que o pediram)

Os três banqueiros e alguns políticos ligados ao governo (incluíndo o ex-primeiro Ministro) e à área económica foram detidos e estão a ser julgados, o antigo primeiro Ministro foi condenado por um crime menor, mas na realidade nenhum outro foi ainda condenado.
Segundo o Jón, embora seja evidente que apostaram o que não deviam naquilo que não deviam, há sempre refúgios na lei que têm permitido não haver condenações efetivas dos banqueiros.
Lá, como aqui, ter um bom advogado ainda vai sendo uma mais valia para quem tem algo a que fugir.

Estes empréstimos que mantiveram o valor, por serem feitos em Euros ou Libras, muitas vezes sem conhecimento dos titulares, acabaram por ser uma corda na garganta para muitos islandeses, especialmente jovens casais, que agora têm uma dívida duas vezes superior ao que pediram emprestado e que estão a ter alguma protecção do estado para regulaizarem a situação e não irem, também eles, à falência.

Segundo o Concerige do Hotel Hiton Nordica, há uma comissão de cidadãos que está a trabalhar naquilo que será a revisão da constituição do estado, ou pelo menos em alguns pontos. Têm trabalho feito e apresentado, mas nem todas as alterações têm sido aprovadas de acordo com o que muitas pessoas esperava. De todo o modo o trabalho está em fase final e será referendado, só depois entrad em vigor.
Ainda assim é espantoso perceber como o estado se rege pelos claros desejos da sua população, ao ponto de esta ter capacidade e espírito coletivo para se organizar em assuntos tão importantes como este.




Outros aspectos da sociedade

A longa conversa com o Concierge do Hotel permitiu ainda perceber mais algum bocado da Islândia. As crianças são encaminhadas, desde cedo, no ensino das artes e da música, o pré-escolar ensina-lhe as cores, as rotinas e as brincadeiras, mas também o seu país e os hábitos sociais. A prendizagem do inglês é obrigatória em paralelo ao islandês e, por isso, a quase totalidade da população fala inglês sem qualquer tipo de problema.

Militarmente pertencem à NATO, embora não tenham forças armadas nem serviço militar. São outros países da Organização do Tratado Atlântico Norte que garantem a segurança militar e a vigilância da costa, entres eles a Alemanha, Espanha e.... Portugal, com os nossos P3 Orion.
Tiveram até há 4 anos uma pequena base aérea americana, mas a crise económica levou os militares e deixou as casas onde viviam e as antenas de comunicações, que agora são usadas para vigiar a costa.
Curioso foi o destino dado a muitas das casas dos ex-militares norte americanos, pequenos blocos de 3 pisos. Foram entregues a famílias com dificuldades devido à crise que abalou o país (entregues, entenda-se cedidas sob um custo mensal mais aceitável do que a anterior renda).

Aliás, com tanta costa e com a pesca como atividade principal, seria de esperar haver marinha para vigilância e salvamento. O Jón garante que não, a vigilância é feita a partir de postos fixos na costa e dos navios e patrulhas aéreas da Nato.
O salvamento no mar é feito localmente, por voluntários que são treinados e que podem ser chamados a qualquer momento, podendo deixar o seu emprego para socorrer quem está no mar em apuros. Segundo parece não há ganhos financeiros, apenas o espírito solidário para com os seus e o facto de lhes ser entregue, pelo estado islandês, o melhor e mais avançado equipamento, sejam lanchas, insufláveis, gps ou outro material de busca e salvamento.
Extraordinário!
Pelo que percebi, funcionam um pouco como os nossos bombeiros voluntários, mas sem permanência em qualquer quartel e com material do melhor.

As casas não são baratas. Lá, como cá, são um dos mais pesados investimentos que podem ser feitos por uma família. Apesar de haver prédios nas cidades e vilas, estes não são demasiado comuns, essencialmente porque há espaço com fartura para caberem todos em casas térreas ou de 1 piso.
Segundo o Jón, o meu guia nestes dias, o custo do terreno não é elevado, mas a construção de uma casa é, essencialmente porque há muita burocracia envolvida, algumas licenças de engenharia que têm de ser dadas e porque os materiais são, na quase totalidade, importados.
Os impostos a pagar à "autarquia" pela construção também são elevados. Em contrapartida o IMI local anual não é demasiado caro. O Jón diz-me que a sua casa tem 160m2 e paga algo como 45.000Kr, ou seja, 200€por ano.
A construção na se verga aos patos bravos que conhecemos em Portugal, em especial nas áreas metropolitanas. Aqui todos os planos submetidos ao conselho de obras públicas locais têm de ser apresentados por engenheiros e incluir métodos e materiais de construção que assegurem que toda a estrutura da casa possa resistir a sismos até 6.5 na escala de Richeter, além de resistir à intempérie constante (visto que há sempre humidade e o vento marítimo trás sempre com ele a chuva cortada e baixa). Há também que ter em conta a neve e os invernos rigorosos.
Estes planos de contrução têm normalmente que ter osescoamentos de águas, de modo a que estas sejam re-aproveitadas o mais possível, evitando assim gastos desnecessários (mesmo que haja água com fartura por estes lados), um hábito que nós não temos com quase nada em Portugal.
A construção não seria hipótese para os biscateiros portugueses, aqui só se podem construir casas com empresas certificadas e com um número mínimo de engenheiros na sua equipa.
Uma diferença abismal face a nós.

(continua...)



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Porque eu acho que (este) Patriarca é um tretas

O que é este merdas para vir com esta conversa de não se resolver problemas com manifestações??
Assente numa instituição que pouco paga de impostos, que enche os bolsos à conta da fé, que tem BRUTAIS isenções de IMI nos seus templos à conta de uma rídicula concordata e que mascara a sua riqueza material com caridade?


Para este merdas quanto pior estivermos, melhor, para depois ele e os seus delegados paroquiais virem com a sua caridadezinha social, ao bom estilo do Estado Novo, onde a igreja era o lenço de assoar do regime, e vice versa.
As declarações deste senhor á RTP (mais tarde explicou que tinha sido mal compreendido) são atrozes.


Para este representante do Papa de Roma, os problemas resolvem-se com fé e não com manifestações. 
A fé dele tem no entanto um problema, é que é cada vez mais economicista e incha na igual medida que as barrigas dos homens estão vazias de fome e desemprego.
Mantendo a sua fé como bandeira, este senhor e os amigos dele têm-se dedicado aos lares, aos centros de dia, às creches, aos cuidados continuados e a tudo aquilo que possa receber verbas do estado ou da segurança social. Ou seja, negócio mas só se houver subsídio, porque entrar no mercado é algo que nem a fé permite.
É, no meu entendimento, um Patriarca hipócrita, com um discurso a escorregar para modelos de direita muito nacional, à antiga. Sabedor que quantos mais pobres existirem maior será a sua capacidade de espalhar a sua fé. 
É o que pensol.

domingo, 14 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Inslândia (2)

(parte 1, aqui)

Como vivem

Viver na Islândia não é, aparentemente, demasiado fácil. Não tendo aderido ao Euro, a Islândia viu a crise de 2008 desvalorizar a sua moeda para metade, ou seja, desde há 4 anos a esta parte que cada Islandês sente ter apenas metade dos rendimentos, mas o mesmo padrão de custos, seja nas compras seja nos empréstimos.
Segundo o Jón, não há um salário mínimo definido por lei, mas em geral ninguém recebe menos do que 300.000KR, ou seja, cerca de 1500€.
Parece razoável, é certo, mas há que ter em conta que têm cerca de 17,5% de impostos para o estado e ainda mais 4% para os seus planos de reforma, em regime de capitalização.
Depois há os custos normais do dia a dia. A água e a energia (geotérmica e aproveitando o calor), produzidos com fartura localmente, são bens baratos, mas tudo o resto é, aparentemente caro, especialmente porque quase tudo é importado, seja o vestuário, seja a eletrónica, sejam os carros ou o combustível.
Os impostos são algo elevados, eles próprios o reconhecem. O Iva local começa nos 7% para os produtos essenciais, passa pelos 14% e tem o seu máximo nos 25%.
O tal salário "mínimo" de 1500€ deixa logo cerca de 250€ em impostos para o estado, mas a verdade é que se vêm resultados. Os cidadãos podem escolher para onde dirigir parte dos seus impostos e a mobilidade é beneficiada pelo estado, num país de poucas distâncias relativas, mas onde os transportes são fundamentais e pagam 0% de IVA. Excelente!
Em contrapartida não há auto estradas, não há comboios e não há scuts pagas nem portagens.



O Estado Social

O estado social que ouvirmos falar em Portugal é uma absoluta treta, já o sabia, mas fiquei ainda mais certo disso depois de perceber como funcionam as coisas na Islândia.
Como já disse, cada trabalhador paga impostos relativamente elevados, mas em contrapartida a educação obrigatória e a assistência médica são gratuítas. Sim, grátis! Uma SCUT no verdadeiro sentido da palavra, pois não representa um custo para as pessoas.
Apenas alguns custos médicos muito especializados e as formações não obrigatórias são pagas por quem delas necessita ou usufrui.
O estado social tem aqui uma variante igualmente importante que teremos, mais cedo ou mais tarde, de adoptar em Portugal.
Para além dos 4% que cada trabalhador desconta para a protecção capitalizante, a empresa desconta ainda 6% extra, num total de 10%. Estes fundos, para além de assegurarem a saúde e a educação, permitem ainda aos islandeses beneficiar de uma reforma ou, como referiu o Jón, de uma prestação mensal fixa, paga 12 meses por ano e que é igual para todos.
Sim, aqui reside a grande diferença e é nisto que um dia vamos ter de ser iguais. Quem ganha mais desconta mais em valor, quem ganha menos desconta menos, mas todos 4% e após os 67 anos (idade de reforma por aqui) todos recebem igual prestaç~ao, ninguém recebe mais nem menos do que ninguém, pois -para o entendimento do estado- todos são iguais. Os fundos de reforma privados são aqui fundamentais, empresas como a alemã Allianz e outras nórdicas e mesmo islandesas oferecem pacotes de capitalização individual e o estado incentiva os cidadãos, em especial a partir dos 35 anos a fazerem o seu próprio complemento de reforma.
O desemprego, nos dias que correm, anda pelos 7%, há dois anos era de 11%, mas o normal antes da crise era 2 ou 3%, um luxo quando comparado com os nossos 16 ou 17% oficiais.

(continua...)





sábado, 13 de outubro de 2012

A minha visão de 4 dias na Islândia (1)

Antes de mais uma conclusão muito breve. A Istândia é um país extraórdinário e, note-se, apenas conheci um terço do território.
Em termos culturais e, especialmente, em termos de organização social e comunitária, teriamos algo a aprender com este país de ex-vikings e gente dura, mas afável.
Começo por dizer que estive apenas alguns dias na Islândia, quatro para ser mais preciso, mas o trabalho que lá me levou permitiu-me passar por grande parte da costa Oeste, conhecer Rejkjavik e até acampar no meio do deserto vulcânico, numa zona interior onde nem a rede telefónica não chega. Nestes dias tenho que agradecer em especial ao Jón, o guia que nos acompanhou que, para além de simpático e bom condutor, foi igualmente uma preciosa ajuda para conhecer um pouco mais da Islândia, para além do que estava a ver.



A origem

Segundo contam, esta era uma zona glaciar colada ao Ártico, que se fez notar como território autónomo com o fim da era gaciar há muitos milhões de anos. Segundo parece tudo era árido e sem vida, mas os vulcões e o aquecimento progressivo da terra foram fazendo surgir as primeiras formas de vida. Segundo os locais os pássaros que entretanto cruzavam o oceano foram fazendo o resto, ou seja, trazer com eles as sementes no estômago que largavam aqui quando morriam ou algo semelhante.
Os Vikings terão ocupado a ilha, mas na verdade foram os povos do norte, Noruegueses e Filândeses que foram chegando, misturados com os Irlandeses  -então mão de obra escrava- que foram habitando a ilha no século 18.
A zona central da ilha, recebeu aquilo que se pode chamar o primeiro parlamento, por volta do ano 900, que não era mais do que uma reunião de homens que decidiam os trabalhos que se deveriam fazer para "dominar" um território árido, com pouca vegetação e sem animais.
Ao que parece ainda restam alguns vestígios destes locais de decisão, outrora a primeira capital, exactamente na zona onde são visíveis a olho nú as divisões das placas tectónicas que atravessam a ilha, a americana e a euro-asiática.
A partir daqui, e durante dois séculos, a Islândia desenvolveu-se e evoluiu. A pesca fez-se a principal atividade, foram introduzidos os mais variados animais e as terras foram sendo tornadas cultiváveis, embora 30% da zona central da ilha (150 a 200kms) seja de impossível cultura e totalmente deshabitada.





Hoje

A Islândia tem agora capital na zona costeira Oeste, em Rejkyavik, uma cidade que é o centro de uma área metropolitana de 5 pequenas cidades que, todas juntas, concentram 220.000 dos 320.000 habitantes da ilha.
Os restantes vivem nas várias cidades piscatórias à volta da ilha, em especial na costa sul, mas também nas quintas que se encontram espalhadas pelas áreas que entretanto, anos após anos, foram sendo conquistadas ao solo vulcânico e tornadas habitáveis e férteis.
Cruzar a ilha de Norte a Sul são 300kms. Atravessar de Este a Oeste são 500kms
Vivem essencialmente da pesca, da produção industrial de alumínio e são conhecidos mudialmente por alguma da sua música (Björk e Sigur Rós), por terem tido um dos seus 49 vulcões a atrapalhar os voos na Europa durante semanas e por terem sido o primeiro país da europa a entrar em colapso, com a crise de 2008.
Do que pude ver, a capital é uma cidade organizada, simples de percorrer, sem luxos, mas com muito bom gosto em muitos locais, desde o trato dos espaços públicos, a algumas casas e a locais como o Centro Cultural da cidade (na foto, com vidros desalinhados em prisma). Há alguns prédios de 3 ou 4 andares na periferia, mas em geral as casas são unifamiliares e bem organizadas.


(continua...)








terça-feira, 9 de outubro de 2012

Como preparar um chá

É uma bebida relaxante e calma. É uma bebida companheira de muitos momentos e há as mais variadas formas de preparar um chá. Infusões em saquetas ou com as ervas e plantas a dar o sabor que se deseja.
Em Castelo Rodrigo, na Beira Alta (Portugal), no interior do castelo, há uma pequena loja de produtos locais (Sabores do Castelo) que, entre outras coisas deliciosas, tem chás. Muitos.
Para além das ervas e plantas, esta loja tem um senhor alemão muito simpático e conhecedor destas coisas todas.
Este ano, quando lá estive, comprei alguns chás menos comuns encontrar na cidade e, com os chás, vinham estes folhetos feitos por eles que podem ajudar a quem queira saber mais sobre o uso do chá, como preparar o chá e a força do chá.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um passeio a não perder (Rota dos Fósseis)

Em Penha Garcia há um trilho, inserido no Geoparque, que é imperdível. Todas as pessoas deveriam cruzar este espaço, brilhantemente tratado pela autarquia de Idanha-a-Nova e com um funcionário, o Sr.Domingos, que é um bom conversador e conhecedor dos fósseis, dos moinhos e das histórias locais.
O trilho não é difícil e começa na aldeia, segue pelo castelo e termina num Pêgo de água, espantoso. Há outras variantes, esta é a mais simples. Pelo meio, zonas de merendas, uma barragem, zonas de sossego e um espaço natural fantastico e muito bem cuidado.
Fica o folheto desta rota (da autarquia) e algumas fotos minhas.
Não deixem de ir a Penha Garcia e experimentar por vós mesmo.





Em Amora

Aqui há uns tempos fiz o trilho do Alto da Barroca, uma interessante caminhada, promovida pela autarqua local, que os faz cruzar com outros tempos de Amora e com uma zona da freguesia que ainda não foi pejada e prédios.
É um percurso fácil de se fazer e com muito que conhecer. Começa junto ao Bairro 25 de Abril, junto à estrada da Quinta da Atalaia, e segue junto ao muro desta Quinta até à antiga Quinta do Talaminho, junto à Barroca.
Aconselho a seguirem este trilho e que leiam este docuemnto como guia.


domingo, 7 de outubro de 2012

Ainda Reykjavik

Para quem pensa viajar: Mapas de Reykjavik, na Islândia. (Clicar para ampliar)
Here are two maps of Reykjavik, Iceland. From Hilton Hotel Nordica (click to enlarge)







sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A morte de um 5 de Outubro.


Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Machado dos Santos, José Relvas e Teófilo Braga foram alguns dos bravos da Implementação da República, lamentavelmente o primeiro nunca a conheceu, embora a tenha pressentido.
Hoje, 102 anos depois, poucos parecem lembrar-se, ou saber sequer, o que foi este dia em 1910 e que o país, a nossa pátria Portugal, foi fundada também a 5 de Outubro de 1143, com a assinatura do Tratado de Zamora.
Hoje morre oficialmente o Feriado do 5 de Outubro, às mãos um governo fraco e vil, que já não tem sequer a coragem de enfrentar a população, por pouca que seja, na Praça do Município.  
Morre um lider de governo sem postura que se ausenta para "beber copos" com os parceiros europeus. Não será hoje a sua morte, mas é por estes dias que começa a correr o seu aviso.
Morre às mãos de um Presidente fraco, fugido das responsabilidades de defender a constituição que jurou defender, insinuador mas pouco firme.

Morre hoje um 5 de Outubro vergado pelos mercados que nos controlam pela força do dinheiro do qual dependemos para pagar contas e pela fraqueza de um povo ainda encandeado pelos centros comerciais, pelas férias a crédito e pela boa vida farta sem grande esforço, a que duas décadas irresponsáveis habituaram. Esta fraqueza do povo acabará depressa e a sua força e clarividência derrotará esta gente de merda
  
Morre o 5 de Outubro, mas se a data pudesse falar, diria como Sidónio Pais, momentos antes de falecer: "Morro bem, mas salvem a Pátria".

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Islândia, o país fenómeno




Água e outros fenómenos


Engenharia
Cabos eléctricos cirundam a ilha em duas voltas, uma alta e outra baixa
Zonas baixas fixam mais gente
Combustível ao mesmo preço da restante europa.
Blue Lagoon: silica da fábrica geotérmica ao lado, dá-lhe o fundo branco e a normal cor da água acaba por parecer azulada e surgir quente, entre os 35 e 40 graus. A silica é aliás usada para cosméticos, cremes hidratantes  e fins termais e medicinais.
Organizados, práticos e engenheiros. Com soluções assentes em soluções que usem o mais possível os seus recursos naturais, sem os colocar em causa. Incluíndo as virtudes do clima.




Moto 4 em Stakur


Unique Iceland com Thora Karitas
icelandicmusic.com
aminna
Jón (baldvinsson@simnet.is)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Penha Garcia

A ida a Penha Garcia revestia-se, inicialmente, de uma curiosidade sobre a barragem. Não li muito sobre o local por isso ia algo "às escuras" e virado para a Barragem.
A chegada surpreendeu-me logo a partir do Posto de Turismo, que fica junto à entrada da aldeia mais antiga. As explicações locais e o mapa com o trilho da barragem, da rota dos fósseis e do Pêgo, atrairam a minha atenção. Também a aldeia me fascinou, apesar de tudo pareceu-me mais humana do que Monstanto, onde de facto tudo está muito certinho e direitinho. Em Penha Garcia esse esforço está em construção, muito embora a disposição do casario e o ambiente que a zona mais antiga transmite, me tenham agradado muito.
Um passeio pelas ruas é obrigatório e há sempre curiosidades ao virar da esquina, seja nos locais, seja com as pessoas.
A subida à igreja e ao Castelo revelam o primeiro prender de respiração. A imagem que se tem a partir do paredão, nas traseiras da igreja, é única e merce fotografia, desde a barragem a todo o vale do Rio Ponsul, passando pelos antigos moinhos e terminando no Pêgo, tudo parece feito de propósito para encaixar na paisagem.


O trilho referido não é extenso, talvez uns 2kms, mas a verdade é que acaba por demorar algum tempo, não só pelo facto de ser a subir e a descer, como também porque é obrigatório parar muitas vezes para apreciar o trabalho ali feito pela autarquia de Idanha e pelos fundos comunitários.
Numa primeira fase o Castelo liga ao paredão da barragem de Penha Garcia. A rudeza das escarpas, onde outrora já houve água, misturada com o verde da vegetação e com os pequenos arranjos efetuados no espaço vão dando lugar a fotos consequtivas, pois é impossível ficar indiferente à beleza do local.

A partir do paredão da barragem o trilho faz-se até às primeiras casas, na verdade antigos moinhos, recuperados para mostrar como funcionavam antigamente para fazer a farinha que alimentava o famoso pão da terra. Há a representação da casa do moleiro, dois destes moinhos a funcionar e decorados no seu interior da mesma forma como existiriam e ainda há uma casa onde se reunem uma série de fósseis da zona, que provam a presença humana, neste local, há muito muito tempo.

Esta zona tem ainda a preciosa ajuda do funcionário que mantém o espaço aberto e vigiado. Qualquer coisa que necessitem perguntar ele tem resposta, para além de ser igualmente um bom conversador.
Esta zona de casas que ladeavam o curso do Rio Ponsul tem ainda um outro atrativo, há zonas de descanso, feitas em madeira e pedra, que convidam a uma pausa e a uma bebida. Além disso há momentos que convém captar fotograficamente e outros que convém escutar, especialmente se o silêncio imperar e tivermos tempo para este momento de total relaxamento.

O caminho que se segue é curto e leva-nos desta zona de casas até ao Pêgo. Um local que, dá-me ideia, não seria originalmente assim, mas que tem uma beleza ímpar. No fundo a água é guiada do que a barregem liberta do Ponsul e vem autenticamente derramar-se numa queda de água que cai para uma zona que foi fechada, criando uma espécie de piscina natural que tem, no máximo 1,70m /1,80m de profundidade.


A água é fria, mas pouco tempo depois de lá estar sentimo-nos bem. O local está muitissimo bem conseguido e tratado, notando-se que houve gosto pelo espaço criado. Isso resulta num local que é de visita obrigatória e que serve na perfeição para uma tarde muito bem passada.
Daqui sobre-se um pouco e estamos de volta ao largo da Igreja, de onde partimos.

Já falei das paisagens, que nos permitem olhares deslumbrantes, já falei dos locais a visitar, falta falar dos cheiros. A ausência de poluição e de vias de transporte neste vale, faz com que os cheiros ganhem novas dimensões, o que mais me despertou à atenção foi a hortelã. Está por todo o lado, especialmente junto ao pontos de passagem de água e dá uma dimensão sensorial magnífica a este passeio.


Alimentação
De volta a Penha Garcia (aldeia), foi tempo de procurar o que comer. A aldeia em si tem 3 ou 4 cafés e um espaço que publicita refeições ligeiras, a verdade é que fui a todos eles, desde o que está junto ao Posto de Turismo, ao que está na lateral direita da igreja junto ao Posto de Turismo e ao Dom Garcia e, em plena última semana de Agosto, nenhum deles tinha uma refeição. Já nem digo uma refeição de prato, apenas pedia um bocado de pão com chouriço e queijo, mas não. Nenhum deles tinha sequer esta opção e o máximo que me podiam oferecer eram cerveja, refrigerantes e os bolos da Panrico que estão nos expositores.

Uma pena. Pois a aldeia merecia mais e merecia que os comerciantes locais pudessem estar preparados para manter ali o visitante, fazer negócio com ele e, de caminho, falar da sua terra e gerar empatia. Assim não foi e dei por mim a pensar do que se queixarão os comerciantes locais quando na verdade não fazem nada para conseguir receita?
A questão a uma residente local sobre onde comer alguma coisa confirmou esta minha observação. Disse-me a senhora que "aqui ninguém faz nada, se quer comer sai até à Estrada para Espanha e vira à esquerda ou á direita, de um lado ou do outro encontra restaurantes".
Curto e grosso.

Assim fiz. Saí da zona mais antiga de Penha Garcia, atravessei a zona mais contemporânea e virando à direita encontrei rapidamente o Raiano.
Tem uma sala grande para refeições, que estava a meio e que tinha uma larga maioria de clientes espanhóis.
As refeições disponíveis são variadas, muito à base de grelhados, e o serviço é competente e rápido. Acabei por comer muito bem, por um valor nada caro (14,65€, duas pessoas, com água e sem sobremesa ou café). Um único reparo para as entradas, que me foram cobradas mesmo sem lhes ter tocado. Questionada a funcionária percebi que deveria ter dito que não as queria, mesmo que isso fosse evidente pelo facto de estarem até ao fim, e sem mudanças, no exacto local onde a mesma funcionária as tinha deixado. Adiante.
É pois uma boa solução para quem procura uma refeição em condições na zona de Penha Garcia/Monfortinho/Monstando.

No meio disto tudo ainda voltei ao Pêgo e passou o dia sem que acabasse por ir ao que me levava a Penha Garcia, a barragem. De todo o modo sinto que não perdi nada, bem pelo contrário, descobri um cantinho do nosso país que é merecedor da visita de todos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O espírito colectivo numa aldeia

Não serão muitas as comunidades que ainda se unem por um objectivo sem que tal envolva alguma contrapartida, pagamento ou favor. Hoje tudo se paga, tudo se compromete e tudo se faz prevendo o favor que se pode cobrar mais à frente.

Tudo isto para falar de um caso totalmente contrário à regra, a Associação Cultural e Desportiva da Aldeia de São Sebastião, um lugar pertencente à freguesia de Castelo Bom, na Beira Alta, com cerca de 90 habitantes.
Estas pessoas mantém um dinâmico entusiasmo pela sua terra e, independentemente do poder político e autárquico, lançaram há uns 15 anos mãos à obra e revolucionaram a sua terra. Isto é particularmente relevante quando, passados 15 anos, empregam cerca de 40 pessoas, mudaram a imagem e a qualidadede vida na sua terra e introduziram melhorias que nem o poder autárquico conseguiu trazer.

Nas férias deste ano passei por lá e tive oportunidade de conhecer e ficar abismado com o que vi. Hoje, passados 15 anos de camaradagem, voluntariado e amor à terra, os habitantes da Aldeia de São Sebastião têm:
- lar de idosos
- centro juvenil
- uma piscina descoberta
- polidesportivo para futebol de salão e ténis
- parque infantil
- mini golf, parede de escalada e um slide
- 5 casas equipadas para alugar no verão
- café

 
 
A esmagadora maioria destas coisas foi construída pelas mãos dos proprios sócios da Associação Cultural e Desportiva local, outras foram conseguidas com recursos ao Proder e aos programas de apoio aos mais idosos.
No fundo trabalharam e souberam ir aproveitando programas comunitários que apoiavam as suas ncecessidades. Depois são gente com imaginação. Por exempo, conta-me o presidente da Associacao (desde 2009 também presidente da J.F.Castelo Bom), que toda a vedação do parque infantil e zona de desporto custou 0€.
Quando lhe perguntei como foi isso, a resposta não deixou de me fazer sorrir.




A Refer andou a desmantelar velhas estações, passagens de nível sem guarda e apeadeiros e, neste desmantelar, retirou as grades de protecção. Ora os membros da Associação acabaram por recolher as mesmas, tratando da sua restauração e reimplantaram-nas nas suas instalações. Umas são verdes e outras são amarelas, mas de todo o modo estão colocadas, não foram parar a uma qualquer plataforma de reciclagem e mantém a sua utilidade.

A piscina é, naturalmente, o centro das atenções no verão. As entradas não são caras (2,80€ pelo dia completo) e os sócios, ou residentes na freguesia, pagam um valor simbólico. Estão sempre com um bom número de pessoas, mais de tarde do que de manhã, mas prestam um serviço público de grande valor aos locais e aos emigrantes que no verão visitam as suas terras. Mas não é uma piscina por si só. Tem balneários, com duches e sanitários, zona de merendas, manutenção e limpeza e mostra afixados todos os testes e atestados sanitários. Um pequeno oásis.

Diz o presidente (da Associação e da Junta), Sr.António Fernandes (um dos fundadores da Associação) que tudo isto só tem sido possível porque "em 100, há 90 que puxam para o mesmo lado e isso acaba por arrastar os outros 10". O resultado está à vista, há infrastruturas mas há também condições pensadas para gerar receitas e, com isso, não ficar dependente (como é normal e habitual) do poder político local, dos "protocolos com a camara" e da maior ou menor vontade política.

O lar está completo, as pequenas casas de verão estavam alugadas e a piscina regista cerca de 100 entradas por dia.
Estas pessoas, sob o guarda chuva da Associação, merecem todo o meu elogio. Não só pelo amor que mostram à sua terra, mas também pelas horas de trabalho e dedicação que já lhe deram e cujo resultado está bem à vista. Casos como este haverão mais alguns, infelizmente menos do que o desejável, mas são um sinal de que a união, a camaradagem e um objectivo comum podem mover vontades e mudar, para melhor, a vida das pessoas da comunidade, seja de uma aldeia, seja de,uma unidades territorial maior.

Um bem haja a todos os membros desta Associação pel o trabalho que têm feito.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O país das portagens

Os ultimos dois anos trouxeram uma nova realidade à mobilidade em Portugal. Não tanto uma melhoria de estradas ou mais vias, mas sim as famosas scuts, que passaram de "sem custos para os utilizadores" para serem portagadas.

Nas minhas idas para o Alentejo já há algum tempo que reduzi a minha percentagem de uso da auto-estrada. Outrora ia até Ferreira do Alentejo, agora saio logo na Marateca, pagando pouco mais de3€ para evitar a zona urbana de Setúbal e arredores. A partir da Marateca sigo no IP1, atravessando novamente Alcácer, Grándola e o mìtico Canal Caveira.

Estas férias estive na Beira Alta e depois na Beira Baixa. Na última vez que lá tinha estado as SCUT ainda não eram pagas por quem as usavam, mas agora a situação inverteu-se, o que me levou a calcular quanto me custaria ir na A1 até Torres Novas, depois na A23 até Castelo Branco e Guarda e depois na A25 até Vilar Formoso, perto do meu destino.
O valor a que cheguei foi de loucos, cerca de 35€ em cada sentido. Decidi pois usar as autoestradas de forma parcial, nos troços mais complicados. Fui na estrada nacional até pouco depois de Abrantes e só ai usei a A23 até depois de Vila Velha de Ródão. A partir daí usei o IP2 até Castelo Branco e depois a estrada nacional que passa em Penamacor, Sabugal e vai até Vilar Formoso.

A solução encontrada acaba por me custar cerca de 5,75€, faz-me fazer mais 5kms e demorar mais 35 minutos, mas o ganho é enorme e não falo apenas de ganho financeiro. O melhor desta viagem e das viagens intermédias que fiz, foi o passar efectivamente pelo país, pelas terras, ver como são, as curiosidades que muitas têm, as oportunidades de lazer em família que existem por ai e que nunca tinha ouvido falar e que nunca fariam parte das minhas interrogações.
Também sabe bem voltar a parar nas aldeias, falar com os locais, deixar o preço de umas águas, cafés e refeições no comércio locale não nas onerosas e impessoais áreas de serviço. E isto são mais valias que acomulam à poupança nas portagens.

Também beneficiei de ter encontrado estradas em bom estado, com bons pisos e que ajudam na condução. Acabei mesmo por seguir algumas sugestões do GPS e apanhar estradas municipais.
Aqui há uma ou outra surpresa que podemos ter de evitar, dando meia volta, mas nos concelhos de Almeida, Sabugal e Penamacor as estradas municipais estão optimas e são sinónimo de menos kms percorridos e de maior rapidez em chegar ao ponto x ou y.

Tenho de reconhecer que a AE é mais confortável e pode ser mais rápida, mas decididamente a minha opção de viagens mudou radicalmente.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Restaurantes em Penamacor

Se estiver no centro de Penamacor não tem muitas opções para refeições, as que existem cumprem o que se espera de uma boa refeição. Nos dias que la estive encontrei 3 restaurantes em Penamacor dos quais partilho as minhas observações.

O primeiro, de que não fui cliente, é o Quartel. Fica junto a uma encosta próxima do tribunal e das finanças e tem uma vista previligiada sobre a zona sobranceira a Penamacor. Passei lá uma 3feira e estava fechado para descanso, mas percebi que tem menus completos de 7€ aos almoços e refeições por 12€/13€ à noite, já sem menú completo.


Um dos restaurantes de que fui cliente foi o Restaurante Santiago, em Penamacor, bem no centro, entre o jardim publico e a igreja. É um 3 em 1, é restaurante, é pizzaria e ainda churrasqueira.
O piso de baixo serve como café, os dois pequenos pisos de cima são as salas de refeição. São curtas, mas têm o essencial, com o positivo de termos no piso 1 algumas fotos "antes e depois" de alguns pontos da vila.
O atendimento é eficaz mas não mostra muita simpatia. Um ponto curioso é o facto de não ter sido apresentada carta de pratos e bebidas, apenas me foi listado verbalmente o que havia e, na verdade, só soube quato iria pagar quando veio a conta. Os grelhados estavam bem preparados e vinham acompanhados de salada e batata frita ou cozida. No final, com duas bebidas de lata e cafés, paguei 15€, um preço simpático e acessível.


Onde acabei por ir duas vezes foi ao restaurante O Jardim, também em Penamacor, colado ao jardim público. É um espaço dividido em 3: café, sala de refeições e uma pequena esplanada virada ao jardim, onde é possível jantar.
O atendimento é excelente, tanto da funcionária, como do proprietário, o Sr.Manuel, que também tem um papel na cozinha. A variedade de pratos e sobremesas é grande mas, também aqui, não me foi apresentada carta alguma, apenas foram descritas as opções do dia. A comida chegou rapidamente e veio sempre servida em boas doses e com acompanhamentos condizentes.
Mais uma vez o preço só foi conhecido no final, 15€ para duas pessoas, sem sobremesas e cafés e 20€ no segundo dia, com duas sopas e duas sobremesas.
A simpatia do dono e da funcionária, o bom preço e a boa comida farão com que volte lá novamente, quando estiver em Penamacor.


Uma última nota para o café esplanada do Jardim Público. Fica logo na entrada e é um óptimo local para uma bebida ou para um café, durante uma tarde ou noite de verão. A concessão é igualmente do Sr.Manuel (Resturante O Jardim) e o espaço, não tendo nenhum extra relevante, beneficia do local edo espaço envolvente. Se estiverem por perto não deixem de ir lá.